As vantagens e desvantagens de comprar uma carta contemplada

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Em princípio, a ideia de ingressar em um consórcio por meio da aquisição de uma carta contemplada pode parecer bastante atrativa para muitas pessoas. Afinal, além de possíveis vantagens na hora da negociação, não é necessário esperar até o sorteio nem dar lances para conquistar o bem desejado!

Porém, você já parou para pensar nas desvantagens e até mesmo nos riscos que esse negócio representa? Pode haver, por exemplo, cobrança de ágio, o que faz com que você gaste um valor muito mais alto para fechar o contrato. Por isso, é essencial ter alguns cuidados ao analisar essa possibilidade de negócio.

Se você nunca imaginou os possíveis riscos, continue lendo este post e entenda quais os cuidados ao comprar uma carta contemplada!

Antes de mais nada, o que é uma carta contemplada?

Uma carta contemplada nada mais é do que o documento que o consorciado recebe quando é sorteado ou dá um lance vencedor em seu grupo de consórcio. Também chamado de carta de crédito, é o que permite realizar a compra do bem ou a contratação do serviço desejado.

Comprar uma carta nessas condições equivale, portanto, a pagar para entrar em um consórcio já com o status de membro contemplado, o que permite a aquisição imediata do bem — que pode ser um carro novo, uma casa, uma viagem e até outros serviços, como procedimentos estéticos.

Na prática, é bem comum encontrar ofertas de cartas contempladas por aí. Isso pode acontecer pelos mais diversos motivos, desde o fato de a pessoa que comprou ter perdido o interesse pelo bem durante o plano até uma mudança em sua situação financeira que impeça a quitação das parcelas.

Cuidado com o ágio

No entanto, além da venda por desistência dos próprios consorciados, há também empresas que negociam cartas de crédito já contempladas, lucrando em cima do ágio.

Você não sabe o que é o ágio? Vamos explicar. Suponha que um consorciado pagou, por exemplo, 20 parcelas de R$1.000 até a contemplação e recebeu uma carta de crédito no valor de R$200.000. Ao resolver vender a sua carta contemplada, cobra um preço maior do que pagou.

Essa diferença é chamada de ágio. Assim, em nosso exemplo, como já há R$20.000 pagos, se a carta for vendida por R$25.000, o ágio será de R$5.000. Nesse caso, vale calcular se o valor extra compensa. Em alguns casos, pode ser apenas a correção monetária referente aos 20 meses. Logo, avalie com critério se o negócio é realmente interessante e justo.

Vale ressaltar que, além de pagar o valor pedido pelo vendedor, quem compra uma carta de crédito contemplada passa por uma análise de crédito, dando sequência ao pagamento das parcelas restantes. Então, é fundamental considerar isso no cálculo para determinar se a transação é realmente interessante.

Existem desvantagens nesse negócio?

Na verdade, nem tudo é vantagem na hora de comprar uma carta contemplada, pois existem diversos riscos e pontos negativos que devem ser avaliados com cautela antes de fechar esse negócio. Acompanhe para entender!

Mudança de titularidade

O primeiro possível risco diz respeito à titularidade do consórcio. Será que ela pode passar para o seu nome? É fundamental avaliar esse aspecto, uma vez que a decisão de aceitar a alteração do responsável pela cota é da administradora e não das partes envolvidas na transação. 

É obrigação da empresa avaliar o cadastro, a capacidade de pagamento e o perfil do novo membro antes da concessão do crédito. Assim, você também terá que passar por essa análise e ser aceito antes de fechar o negócio. 

Risco de golpes

Além disso, não é incomum ouvir relatos de golpes aplicados na venda de cotas contempladas. Acredite: há muita gente de má-fé que oferece documentos inválidos ou adulterados. Isso pode ocorrer em diversos casos:

  • quem teve a contemplação cancelada por falta de pagamento;
  • integrantes de um grupo que não existe mais;
  • pessoas sem contemplação verdadeira, mas uma cota comum;
  • uso de carta de crédito falsificada, sem nenhum valor.

Assim, é preciso tomar muito cuidado antes de fechar esse tipo de negócio, certificando-se de que o grupo existe de fato e de que a carta corresponde de fato ao que está sendo oferecido. Dessa forma, você evita entrar em um negócio ruim, levando gato por lebre.

Ágio cobrado pela contemplação

Além de todos os riscos que acabamos de citar, o ágio, que explicamos antes, pode pesar muito na hora da compra. Em geral, cobra-se cerca de 30% a mais do que o preço efetivamente pago. Por isso, é preciso colocar os valores na ponta do lápis para descobrir se a compra vale mesmo a pena.

Investimento melhor

É importante analisar o negócio com cautela. Adquirir uma carta contemplada em reta final de consórcio significa desembolsar um valor normalmente mais alto pelo crédito. Muitas vezes, vale mais a pena apostar em uma cota própria, oferecendo o montante que você já tem disponível como lance, para aumentar suas chances de ser contemplado.

Que cuidados tomar ao comprar uma carta contemplada?

Ao avaliar as possibilidades de cair em uma armadilha, é possível perceber que esse é um negócio que exige cautela, não é mesmo? Portanto, nada de ter pressa e agir no impulso, sem pensar nem pesquisar todos os detalhes da negociação. 

Para ajudar, listamos a seguir alguns cuidados que ajudam a reduzir as chances de problemas na compra de uma carta contemplada. Tome nota para não esquecer nenhum detalhe!

Calcule o ágio

Esse é o cuidado mais importante! Quando receber uma oferta muito tentadora, pare para calcular quanto pagará de ágio. 

Entenda: quanto maior for o número de parcelas já quitadas, mais isso vai pesar no seu bolso. Portanto, faça as contas! Será mesmo que entrar em um grupo novo não é mais prático e vantajoso? Se você tiver de 30% a 50% do valor do crédito, pode dar um lance vencedor, por exemplo (esta porcentagem não é garantia de contemplação)

Assim, talvez seja melhor investir na compra de uma cota própria e tentar ser contemplado dessa forma. Fazendo essa escolha, afinal, você economiza por não pagar ágio a nenhum vendedor.

Pesquise a administradora

Outro ponto fundamental é avaliar a administradora, pesquisando sua reputação e autorização para operar no mercado. Saiba que o Banco Central é quem regulamenta o setor e decide quais empresas podem ou não atuar no segmento de consórcios.

Avalie também o índice de reclamações que ela tem em redes sociais, sites especializados, no Procon (Programa de Proteção e Defesa do Consumidor) de sua cidade e em outros órgãos de defesa do consumidor. Se forem muitos registros, é preciso ter atenção, pois isso pode indicar que os consorciados têm problemas para receber seu crédito, por exemplo.

O ideal é aceitar cartas contempladas apenas de administradoras conhecidas e consolidadas no mercado, o que garante maior segurança ao seu investimento. 

Consulte o grupo e a contemplação

Mesmo que a administradora seja uma das melhores do mercado, conceituada e tradicional, você não sabe se o grupo realmente existe e se a cota de fato está ativa, não é mesmo? Por isso, peça informações ao vendedor e vá diretamente à empresa para saber se:

  • o contrato é original;
  • o grupo está ativo;
  • a cota está mesmo contemplada;
  • o crédito oferecido e o valor pago correspondem ao informado.

Feche o negócio somente na sede da administradora

Não pague nenhum valor (seja um sinal, seja o preço total) sem antes consultar a administradora. O ideal é se dirigir à sede local e não negociar diretamente com revendedores ou corretoras. 

Ao procurar a administradora, tenha a sua documentação em mãos, garantindo assim a aprovação do cadastro para a transferência da titularidade.

O que acontece depois que o consorciado é contemplado?

A maior parte das empresas trabalha com duas formas de contemplação, o sorteio e o lance. Quem recebe a contemplação por sorteio pode usar a carta de crédito imediatamente, sem precisar quitar antes as parcelas restantes. Para isso, no entanto, é preciso estar em dia com os pagamentos.

Já a oferta de lance se refere à antecipação de parcelas. Caso o lance seja contemplado, o consorciado pode tanto reduzir a quantidade de parcelas quanto diminuir o valor pago em cada uma delas, sempre de acordo com o que estiver estabelecido em seu contrato.

Qualquer que seja a modalidade de contemplação, o consorciado precisa passar por um processo para receber a carta de crédito:

  • é necessário apresentar garantias de que as demais parcelas serão quitadas. Afinal, não é raro que as pessoas sejam contempladas no início do consórcio. É dever das administradoras adotar procedimentos que garantam a segurança dos demais consorciados, para que todos atinjam os objetivos comuns;
  • é preciso apresentar documentos específicos de acordo com o bem que é objeto do consórcio, além de comprovantes de residência e de renda;
  • o consorciado deve fazer a homologação dos documentos, ou seja, no caso de veículos, informar a marca, ano e modelo. Veículos seminovos também exigem laudos de avaliação veicular e da vistoria pericial. Para imóveis, é preciso apresentar a documentação conforme o tipo (construído ou em construção), lembrando ser possível o uso do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS)

Vale lembrar que o consorciado não recebe dinheiro ao ser contemplado. O pagamento ao vendedor é negociado diretamente pela administradora do consórcio.

Comprar carta de consórcio contemplada é uma boa alternativa?

Ao avaliar todos os riscos e a perspectiva de pagar muito mais caro por uma carta contemplada, é possível perceber que, raramente, essa é uma boa ideia. 

A menos que a pessoa que esteja vendendo e a sua intenção seja somente não arcar com o restante da dívida, por dificuldades financeiras ou outras questões pessoais, podemos afirmar que o negócio não é vantajoso.

Nunca compre por impulso. É importante fazer os cálculos e ter certeza de que o negócio é vantajoso — lembrando que, na grande maioria dos casos, entrar em um novo consórcio garante maior segurança ao longo de todo o processo. Caso você disponha de um valor extra (que seria usado para a compra da carta), utilize-o em um lance.

Siga as nossas orientações e avalie com cautela se realmente a carta contemplada é uma boa opção. Lembre-se de que o ideal é colocar na balança os prós e contras antes de tomar qualquer decisão e, na dúvida, procure uma administradora de consórcios de confiança. É melhor iniciar sua própria cota, nas condições e nos valores que deseja.

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