Conheça alguns riscos da carta de consórcio contemplada

Julho 2017

10 minutos de leitura

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Seja a casa própria, um bom carro ou uma grande viagem, sempre temos um objetivo em mente para perseguir e sonhar em conquistar, não é mesmo? Para encurtar o caminho até essas metas, o mercado financeiro disponibiliza diversas alternativas de crédito para os mais variados perfis.

Aos interessados nessas opções, é fundamental fazer uma análise detalhada para se certificar de que se trata de um bom negócio. Partir para um financiamento, por exemplo, nem sempre é a opção mais atrativa devido às altas taxas de juros associados, o que pode representar riscos à sua saúde financeira. Nessas horas é que muitos voltam sua atenção para uma alternativa muito interessante: o consórcio.

Afinal de contas, além de as parcelas serem mais atrativas e de não haver cobrança de juros, o uso da carta de crédito dá grande flexibilidade e poder de compra a seu detentor. Mas é aí também que algumas pessoas podem correr certos riscos. Você já ouviu falar sobre a chamada carta de consórcio contemplada?

Apesar de ser muito comum se deparar com esse tipo de oferta por aí, são poucos os que conhecem bem os riscos que tal negócio pode representar. Pensando nisso, preparamos este post para ajudá-lo a entender com mais facilidade o que é a carta de consórcio contemplada e quais cuidados devem ser tomados em relação a esse tipo de negociação. Confira!

O que é uma carta de consórcio contemplada?

Quem participa de um consórcio recebe, no ato da contemplação, um documento financeiro chamado carta de crédito. É ela que permite a compra dos produtos ou a contratação dos serviços estabelecidos previamente no contrato de consórcio, como veículos e imóveis. Como o próprio nome sugere, uma carta de crédito contemplada é aquela que já está pronta para ser utilizada na compra do bem desejado.

Só lembrando que a contemplação pode acontecer de 2 maneiras: por meio de um sorteio realizado pela administradora ou pela oferta de um lance vencedor.

Ao longo do caminho, no entanto, muitas pessoas podem mudar de planos, preferindo reaver o dinheiro investido e transferir sua cota para outro interessado. Existem também aqueles que buscam fazer dessa prática um verdadeiro negócio, visando apenas o lucro com a revenda de cartas de crédito contempladas.

Como esse negócio funciona na prática?

Conhecer os passos dados até a comercialização de uma carta de crédito contemplada é a melhor maneira entender esse tipo de prática.

Imagine uma pessoa que tem uma cota de consórcio com parcelas de mil reais e, em determinado mês, oferece 10 mil reais como lance. Nessa situação, em que é oferecido um valor maior que o habitual, o participante aumenta suas chances de conseguir sua contemplação.

Caso essa pessoa opte por vender sua carta de crédito contemplada, o comprador deverá pagar o valor pedido pelo detentor da cota e assumir as parcelas restantes, de mil reais cada, até o final do contrato.

É nessa hora que percebemos a maior diferença entre aqueles que fazem esse negócio habitualmente e aqueles que apenas desistiram do consórcio. Os vendedores profissionais podem cobrar um valor bem maior que aquele que já foi pago pela carta, enquanto os demais buscam principalmente recuperar o dinheiro já investido para realizar algum outro objetivo.

Para quem compra uma carta de consórcio contemplada, a vantagem é que o acesso ao bem ou serviçodesejado pode ser imediato, sem a necessidade de esperar pelas assembleias para ser sorteado ou ofertar um bom lance. Em outras palavras: investindo em uma carta de consórcio contemplada, o comprador recebe o valor integral contratado. Para isso, porém, tem que cobrir o valor das parcelas que o vendedor já pagou.

Com tantas ofertas, muitas pessoas se veem tentadas a partir para essa opção. Afinal, com ela parece ser possível não pagar os juros dos financiamentos convencionais e já poder resolver a situação imediatamente, sem maiores problemas. No entanto, a prática mostra que não é bem assim. Entenda o porquê!

Que cuidados tomar ao pensar em comprar uma carta contemplada?

Por não ter as mesmas garantias de um negócio fechado diretamente com a administradora, o interessado nessa compra deve tomar alguns cuidados. Conheça agora os principais!

Verifique a origem da carta de crédito

Ainda que a venda da carta de consórcio contemplada seja prevista legalmente, é simplesmente impossível ter certeza, logo de cara, que o vendedor é confiável. Afinal, infelizmente existem pessoas que utilizam dessa atividade para aplicar golpes, causando grandes perdas financeiras às vítimas.

Além da má-fé, também existem casos em que os procedimentos necessários para essa negociação não são corretamente realizados, mesmo que por falta de conhecimento. Equívocos nesse processo também podem acabar resultando em prejuízos às partes — principalmente ao comprador.

É importantíssimo, assim, tomar alguns cuidados antes de fechar esse tipo de negócio. Para começar, verifique com a administradora se a carta realmente existe e se foi mesmo contemplada. Se o golpe estiver aí, você já descobre logo. 

Também pode acontecer de a carta até ser real, mas a contemplação não. Então você corre o risco de comprar e depois, mesmo que toda a transferência seja feita, ainda ter que esperar ou ser obrigado a dar lances para antecipar a contemplação. Nesse caso, é grande a chance de o comprador da carta se arrepender do negócio, já que precisará dar continuidade a um plano que não atende a suas necessidades.

Cheque a autorização da administradora

Outro ponto importante é conferir se a administradora é autorizada pelo Banco Central a emitir cartas de crédito. Afinal, existe uma chance mínima de o próprio vendedor ter caído em um golpe e nem saber! Nesse caso, ainda que sem consciência, acaba repassando o problema para o comprador.

Além disso, é preciso atentar para o contrato e suas cláusulas, que nem sempre são exatamente aquelas que ouvimos comentar. Fique de olho nas taxas administrativas e nas parcelas restantes do consórcio para não correr o risco de comprar achando que terá que arcar com um valor no mês e depois descobrir que o montante é totalmente diferente do que pensava. Sem condições de dar continuidade aos pagamentos, tudo pode se perder.

Confira o valor da carta e do bem

Esse pode parecer um detalhe óbvio, mas não custa ressaltar: é preciso ter certeza de que a carta de crédito tem valor igual (ou ao menos muito aproximado) do bem que você pretende comprar ou do serviço que quer contratar.

Vamos supor que você queira adquirir um apartamento de 200 mil reais, mas a carta de crédito oferecida é de 150 mil. Nesse caso, você será obrigado a completar o valor com recursos do próprio bolso, em uma tarefa que também possui empecilhos burocráticos.

Por outro lado, você também pode comprar uma carta mais valorizada que o bem pretendido. Em alguns casos, é possível usar o valor sobressalente para quitar outros custos do processo, como o pagamento da documentação ou até a quitação de parte do seguro. Mas todas essas possibilidades precisam estar descritas em contrato, ok?

Vale lembrar que algumas cartas de crédito são destinadas a compras específicas. Há consórcios realizados apenas para a aquisição de determinado modelo, marca ou ano de carro, por exemplo, sendo praticamente impossível a compra de outro bem. Por isso, verifique se você terá a possibilidade de escolha após a contemplação.

Por fim, lembramos que toda carta de crédito deve ser reajustada para acompanhar os valores do mercado. Então verifique se o índice usado pela empresa é atualizado de acordo com as flutuações reais do mercado, bem como se esse reajuste vai impactar as prestações restantes do consórcio — caso elas ainda existam.

Conheças as regras para utilização da carta

É importante lembrar que cada administradora pode impor condições próprias para o efetivo uso do crédito. Você precisa, então, conhecê-las para não correr riscos! Imagine se, depois de tudo, você não consegue executar o projeto que desejava ou se o bem adquirido precisa ficar sob garantia da administradora até tudo estar devidamente quitado. Nada ideal, não é mesmo?

Isso sem contar que se estiver prevista alguma restrição para a compra de bens com a carta de crédito (como imóveis com pendências em algum tipo de documentação), você pode não conseguir fazer o que queria. Outro sério risco (talvez o maior, inclusive) é o de transferir dinheiro para uma pessoa sem antes ter tudo resolvido. Alguma dúvida de que esse cenário pode resultar em um enorme prejuízo para você?

Por fim, mesmo que tudo seja checado, há sempre alguns riscos na tentativa. Nunca o processo será tão claro e visto com tranquilidade como quando se faz no início de um grupo de consórcio, bem assessorado por uma empresa competente. Nesse caso, você tem a garantia de estar tudo certo, feito por intermédio de uma instituição administradora confiável, que o assistirá em todas as etapas. Então o que fazer?

Após compreender esses fatores, fica fácil entender que esse modelo de compra de carta de consórcio não é indicado, uma vez que aumenta as chances de golpe e coloca o comprador em uma situação de vulnerabilidade. O ideal, portanto, é dar preferência a empresas especializadas, que podem oferecer garantias quanto à procedência do consórcio e às condições especificadas em contrato, ainda ajudando no caso de dúvidas.

O que acontece depois da contemplação?

Supondo que nada tenha acontecido de forma incorreta durante o processo, seja por erro do vendedor, da empresa de consórcio ou mesmo por um golpe, você receberá a carta com o crédito integral contratado. Mas o que é preciso fazer para fechar esse assunto de uma vez por todas?

Confirmação da contemplação

Depois da assembleia mensal do consórcio, a administradora informa quem foi sorteado ou quem teve o lance mais alto daquele mês, confirmando as contemplações. Quem adquire uma carta já contemplada cairá automaticamente nessa categoria. A partir de então, será preciso estar preparado para fazer a confirmação.

Se tudo tiver ocorrido bem na compra da carta contemplada, você vai precisar enviar os documentos cadastrais informados no contrato do consórcio, que servem para validar a liberação do crédito para a compra. Você também deve informar todos os dados do bem ou serviço e do vendedor de quem pretende adquiri-lo, a fim de que os próximos passos aconteçam normalmente, sem surpresas desagradáveis.

Avaliação de cadastro e riscos

Antes de liberar o crédito, a administradora vai avaliar sua condição financeira para garantir que a contemplação não criará nenhum risco para os demais membros do consórcio. É provável que esse estágio não gere nenhum tipo de problema, mas nem por isso deixa de ser necessário para a liberação do crédito e para garantir a segurança dos demais envolvidos.

Da mesma forma, a administradora analisará o bem ou o serviço que você deseja adquirir e, caso acredite ser necessário, pode oferecer uma contraproposta para sua aquisição. É possível que exista alguma empresa parceira oferecendo um preço mais acessível ou melhores condições de pagamento.

Aquisição do bem ou contratação do serviço

Com todos os pontos devidamente alinhados, chega a hora de fazer a compra. Nesse momento, é essencial que saiba: o crédito do consórcio nunca é enviado diretamente para nenhum de seus membros. Na prática, a administradora faz todo o processo financeiro de transferência de créditos só quando chega a etapa da compra.

Para que isso fique claro, você precisa entender bem a ideia de carta de crédito, documento liberado pela administradora no valor acordado no início do consórcio. Traduzindo: você não recebe o dinheiro vivo, mas uma autorização para quitar o bem ou contratar o serviço.

Esse tipo de processo é importante para garantir a segurança do consórcio e também para assegurar que o comprador tenha acesso mais rápido ao bem, sem cobranças extras de taxas por bancos ou outras instituições financeiras.

Como consorciado, você ainda pode negociar com o vendedor para conseguir algum desconto, já que a carta de crédito é considerada como uma forma de pagamento à vista. Se preferir, esse valor também pode ser usado para cobrir a documentação de um veículo, uma reforma no imóvel ou qualquer outra aquisição relacionada ao bem principal.

Quitação das demais dívidas

Por fim, tudo o que você precisa fazer para encerrar seu contrato é continuar arcando com as parcelas remanescentes do consórcio. Caso contrário, o novo titular da cota pode ter seu nome negativado e até mesmo se ver obrigado a devolver o bem adquirido por meio da carta de crédito.

Se você avaliou todo o processo com cuidado até agora, considerando tempo e valor das demais parcelas, então esse não deve ser um problema. Só não se esqueça de prezar sempre por um bom planejamento na hora de entrar em qualquer negociação que demande pagamentos de parcelas a médio e longo prazos.

Vale a pena comprar uma carta de crédito contemplada?

Como você deve ter percebido, comprar uma carta contemplada pode ser uma boa opção para determinadas necessidades e perfis, principalmente para aquelas pessoas que têm um montante disponível e não querem aguardar pela contemplação por sorteio. No entanto, como existem alguns riscos envolvidos, os cuidados que conhecemos ao longo deste post são indispensáveis.

De maneira resumida, é preciso encontrar um bom vendedor e uma administradora confiável, que aceite esse tipo de negociação, além de ter a autorização chancelada pelo Banco Central para operar planos de consórcio.

Nesse cenário, mesmo que os passos preventivos tenham sido dados corretamente, ainda é preciso passar por uma série de etapas burocráticas, que demandam atenção especial tanto do comprador quanto do vendedor. Portanto, mesmo que a oferta pareça tentadora, a compra de carta de crédito contemplada deve ser uma exceção.

Além do mais, uma das características mais atrativas do consórcio é seu valor mais em conta se comparado a outras modalidades de compra, não é mesmo? Quem compra uma carta já contemplada sem dúvida terá que pagar por ela um valor maior que o primeiro cotista desembolsou até o momento da venda. Isso faz com que o comprador praticamente abra mão dessa grande vantagem de participar de um consórcio.

Se você quer contar com todos os benefícios que o consórcio oferece, como sua praticidade, ausência de juros e burocracia mínima, o melhor negócio é adquirir uma cota no início, em seu próprio nome. O dinheiro que seria usado para a compra da carta de crédito contemplada pode ser ofertado como lance, antecipando a contemplação. Assim, você adianta algumas parcelas e tem a carta de crédito disponível para uso rapidamente. Não parece uma ótima ideia?

O lance pode ser feito com recursos próprios ou até usando parte da própria carta de crédito. Se você não for contemplado em um lance, pode usar o recurso acumulado para fazer uma nova proposta na próxima assembleia. Lembrando que, na Rodobens, o lance pode ser feito pela internet, de qualquer dispositivo, até poucos minutos antes do anúncio dos contemplados. O processo é simples, rápido e 100% seguro!

A essa altura, é provável que você esteja considerando que a compra de uma carta de crédito contemplada pode não ser um negócio tão bom assim, correto? Então, para que você decida de uma vez por todas pela aquisição de uma cota própria, aproveite para tirar suas dúvidas sobre o funcionamento da contemplação em um consórcio!

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