O consórcio é uma modalidade de aquisição de bens ideal para empresas que desejam planejar a compra de um ativo com valores mais acessíveis e sem se comprometer com empréstimos e juros de financiamentos tradicionais. No entanto, é natural que surja a seguinte dúvida: como fazer a contabilização de consórcio, ou seja, realizar os lançamentos contábeis dos aportes antes e após a contemplação?

    Este post mostrará de modo simples como fazer isso com maior tranquilidade, a fim de manter os registros claros e em conformidade com as melhores práticas do setor. Acompanhe!

    O que é contabilização de consórcio?

    consórcio é a reunião de um grupo que deseja, de forma programada e planejada, adquirir um bem. Esse sistema é organizado por uma empresa administradora. Quando se trata de uma pessoa jurídica, é importante que as parcelas pagas sejam registradas nos documentos contábeis de forma apropriada. Isso é a contabilização de consórcio.

    As grandes dúvidas dos consorciados surgem em virtude de ser um pagamento de um bem que ainda não foi adquirido. Ou seja, é como se fossem parcelas adiantadas, no entanto, a compra será realizada somente após a contemplação, o adiantamento de cotas ou no fim do consórcio.

    Caso o usuário seja contemplado, ele ganha uma carta de crédito para a compra do bem à vista. Ele precisa, porém, continuar pagando as parcelas até o fim do consórcio. Aqui pode entrar outra dúvida: como lançar o pagamento de parcelas de um bem que foi comprado à vista? Vejamos, então, como fazer a contabilização nessas diferentes situações.

    Quais tipos de contabilização existem?

    Os procedimentos de lançamento serão diferentes em pelo menos duas situações:

    • fase em que a empresa paga as parcelas sem ainda ter recebido o bem;

    • após o recebimento do bem — seja pela contemplação por sorteio, seja pela antecipação de cotas —, mas é necessário que a empresa continue contribuindo com os aportes até o fim do consórcio.

    Como é feita a contabilização?

    Primeira fase

    Os pagamentos das parcelas antes do recebimento do bem são vistos como adiantamento a fornecedores em conta do Ativo Imobilizado, que pode ser registrado no circulante ou realizável a longo prazo da seguinte forma:

    • D — Adiantamentos de Consórcio (Imobilizado);

    • C — Bancos cta. Movimento (Ativo Circulante).

    Por ocasião da aquisição do bem

    Com a carta de crédito em mãos, o consorciado fará a compra do bem. Esse registro é feito em uma conta específica e definitiva do Ativo Permanente. Leva-se em consideração o valor que consta na nota em conta do passivo circulante e não circulante, se for aplicável. Também deverão ser realizados ajustes em virtude:

    • do total de parcelas já pagas (o que inclui o lance, se foi o caso), dando-se baixa na conta transitória usada anteriormente e transferindo para a conta definitiva;

    • do total de parcelas que ainda serão pagas, multiplicando-se o total de mensalidades restantes e registrando-o.

    Situação prática

    Digamos que a empresa participe de um consórcio para a aquisição de um veículo e foi contemplada, nas seguintes condições:

    • valor de veículo adquirido mediante consórcio: R$ 40.000,00;

    • cotas já pagas: 10 parcelas, totalizando R$ 15.000,00;

    • saldo devedor: 20 × R$ 1.500,00 = R$ 30.000,00.

    Antes da contemplação

    Supondo que o valor da cota é R$ 1.500,00, o lançamento deve ficar assim:

    • D — Adiantamentos de Consórcio (Imobilizado) R$ 1.200,00

    • C — Bancos / conta com Ativo Circulante R$ 1.200,00

    Na ocasião da contemplação do bem

    O valor do veículo é R$ 40.000,00, e o seu consórcio foi feito em 40 prestações de R$ 1.200,00. Foram cumpridas 15 parcelas (R$ 18.000) e ainda faltam 25 (R$ 30.000). Assim, o valor total do consórcio do carrosoma R$ 48.000,00. Podemos contabilizar da seguinte forma:

    • D — Veículos (Ativo Imobilizado): R$ 40.000,00;

    • D — Variações monetárias passivas (Conta de resultado — despesa financeira): R$ 8.000,00;

    • C — Adiantamentos de Consórcio (Imobilizado): R$ 18.000,00;

    • C — Consórcios a pagar (Passivo Circulante): R$ 14.400,00 — considerando 12 meses;

    • C — Consórcios a pagar (Passivo Não Circulante): R$ 15.600,00.

    Ao longo da quitação do restante das parcelas, ainda haverá reajustes, que deverão ser contabilizados no resultado. Se as parcelas passassem para R$ 1.300,00, com as 25 faltantes, seriam R$ 2.500,00 de diferença na correção. Poderia ser contabilizado assim:

    • D — Variações monetárias passivas (Resultado - Despesas): R$ 2.500,00;

    • C — Consórcios a pagar (Passivo Circulante e Não Circulante): R$ 2.500,00.

    Já a contabilização dos pagamentos das parcelas depois da revisão levaria em conta o novo valor:

    • D — Consórcios a pagar (Passivo Circulante): R$ 1.300,00;

    • C — Bancos c/ movimento (Ativo Circulante): R$ 1.300,00.

    O que fazer em casos diferenciados?

    Na transferência de um consórcio já ativo

    Pode ocorrer uma situação de a empresa entrar em um consórcio, pagar certo número de parcelas e depois desistir do projeto, vendendo sua cota. Nesse caso, a contabilização fica assim:

    • D — Banco ou caixa: registre o valor total recebido;

    • C — Adiantamento de consórcios: registre o valor já pago;

    • D/C — Ganho ou perda na operação de transferência de consórcio: registre o valor da diferença no resultado.

    Na compra de um bem maior ou menor que a carta de crédito

    O valor da carta de crédito leva em conta um preço específico do bem desejado. No entanto, no ato da compra, esse valor pode ser diferente, quer o consorciado deseje um item com mais recursos, quer ele tenha conseguido fechar um negócio mais vantajoso. Como registrar isso? Neste caso, haverá uma diferença que deverá ser contabilizada da seguinte forma:

    • D — Bem consorciado (conta de ativo ou despesa): registre o valor total apresentado na nota de faturamento do bem;

    • C — Consórcio a pagar: registre o valor da carta de crédito recebida na contemplação, se for menor;

    • C — Banco ou caixa: registre o valor que excedeu à carta de crédito, se for o caso.

    Como você viu, a contabilização de consórcio deve levar em conta cada especificidade, para que os registros sejam exatos e claros. Trata-se de um lançamento contábil um pouco diferente de uma aquisição convencional, mas estrategicamente é uma ótima alternativa para investir no crescimento do negócio.

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