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Aposentadoria além do INSS: conheça as diferentes opções

Abril 2019

12 minutos de leitura

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Em qualquer lista de metas pessoais, a aposentadoria tranquila ocupa quase sempre uma das primeiras posições. E não é para menos: atingir esse objetivo é uma recompensa para quem se dedicou ao trabalho por décadas e quer usufruir de uma vida confortável depois de largar o batente.

No entanto, para que possa cumprir esse papel, a aposentadoria deve ser programada com cuidado. E, nesse planejamento, é essencial conhecer opções além da previdência social, mantida pelo Estado.

Embora os benefícios pagos pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) tenham funções importantes, quem almeja uma renda melhor nesse período da vida deve considerar as demais alternativas.

Pensando nisso, trouxemos este guia completo sobre o assunto. Aqui, você vai entender como se preparar adequadamente para o momento em que for parar de trabalhar, além de conhecer opções complementares e até mesmo substitutivas à aposentadoria INSS. Boa leitura!

Por que não depender da aposentadoria INSS?

Atualmente, todo trabalhador brasileiro que segue determinadas regras, como um tempo mínimo de contribuição ao INSS ou uma idade mínima, tem direito a uma aposentadoria paga com recursos públicos. Esse sistema recebe o nome de previdência social.

Mas por que não é possível ficar dependente desse instituto? Para entender a questão, devemos compreender mais a fundo como o INSS funciona.

Primeiro, vamos acompanhar o trajeto histórico que levou à criação dessa metodologia para pagamentos de aposentadorias. Embora a ideia de sistema previdenciário já existisse desde a época em que o Brasil era um império, ela foi colocada em prática somente na década de 1920. Isso aconteceu por meio das CAPs (Caixas de Aposentadorias e Pensões).

Ao longo da década de 1930, surgiram os IAPs (Institutos de Aposentadorias e Pensões), que, mesmo sendo controlados pelo governo, eram divididos de acordo com as categorias profissionais. Ou seja, cada setor contava com o próprio regime. O grande problema dos IAPs era que as categorias mais fortes tinham maior influência política, fator que gerou distorções com o passar do tempo.

Para contornar a situação, no começo dos anos 1960, as regras dos institutos foram uniformizadas em uma mesma legislação. Anos depois, todos os IAPs foram unificados sob o nome de INPS (Instituto Nacional de Previdência Social). Esse modelo ampliou a cobertura do sistema, em processo que prosseguiu até o final dos anos 1970, quando foi criado o SINPAS (Sistema Nacional de Previdência e Assistência Social).

Por fim, com a Constituição Federal de 1988, foi implementado o conceito de seguridade social, englobando as áreas de saúde, assistência e previdência. Já em 1990, para gerir tudo isso, o INSS foi instituído.

Dessa forma, unindo o texto constitucional e a criação do INSS, os trabalhadores passaram a ter como direito um sistema de proteção social focado em ajudá-los quando parassem de trabalhar ou ficassem doentes, entre outras situações.

Como funciona o INSS atualmente?

Em síntese, o INSS opera coletando contribuições compulsórias dos trabalhadores ativos, que devem recolher uma parte dos seus salários mensalmente. Com o dinheiro acumulado, o órgão que gere o sistema faz os pagamentos devidos aos aposentados, pensionistas e demais beneficiários da seguridade social.

O valor a ser recebido varia conforme o tempo e os valores das contribuições ao longo da carreira. Apesar disso, cabe destacar que o modelo de previdência em vigor hoje no Brasil não funciona como uma poupança, na qual cada trabalhador acumula os recursos necessários para o pagamento da própria aposentadoria.

Pelo contrário: quem está no mercado de trabalho atualmente e contribui com o INSS é quem sustenta os pagamentos daquelas pessoas que não estão ativas. Por isso, sistemas de previdência social nos moldes do brasileiro recebem o nome de contributivos.

Há uma divisão entre o regime geral de previdência (que reúne os trabalhadores da iniciativa privada, os domésticos e os autônomos) e o regime próprio dos servidores públicos (que contam com regras próprias de contribuição, de acordo com a categoria).

Quais são os problemas do INSS?

A contribuição do INSS é compulsória (ou seja, todos os contratados via CLT precisam pagá-la) e é necessária para garantir aos trabalhadores uma renda após o término da vida profissional. No entanto, o recomendado é não depender exclusivamente do instituto de seguridade social na hora de se aposentar. E os motivos para isso são muitos.

O primeiro deles é o constante déficit apresentado pelas contas da previdência. Só em 2018, o rombo foi de R$ 195,2 bilhões. Ele foi causado em razão de:

  • elevação do número de beneficiários do INSS;
  • aumento da expectativa de vida da população;
  • redução dos montantes acumulados com as contribuições recolhidas.

Como esse cenário tende a se agravar nos próximos anos, existe a necessidade de promoção de reformas, que certamente vão restringir as regras de acesso aos benefícios, exigindo mais tempo de trabalho ou reduzindo os valores pagos. Sem essas alterações, o Estado pode perder a capacidade de honrar as aposentadorias e as pensões já concedidas, fazendo com que o sistema entre em colapso.

Essas instabilidades tendem a comprometer os valores a serem recebidos e o tempo necessário para garantir a aposentadoria dos trabalhadores. Além disso, existe bastante burocracia para que as pessoas recebam os benefícios. Por esse motivo, não depender exclusivamente do INSS é um jeito de evitar esses aborrecimentos.

Que opções existem além da aposentadoria INSS?

Agora que você entende o funcionamento da previdência social e do INSS, a importância desse instituto e as razões para não contar somente com ele, acompanhe quais são as alternativas de investimentos para garantir a aposentadoria.

Previdência privada

Essa modalidade é constituída por um plano que permite que a pessoa invista o dinheiro por conta própria, visando o recebimento futuro desses valores. Assim, o investidor garante uma renda para quando ele parar de trabalhar.

Quem opta pela previdência privada não necessariamente está saindo da previdência social. Ao fazer essa escolha, é possível utilizar o plano para complementar o valor do INSS.

No mercado, existem dois planos principais de previdência privada. Eles são conhecidos pelas siglas VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) e PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre). A diferença entre eles está, basicamente, na forma como o IR (Imposto de Renda) incide sobre o dinheiro aplicado ao longo dos anos. Além disso, existem os planos privados de aposentadoria, mantidos por empresas.

O PGBL é indicado para quem faz a declaração completa de IR. Essa modalidade permite abater da declaração as contribuições feitas com a previdência privada, desde que limitadas a 12% da renda tributável acumulada no ano.

Por outro lado, no momento do resgate da aplicação (seja total ou parcelado), há a cobrança do IR, de acordo com plano escolhido, que pode ser progressivo ou regressivo. No primeiro, as alíquotas chegam no máximo até 27,5%, de acordo com o valor resgatado. Já no regressivo, a maior alíquota é de 35%, mas ela vai caindo à medida que o tempo de aplicação aumenta.

O VGBL, por sua vez, é mais indicado para quem declara o IR de maneira simplificada e faz aportes menores na previdência privada. Não é possível deduzir as contribuições feitas do imposto devido. Mas, no momento do resgate, as tabelas das alíquotas incidem apenas sobre a rentabilidade obtida, e não sobre o valor total aplicado.

Entre as vantagens dos planos de previdência privada, está a facilidade de gerenciar os recursos. Em muitos casos, é possível programar a aplicação — sem a preocupação de separar uma parte do salário todo mês — e fazer o aporte financeiro, visando o acúmulo dos recursos para a aposentadoria. Isso também fortalece a disciplina financeira.

Além disso, os planos de previdência privada costumam ser mais flexíveis e personalizáveis, de acordo com a sua necessidade. Por fim, eles podem ser transferidos na sucessão patrimonial, em caso de morte do titular.

Contudo, também existem desvantagens que devem ser avaliadas antes de você optar por um plano. A principal delas é com relação às taxas cobradas. As mais comuns são as tributações de administração e de carregamento, que incidem sobre cada depósito ou retirada.

É preciso considerar também a rentabilidade do fundo no qual o dinheiro fica aplicado e os riscos aos quais o investimento está exposto. Como a previdência privada não é um investimento coberto pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos), o montante acumulado pode se perder caso a administradora do plano enfrente problemas e vá à falência.

Reserva financeira

Se você já adota um planejamento orçamentário organizado e conhece ao menos um pouco sobre os diversos tipos de investimento, deve considerar fazer uma reserva. Esse valor deve ter o objetivo de financiar sua aposentadoria ou ao menos complementar os valores pagos pelo INSS.

O indicado é separar uma fatia mensal da renda e aplicá-la em investimentos que garantam boa rentabilidade. A caderneta de poupança costuma ser a principal opção, embora seu rendimento seja baixo, perdendo até mesmo para a inflação em determinados períodos.

Por isso, é essencial procurar opções mais rentáveis no mercado. Entre elas, estão os títulos do Tesouro Direto, os Certificados de Depósito Bancário e os fundos de investimento. Todas são boas alternativas e devem ser priorizadas, já que combinam rentabilidade interessante, facilidade de gerenciamento e baixo risco.

Para ampliar a proteção contra o risco, diversifique as aplicações. Ao colocar um pouco de dinheiro em cada uma delas, você se protege contra eventuais problemas, ainda que tais investimentos tenham risco reduzido.

Empreendimento próprio

Quem tem disposição, proatividade e boas ideias de negócios pode empreender para construir um patrimônio e garantir uma fonte de renda para o dia em que deixar a rotina de trabalho.

Todavia, os cuidados ao investir em um negócio próprio devem ser ainda maiores do que em outras formas de investimento. O fracasso do empreendedor pode comprometer o seu patrimônio e todos os seus rendimentos futuros. Portanto, qualquer novo projeto nesse sentido deve contar com um estudo prévio cuidadoso, feito para aumentar as chances de sucesso.

Consórcios

Planejar a aposentadoria por meio de consórcio também é uma opção a ser considerada. Por meio dessa modalidade de investimento, você pode se organizar para construir seu patrimônio e assim obter novas fontes de renda para o momento da tão desejada aposentadoria.

Os consórcios são populares no mercado. O funcionamento deles é bem simples, já conhecido pela maioria das pessoas. No entanto, não custa nada relembrar o mecanismo que sustenta esse tipo de associação.

A modalidade é baseada na formação de grupos de pessoas com o interesse em adquirir algo em comum, que pode ser um veículo, um imóvel ou mesmo uma contratação de determinado serviço. O grupo funciona sob supervisão de uma administradora, que recebe os valores a serem reunidos, para que todos os integrantes do grupo consigam adquirir o bem desejado.

Mensalmente, são feitas assembleias, nas quais acontecem os sorteios que contemplam os consorciados. Quem é premiado tem direito a receber antecipadamente a carta de crédito e assim consegue fazer a compra do item que foi estipulado.

Quem tem dinheiro sobrando pode cogitar a oferta de um lance, que serve com uma espécie de antecipação do pagamento, acelerando a contemplação. Só não se esqueça de conferir as regras da administradora para a oferta de tais valores.

Após essa explicação de como os consórcios funcionam, fica fácil perceber por que eles são tão vantajosos. Logo de cara, oferecem parcelas mais baixas que os tradicionais financiamentos bancários. Outra diferença é que os consórcios não envolvem nem cobranças de juros e Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), nem solicitações de valores referentes à entrada.

O consorciado pode antecipar parcelas e, com a carta de crédito em mãos, tem um instrumento financeiro que equivale ao pagamento à vista. Isso permite que sejam negociados descontos na hora da compra. Por fim, os consórcios são extremamente seguros e contam com a supervisão do Banco Central.

Dessa forma, ingressar em um grupo como esses torna-se uma excelente maneira de viabilizar a compra de um imóvel. E esse bem pode ainda se transformar em uma fonte de renda, por meio da locação durante o período da aposentadoria.

Como decidir entre previdência privada ou investimento?

No tópico anterior, você viu que a previdência privada não deixa de ser uma estratégia de investimento. No entanto, existe a discussão sobre se ela é uma maneira melhor de investir visando à aposentadoria do que outras opções, inclusive algumas das quais foram apresentadas neste texto.

Para encontrar a resposta de acordo com a sua situação, é necessário ponderar uma série de fatores, como as vantagens e desvantagens da previdência privada.

Depois, pense qual é o seu objetivo na hora de decidir entre a previdência privada ou outras formas de investimento: se ela será apenas um complemento ao benefício pago pelo INSS no futuro ou se será sua fonte de renda principal.

Além disso, diante de todos os custos envolvidos em uma previdência privada, vale estimar qual será a rentabilidade líquida obtida (ou seja, aquela efetivamente recebida, depois do desconto de impostos e taxas). Não é raro que planos de previdência privada percam para as demais formas de investimento.

O que fazer para me preparar para a aposentadoria?

Seja qual for a sua escolha para garantir a aposentadoria sem depender exclusivamente do INSS, o sucesso da opção preferida passa por uma boa preparação financeira. Desse modo, você garante que tudo esteja organizado quando chegar ao fim da vida profissional.

Essa preparação começa com a definição do seu objetivo e o estabelecimento de prazos. Determine em que ponto quer parar de trabalhar e qual será a renda necessária para pelo menos manter o padrão de vida — incluindo os gastos com alimentação, habitação e saúde, que costumam aumentar a partir de certa idade.

Pense também conforme a fase em que você se encontra na sua vida. É normal que, em certos momentos, tenhamos salários menores (como no começo da carreira) ou um número maior de compromissos a serem honrados (o que acontece quando os filhos chegam, entre outras situações).

Por esse motivo, ajuste o quanto será destinado para o investimento na aposentadoria de acordo com a sua faixa etária e as suas obrigações atuais. Se for o caso, procure novas fontes de renda.

Outro cuidado constante deve ser manter-se longe das dívidas. Por isso, procure sempre por formas de pagamento isentas de juros e nunca gaste mais do que ganha. Para isso, avalie suas despesas e corte aquilo que for desnecessário. Tal atitude, dependendo da sua situação, pode ter um reflexo muito positivo sobre as contas, liberando uma parte maior do orçamento.

A fim de garantir que o plano de aposentadoria tranquila está no caminho certo, faça reavaliações constantes da sua estratégia. Esse é um plano de longo prazo, que pode demorar décadas para ser concretizado. Por isso, a melhor opção hoje pode não ser tão boa com o passar do tempo — de acordo com os momentos da sua vida ou a economia do país.

Portanto, a concretização desse objetivo dependerá também de uma boa dose de disciplina e persistência. Pense que todo o esforço empenhado nesse período trará como recompensa uma vida mais serena durante a aposentadoria. E tenha sempre em mente que é melhor poupar um pouco sempre do que uma alta quantia de uma vez só.

Quais erros você não deve cometer?

Por mais bem-elaborado que seja um planejamento, ninguém está imune a erros até finalmente conquistar a aposentadoria. Para se prevenir, confira a lista dos principais equívocos que podem atrapalhar a sua busca. Acompanhe!

Não considerar o aumento da expectativa de vida

A expectativa de vida dos brasileiros está em elevação constante há algumas décadas. De acordo com as estimativas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2018 ela atingiu 72 anos e 5 meses para os homens, e 79 anos e 4 meses para as mulheres.

Logo, é um erro grave não considerar o aumento na hora de calcular a quantia que será necessária para uma aposentadoria tranquila. Como esse crescimento é algo que perdura, é provável que você viva mais do que imagina, precisando de mais dinheiro para se manter com conforto e sem a necessidade de trabalhar.

Calcular mal a reserva financeira necessária

Como já mencionamos, o cálculo da aposentadoria deve estimar qual é o montante necessário para, ao menos, manter o padrão atual de vida. Quanto mais próxima dos 100% da sua renda atual for a aposentadoria, melhor será a qualidade de vida após o término da vida de trabalho.

Não levar em conta a inflação

Ainda que considere a expectativa de vida e o tamanho do benefício, o cálculo para o seu planejamento falhará se você não considerar a inflação. Isto é, a taxa pela qual a média dos preços cresce em uma economia em determinado período.

Como a aposentadoria abrange um espaço de tempo grande e a inflação continua agindo depois que paramos de trabalhar, o poder de compra do dinheiro acumulado pode diminuir sem a devida correção e, assim, comprometer as finanças.

Investimentos que paguem rendimentos variáveis de acordo com a inflação são boas formas de proteger o valor aplicado do efeito de aumento dos preços.

Deixar de diversificar os investimentos

Sempre procure métodos novos para diversificar as aplicações de capital que visam a sua independência financeira para se aposentar. Procure alternativas que combinem rentabilidade e segurança e possam garantir uma fonte de renda para essa fase da vida. O uso de imóveis como investimento é um bom exemplo disso.

Não priorizar a aposentadoria

Ao definir que você não quer depender do instituto de seguridade social na hora da aposentadoria, guardar recursos para esse fim deve ser uma prioridade nos seus planos pessoais. Quanto mais tempo você demorar para organizar essa questão, maior será o esforço necessário para atingir a meta. Logo, quanto mais cedo começar, melhor. O tempo será seu grande aliado.

Dependendo do seu padrão de vida ou do que você almeja para quando parar de trabalhar, a aposentadoria INSS pode não ser suficiente para atender às suas necessidades. Por isso, reúna os pontos mais importantes deste texto e aplique-os à sua realidade, a fim de ter mais tranquilidade nessa etapa tão importante da vida.

E você, o que faz — ou pretende fazer — para garantir mais segurança na aposentadoria? Compartilhe suas experiências e dicas nos comentários deste post!

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