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    Seja a casa própria ou um bom carro, conquistar um bem é o objetivo de muitas pessoas. Morar perto do trabalho, por exemplo, para ter uma qualidade de vida maior, é uma preocupação de quem está procurando formas de adquirir seu imóvel. Nesse esforço, partir para um financiamento nem sempre é a opção mais atrativa devido aos altos juros que pode representar.

    Nessas horas é que muitos voltam sua atenção para uma alternativa que tende a ser muito interessante: o consórcio. Mas é aí também que algumas pessoas podem correr certos riscos. Estamos falando da chamada carta de consórcio contemplada. Preparamos este post para ajudá-lo a entender com mais facilidade o que é isso e quais cuidados deve tomar em relação à venda de consórcio contemplado. Confira!

    O que é uma carta de crédito contemplada?

    Como o próprio nome já sugere, é uma carta de crédito que já foi contemplada, seja por sorteio ou por lance. Com ela, o consorciado tem o direito de receber o valor escolhido em contrato para investir na compra do bem ou na contratação do serviço desejado.

    Existem basicamente 2 possibilidades de uma carta que está sendo paga ser contemplada: com um sorteio aleatório ou com um lance vencedor.

    Imagine que a parcela do consórcio é de mil reais e, em determinado mês, foram dados 10 mil. Nesse lance, com a apresentação de um valor maior que o habitual, o participante pode conseguir sua contemplação! Mas e se o consorciado que ganha o direito de usar o crédito desiste de dar andamento ao projeto ou quer ter o dinheiro em mãos rapidamente?

    Nesses casos, muitos contemplados optam por colocar a carta à venda. Assim, outra pessoa faz o devido ressarcimento e continua pagando as parcelas, mas já podendo comprar o bem desejado ou usufruir do serviço sem precisar esperar a contemplação.

    Em outras palavras: investindo em uma carta de consórcio contemplada, o comprador recebe o valor integral contratado. Para isso, tem que cobrir o valor das parcelas que o vendedor já pagou, além de arcar com as mensalidades ainda a vencer.

    Se a contemplação aconteceu quando 10 mil reais já haviam sido pagos, o comprador da carta poderá receber o total determinado no consórcio depois de pagar esses mesmos 10 mil reais e se comprometer com a quitação das demais parcelas.

    Muitas pessoas se veem tentadas a partir para essa opção. Afinal, com ela parece ser possível não pagar os juros de financiamentos convencionais na compra de um bem e já poder resolver a situação imediatamente, sem maiores problemas. No entanto, a prática mostra que não é bem assim. Veja adiante o porquê!

    Que cuidados tomar antes de comprar uma carta?

    Confiabilidade quanto à origem

    Ainda que a venda da carta de consórcio contemplada seja prevista legalmente, é simplesmente impossível ter certeza, logo de cara, que o vendedor é confiável ou que está fazendo tudo da maneira certa para não haverem equívocos no processo, causando prejuízo a uma das partes — mais provavelmente ao comprador. Verificar certos indícios de que a transação pode ser um golpe é, portanto, vital.

    É importantíssimo, assim, tomar alguns cuidados. Para começar, verifique com a administradora se a carta realmente existe e se foi mesmo contemplada. Se o golpe estiver aí, você já descobre logo. No melhor dos casos, a carta até é real, mas a contemplação não. Então você corre o risco de comprar e depois, mesmo que toda a transferência seja feita, ainda ter que esperar ou ser obrigado a dar lances para antecipar a contemplação.

    Autorização para ser comercializada

    Outro ponto importante é conferir se a administradora é autorizada pelo Banco Central a emitir cartas de crédito. Afinal, existe uma chance mínima de o próprio vendedor ter caído em um golpe e nem saber! Nesse caso, ainda que sem consciência, acaba repassando o problema para o comprador.

    Além disso, é preciso atentar para o contrato e suas cláusulas, que nem sempre são exatamente aquelas que ouvimos comentar. Fique de olho nas taxas administrativas e nas parcelas restantes do consórcio para não correr o risco de comprar achando que terá que arcar com um valor no mês e depois descobrir que o montante é totalmente diferente do que pensava. E se você não tiver condições de dar continuidade aos pagamentos? Aí pode colocar tudo a perder.

    Valor da carta e do bem

    Esse pode parecer um detalhe óbvio, mas não custa ressaltar: é preciso ter certeza de que a carta de crédito tem valor igual (ou ao menos muito aproximado) do bem que você pretende comprar ou do serviço que quer contratar.

    Vamos supor que você queira adquirir um apartamento de 200 mil reais, mas a carta de crédito oferecida é de 150 mil. Nesse caso, você será obrigado a completar o valor com recursos do próprio bolso, em uma tarefa que também possui empecilhos burocráticos.

    Por outro lado, você também pode comprar uma carta mais valorizada que o bem pretendido. Em alguns casos, é possível usar o valor sobressalente para quitar outros custos do processo, como o pagamento da documentação ou até a quitação de parte do seguro. Mas todas essas possibilidades precisam estar descritas em contrato, ok?

    Vale lembrar que algumas cartas de crédito são destinadas a compras específicas. Há consórcios realizados apenas para a aquisição compra de determinado modelo, marca ou ano de carro, por exemplo, sendo praticamente impossível a compra de outro bem. Por isso, verifique se você terá a possibilidade de escolha após a contemplação.

    Por fim, lembramos que toda carta de crédito deve ser reajustada para acompanhar os valores do mercado. Então verifique se o índice usado pela empresa é atualizado de acordo com as flutuações reais do mercado, bem como se esse reajuste vai impactar as prestações restantes do consórcio — caso elas ainda existam.

    Regras para utilização da carta

    É importante lembrar que cada administradora pode impor algumas condições para o efetivo uso do crédito. Obviamente, portanto, você precisa conhecê-las para não correr riscos. Imagine se, depois de tudo, você não consegue executar o projeto que queria ou se o bem adquirido precisa ficar sob garantia da administradora até tudo estar devidamente quitado! Nada ideal, não é mesmo?

    Isso sem contar que, se alguma restrição para a compra de bens com a carta de crédito estiver prevista (como imóveis com pendências em algum tipo de documentação), você pode não conseguir fazer o que queria. Outro sério risco (talvez o maior, inclusive) é o de transferir dinheiro para uma pessoa sem antes ter tudo resolvido. Alguma dúvida de que esse cenário pode resultar em um enorme prejuízo para você?

    Por fim, mesmo que tudo seja checado, há sempre alguns riscos na tentativa. Nunca o processo será tão claro e visto com tranquilidade como quando se faz no início de um grupo de consórcio, bem assessorado por uma empresa competente. Nesse caso, você tem a garantia de estar tudo certo, feito por intermédio de uma instituição administradora confiável, que o assistirá em todas as etapas. O que fazer então?

    Após compreender esses fatores, note que esse tipo de modelo de compra de carta de consórcio não é indicado, pois aumenta as chances de golpe e coloca o comprador em uma situação de vulnerabilidade. O ideal, portanto, é dar preferência a empresas especializadas, que podem oferecer garantias quanto à procedência do consórcio e às condições especificadas em contrato, ainda ajudando no caso de quaisquer dúvidas.

    O que acontece depois da contemplação?

    Supondo que nada tenha acontecido de forma incorreta durante o processo, seja por erro do vendedor, da empresa de consórcio ou mesmo por um golpe, você receberá a carta com o crédito integral contratado. Mas o que é preciso fazer para fechar esse assunto de uma vez por todas?

    Confirmação da contemplação

    Depois da assembleia mensal do consórcio, a administradora informa quem foi sorteado ou quem teve o lance mais alto daquele mês, confirmando as contemplações. Considerando que você adquiriu uma carta já contemplada, cairá automaticamente nessa categoria. Então é melhor estar preparado para fazer a confirmação!

    Pressupondo que tudo correu bem na compra da carta, você precisa enviar os documentos cadastrais informados no contrato do consórcio, que servem para validar a liberação do crédito para sua compra. Você também deve informar todos os dados do bem ou serviço e do vendedor de quem pretende adquiri-lo, a fim de que os próximos passos aconteçam normalmente, sem surpresas desagradáveis.

    Avaliação de cadastro e riscos

    Antes de liberar o crédito, a administradora vai avaliar sua condição financeira para garantir que a contemplação não criará nenhum risco para os demais membros do consórcio. É provável que esse estágio não gere nenhum tipo de problema, mas nem por isso deixa de ser necessário para a liberação do crédito e para garantir a segurança dos outros envolvidos.

    Da mesma forma, a administradora analisará o bem ou o serviço que você deseja adquirir e, caso acredite ser necessário, pode oferecer uma contraproposta para sua aquisição. É possível que exista haja alguma empresa parceira oferecendo um preço mais acessível ou melhores condições de pagamento.

    Aquisição do bem ou contratação do serviço

    Com todos os pontos devidamente alinhados, chega a hora de fazer a compra. Nesse momento, é essencial que saiba: o crédito do consórcio nunca é enviado diretamente para nenhum de seus membros. Na prática, a administradora faz todo o processo financeiro de transferência de créditos só quando chega a etapa da compra.

    Para que isso fique claro, você precisa entender bem a ideia de carta de crédito, documento liberado pela administradora no valor acordado no início do consórcio. Traduzindo: você não recebe o dinheiro vivo, mas uma autorização para quitar o bem ou contratar o serviço.

    Esse tipo de processo é importante para garantir a segurança do consórcio e também para assegurar que o comprador tenha acesso mais rápido ao bem, sem cobranças extras de taxas por bancos ou outras instituições financeiras.

    Como consorciado, você ainda pode negociar com o vendedor para conseguir algum desconto por um pagamento à vista, por exemplo. E esse valor também pode ser usado para cobrir a documentação de um veículo, um imóvel ou qualquer outra aquisição.

    Quitação das demais dívidas

    Por fim, tudo o que você precisa fazer para encerrar seu contrato é continuar arcando com as parcelas remanescentes do consórcio, de forma a evitar que seu nome fique manchado ou que tenha problemas com o bem adquirido.

    Se você avaliou todo o processo com cuidado até agora, considerando tempo e valor das demais parcelas, então esse não deve ser um problema. Só não se esqueça de prezar sempre por um bom planejamento na hora de entrar em qualquer negociação que demande pagamentos de parcelas em médio e longo prazos.

    Vale a pena comprar uma carta de crédito contemplada?

    Como você deve ter percebido, comprar uma carta contemplada totalmente livre de riscos é uma tarefa quase impossível. Afinal, é preciso encontrar um bom vendedor e uma administradora confiável, que aceite esse tipo de negociação, além de ter a autorização chancelada pelo Banco Central.

    Nesse cenário, mesmo que os passos preventivos tenham sido dados corretamente, ainda é preciso passar por uma série de barreiras burocráticas que envolvem tanto o nome do comprador quanto o do vendedor. Portanto, mesmo que a oferta pareça tentadora, a compra de carta de crédito contemplada deve ser uma exceção.

    Caso você entenda que é uma boa ideia entrar em um consórcio, graças à sua praticidade, à ausência de juros e à burocracia mínima, mas quer receber seu bem o quanto antes, vale apostar nos lances! Trata-se basicamente de adiantar algumas parcelas do consórcio para aumentar suas chances de contemplação. Não parece uma ótima ideia?

    O lance pode ser feito com recursos próprios ou até usando parte da própria carta de crédito. Se você não for contemplado em um lance, pode usar o recurso acumulado para fazer uma nova proposta na próxima assembleia. Lembrando que, na Rodobens, o lance pode ser feito pela internet, de qualquer dispositivo, até poucos minutos antes do anúncio dos contemplados. O processo é simples, rápido e 100% seguro!

    Agora que você entendeu direitinho quais são os riscos envolvidos na compra de uma carta de consórcio contemplada, aproveite para tirar suas dúvidas sobre o funcionamento da contemplação!

     

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