Avaliação de carros: o que é considerado para estimar o valor?

Julho 2019

8 minutos de leitura

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O momento de trocar de carro costuma ser aguardado com grande expectativa por muitas pessoas. E, para facilitar esse processo, é possível contar com a internet como uma ferramenta para escolher o modelo que melhor atende a suas necessidades e partir para a pesquisa de preços.

É nessa hora que a maioria das pessoas se surpreende. Afinal, como o valor do carro pode variar tanto de uma loja para a outra? Como um mesmo modelo pode ter tantos preços diferentes no mercado?

A resposta para essas questões está na avaliação que é feita tanto para a compra quanto para a venda de veículos usados. Apesar da existência da tabela Fipe como ponto de referência, a grande verdade é que carros usados não têm preço tabelado. Por isso, o valor definido para a negociação varia de acordo com inúmeros fatores, o que faz muita diferença na hora de fechar ou não o negócio.

Se você tem dificuldades para entender a forma de precificação do mercado, tanto para vender o seu usado quanto para comprar um seminovo, está no lugar certo. Neste post, você vai conhecer quais são os fatores considerados na avaliação de carros e como cada um deles pesa no preço final. Confira a partir de agora!

Tabela Fipe

Ao comprar ou vender um carro usado, a primeira coisa que você normalmente faz é verificar seu preço na tabela Fipe, não é mesmo? No entanto, por mais que essa seja uma prática que realmente ajude a referenciar os valores de negociação, é fundamental saber interpretar os números apresentados.

Em primeiro lugar, cabe esclarecer que ninguém é obrigado a vender seu automóvel pelo preço indicado nessa tabela, já que não existe uma lei que regulamente as negociações nesse sentido. No fim das contas, portanto, o preço do carro é definido pelo proprietário. Mas a tabela não só pode como deve ser usada como parâmetro.

Como funciona essa tabela?

A tabela Fipe é construída com base na média das negociações de carros usados em todo o Brasil. Para se chegar ao valor sugerido, a Fundação de Institutos e Pesquisas Econômicas exclui variações anormais, como uma negociação entre pai e filho ou a venda de um veículo em mau estado de conservação, por exemplo. Isso porque, nesses casos, o carro costuma ser vendido por um preço bem abaixo do usual, o que refletiria negativamente no valor do carro resultante.

Também não são considerados os valores dos itens opcionais que não são originais de fábrica, como equipamentos de som ou jogo de rodas, já que eles podem encarecer um veículo em relação aos modelos médios disponíveis no mercado. Exatamente por apresentar uma realidade muito fiel em relação à depreciação dos veículos no Brasil, a tabela é usada como base para o cálculo do IPVA e do seguro do carro.

Mesmo assim, além da tabela, você deve considerar outros fatores para saber se o preço cobrado pelo seminovo que você quer comprar está compatível com o mercado. Fique de olho para entender que fatores são esses!

Ano de fabricação x ano do modelo

Nos últimos anos, tem se tornado uma prática muito comum o lançamento de modelos com praticamente um ano de antecedência. No meio de 2019, por exemplo, muitas montadoras já lançam suas linhas 2020. Isso serve para valorizar a venda de carros zero quilômetro, chamando a atenção dos consumidores e aquecendo esse mercado.

Considerando que, na maioria das vezes, esses lançamentos antecipados apresentam poucas alterações em relação aos modelos anteriores, quem compra fica com um carro de um ano e modelo do ano seguinte. Por outro lado, esse fato cria um problema no mercado de usados, especialmente quando falamos em precificação.

Que ano deve ser considerado?

Para resolver essa situação, o ideal é que seja levado em consideração o ano de fabricação do carro e não do modelo. Afinal, fatores como estado de conservação, quilometragem e revisões são sensibilizados pelo uso do veículo, que se dá a partir do momento em que ele sai da concessionária.

Na hora de comprar um usado, portanto, não aceite o argumento de que o ano do modelo valoriza o veículo, pois isso não vai fazer nenhuma diferença quando você for vendê-lo.

Estado de conservação

O estado de conservação é um dos fatores que mais conta na definição de preço de qualquer veículo seminovo. Afinal, você não vai querer comprar um carro com aspecto de velho e que apresenta problemas mecânicos, não é mesmo? Isso quer dizer que quanto menos atenção tiver sido dispensada para o cuidado com o veículo, mais dificuldade o proprietário terá para vendê-lo. Obviamente, isso pode fazer com que o preço caia.

Alguns aspectos da conservação do automóvel podem ser verificados em uma rápida observada. Contudo, alguns detalhes exigem um pouco mais de atenção por parte do comprador para garantir que o carro escolhido esteja realmente em bom estado. Confira agora algumas técnicas para descobrir se um carro foi bem cuidado.

Pintura

Irregularidades e falhas na pintura, além de indicar que o carro passou por um serviço de restauração malfeito, podem ser sinais de que já houve uma batida. Como esses fatores desvalorizam um veículo, é muito importante considerar a pintura ao avaliar o valor do carro.

Para isso, o ideal é aproveitar a luz do sol, que ajuda a deixar mais evidente qualquer alteração. Observe se a pintura está brilhante e se há ondulações, analisando também se há diferença de tonalidade entre as partes.

Lataria

Na lataria do veículo também podem se esconder detalhes importantes para uma avaliação. Ondulações e amassados demonstram que o veículo pode ter passado por serviços de funilaria em razão de uma batida, enquanto bolhas na pintura podem ser sinal de presença de ferrugem.

Uma boa dica para verificar se alguma parte da lataria foi recuperada é passar um ímã envolto em um pano. Se o ímã se desprender, são grandes as chances de ter sido usado material plástico ao fazer a restauração no local.

Simetria

Carros que já se envolveram em acidentes também podem apresentar problemas em sua simetria, que é o alinhamento entre as diferentes partes do veículo. É importante checar se os vãos entre portas, para-lamas e para-choques estão iguais, seguindo o desenho do carro. Veja também se as portas, capô e porta-malas estão fechando de maneira adequada.

Bancos

Sujeira, manchas e rasgos nos bancos costumam denunciar falta de cuidado do dono anterior. Estofamento afundado ou estruturas soltas podem demandar uma restauração, o que impacta negativamente no valor do carro.

Procure também por marcas de queimaduras de cigarro. Se o proprietário for fumante, você provavelmente vai encontrá-las.

Assoalho e carpetes

Do lado de dentro, aproveite para verificar o estado dos carpetes e do assoalho. Pontos de ferrugem e bolor são sinais de que o veículo pode ter sido atingido por um alagamento. Quando isso acontece, o valor do veículo pode despencar, já que diversos componentes acabam se desgastando nessas situações, como sistema de freio, rodas e até mesmo o motor.

Volante e manopla do câmbio

Ao longo do tempo, o volante e a manopla de câmbio podem se desgastar, ficando totalmente lisas e perdendo a aderência — em alguns casos, até mesmo esfarelando. Mas, como esse é um processo demorado, se essas peças estiverem muito gastas, é sinal de que o veículo já rodou bastante.

Placa dianteira

A placa dianteira costuma sofrer mais que a traseira, já que recebe o vento que chega na frente do carro. Se ela estiver muito desgastada, com números se apagando e pontos de ferrugem, certamente o veículo tem uma quilometragem alta.

Quilometragem rodada

Veículos com baixa quilometragem são sempre mais visados na negociação de seminovos. Mas isso nem sempre é decisivo para saber se um carro está com a manutenção em dia. Veja agora o que é levado em conta na hora de avaliar o valor do carro em relação às partes mecânica e elétrica.

Motor

Nunca compre um veículo seminovo sem dar uma volta antes, pois essa será a melhor oportunidade para conferir o funcionamento do motor. Quando o coração do carro apresenta problemas, a necessidade de reparos causa uma inevitável desvalorização.

Ouça com atenção o som do motor ao acelerar, buscando identificar barulhos estranhos. Correias desgastadas, por exemplo, costumam produzir um assobio agudo. Observe seu desempenho em trechos como ladeiras e trânsito intenso, analisando o comportamento do veículo nessas situações.

Pneus

Apesar de serem itens que se desgastam com certa frequência, o estado dos pneus pode fazer diferença na hora de precificar um seminovo. Se estiverem carecas ou com qualquer problema que comprometa sua segurança, certamente o valor do carro sofrerá uma redução para compensar a troca que precisará ser realizada pelo novo dono.

Se bem cuidado, um jogo de pneus pode durar até 50 mil quilômetros. Portanto, se a borracha estiver muito desgastada e o hodômetro estiver marcando uma quilometragem muito inferior, desconfie.

Escapamento

Um dos problemas mais observados em escapamentos é a oxidação, que ocorre em função da passagem dos gases gerados pela queima do motor. A liberação excessiva de gases também merece atenção, pois pode ser sintoma de defeito no sistema de exaustão.

Suspensão

O sistema de suspensão garante mais conforto e segurança a um veículo, por isso seu funcionamento também deve ser avaliado para chegar ao valor de um carro. Observe como o veículo se comporta em lombadas e trechos mais acidentados. Se a carroceria balançar demais ou houver barulho vindo das rodas, é provável que os amortecedores precisem ser substituídos.

Acessórios

Carros populares costumam ter seus preços bastante influenciados pelos acessórios. Itens como ar-condicionado e direção hidráulica elevam o valor final cobrado do comprador.

Em modelos de categorias superiores contam os acessórios mais luxuosos, como sensores de acendimento de farol e acionamento de limpadores de para-brisa, assistentes de estabilidade, câmera de ré e outros.

Avaliação de profissionais

O valor de um veículo usado só pode ser corretamente avaliado depois de passar pela inspeção de um profissional especializado. Por isso, leve o automóvel a uma oficina mecânica de confiança!

Se você estiver pensando em vender, isso ajudará a entregar o carro em boas condições e até mesmo a elevar o preço de venda. Já para quem compra, a revisão mecânica é fundamental para evitar arrependimentos posteriores. Com isso em mente, basta dizer ao profissional que você deseja uma revisão completa. Alguns dos itens que a oficina deverá conferir são:

  • itens do motor, como nível de óleo, mangueiras e possíveis vazamentos;

  • peças dos freios e da suspensão, como discos, pastilhas e amortecedores;

  • indícios de acidentes na pintura, lataria e nos vidros;

  • desgastes nos pneus e nas rodas, indicando falta de alinhamento e balanceamento;

  • estado da bateria.

  • situação da direção.

Preço do seguro

Na hora de comprar um carro, a vontade é de concluir a negociação o quanto antes, não é? Por conta disso, muita gente esquece que o preço do seguro também faz parte, de certa forma, do real valor do carro. Afinal de contas, de nada adianta adquirir um veículo por um preço mais em conta se o seguro for extremamente caro, certo?

Sendo assim, antes de concluir qualquer transação, é importante pesquisar sobre a média de seguro para o automóvel que pretende comprar. Aliás, melhor ainda: faça uma cotação para saber exatamente quanto deverá investir nesse item. No fim das contas, esse pode até ser um critério de desempate para decidir qual automóvel você levará para casa.

Se você estiver vendendo, a lógica é a mesma: carros com seguros mais altos podem sofrer alguma desvalorização.

Documentação

Itens como IPVA e licenciamento pagos pesam bastante na avaliação de carros. O mesmo vale para quaisquer outros documentos. O Documento Único de Transferência (DUT), por exemplo, que é o recibo de compra e venda de um carro, não pode estar em aberto. Além disso, o documento deve estar no nome do proprietário. Se esses pontos não forem atendidos, o preço pode baixar bastante.

Outras questões a serem avaliadas em relação à documentação são:

  • observe se o carro tem multas de trânsito — se sim, veja se foram quitadas;

  • analise se há algum financiamento em aberto;

  • veja se o veículo está vistoriado;

  • pergunte se a chave reserva e o manual completo acompanham o carro.

Aliás, a documentação tem mais peso sobre o valor do carro do que batidas ou problemas mecânicos, sabia? Isso porque as questões estéticas ou estruturais costumam ser facilmente resolvidas, normalmente dentro de poucos dias. Já quando há um problema com a documentação, pode-se levar muito tempo até resolver a questão. Assim, a avaliação deverá ser mais baixa. Caso contrário, nada feito.

No geral, o ideal é evitar esse tipo de situação se você estiver comprando, já que essa é a maior causa de problemas judiciais entre clientes e lojistas. Pense bem: sem conseguir passar o carro para seu nome, ele nunca será legalmente seu.

Como vimos, além da tabela Fipe, itens como conservação do veículo, acessórios e quilometragem influenciam (e muito) no valor do carro. Para não ter problemas na compra do seu seminovo, procure uma empresa com tradição no mercado e garanta a sua tranquilidade!

Agora que você já sabe como avaliar a melhor opção na hora de adquirir um seminovo, aproveite para nos seguir nas redes sociais! Estamos no LinkedIn, YouTube, Instagram, Facebook, Twitter e Google+.

 

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