Controle financeiro pessoal: como se organizar em momentos de crise?

Junho 2020

11 minutos de leitura

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Crises financeiras são cíclicas. De tempos em tempos, problemas atingem a economia, trazendo uma série de consequências desagradáveis sentidas por todos nós, em maior ou menor grau. Com esses problemas econômicos, cresce o desemprego, a renda diminui, e o controle financeiro pessoal torna-se bem mais difícil.

Por isso, é essencial saber o que fazer para organizar as finanças nesses momentos de maior dificuldade. Tal atitude permite minimizar os efeitos negativos dos períodos mais turbulentos, bem como ajudar cada um de nós a permanecermos em situações um pouco mais confortáveis para quando a situação melhorar.

Quer saber o que fazer para lidar da melhor forma possível com isso? Então, acompanhe o guia completo de organização financeira que preparamos neste post. Boa leitura.

Por que ter mais atenção à vida financeira durante a crise?

A organização financeira é essencial em qualquer momento da vida, não importando se a situação da economia como um todo esteja boa ou ruim. Esse cuidado ajuda a evitar problemas mais graves e permite aproveitar melhor o dinheiro que você ganha quando os ventos econômicos estiverem a favor.

De todo modo, a seguir, apresentamos alguns argumentos que reforçam a necessidade de aumentar a atenção à vida financeira durante períodos de crise.

Minimizar impactos

Dependendo do tamanho da crise, é difícil escapar dos seus impactos. De todo modo, manter e reforçar estratégias de organização financeira pode ajudar a minimizá-los durante o período em que a situação difícil se mantiver.

Pense, por exemplo, em alguém que perdeu o emprego. Se essa pessoa conseguiu formar uma reserva de emergência graças ao seu planejamento financeiro, ela poderá recorrer a esse dinheiro para obter um alívio momentâneo até se colocar de novo no mercado e garantir uma nova fonte de renda.

Se houver necessidades de cortar gastos, o aperto nas contas poderá ser menor, o que reduz a realização de mudanças drásticas no padrão de vida de uma hora para outra, o que é sempre mais difícil.

Garantir mais tranquilidade

Com um bom planejamento financeiro, os momentos de crise tendem a ser contornados com mais tranquilidade, uma vez que fica mais simples garantir o pagamento das condições básicas de vida (como moradia, alimentação e saúde) mesmo apertando as coisas.

Essa garantia mínima ajuda também a diminuir as incertezas, as angústias e o clima de instabilidade trazidos pelas crises. Elas geralmente aparecem sem avisar, e é normal que suas consequências gerem ansiedade. Todavia, dentro do possível, essa ajuda mostra-se fundamental para atravessar os momentos mais difíceis, sempre vislumbrando o pós-crise, que, felizmente, uma hora chega.

Evitar novas dívidas

Pensando nesse pós-crise, é importante chegar nele sem dívidas ou, ao menos, com os novos débitos equacionados. É normal que, na hora do aperto, as pessoas recorram a linhas de crédito com juros altíssimos, ou ainda vejam sua vida financeira se desorganizar por conta da perda da sua fonte de renda.

Se o volume de dívidas for muito grande, seu salário pode ficar comprometido antes mesmo de chegar ao seu bolso. Esse é o primeiro passo para o famoso efeito bola de neve: as contas deixam de ser pagas, os juros acumulam, e o volume de débitos em atraso só cresce, tornando cada vez mais difícil resolver a situação.

Isso não significa que não vá ser necessário recorrer a créditos de emergência, mas um controle financeiro ajuda a reduzir tal possibilidade em circunstâncias de crise, o que minimiza a chance de contrair novas dívidas.

O que fazer com as dívidas?

O ideal é atravessar sem dívidas momentos de crise e não fazer novas ao longo da travessia. Contudo, sabemos como é complicado ficar longe delas, por mais controlado que esteja seu orçamento.

De acordo com dados de dezembro de 2019 da Confederação Nacional de Bens e Serviços (CNC), mais de 65% das famílias brasileiras tinham dívidas com cartão de crédito, cheque especial, carnê de lojas e prestações de financiamentos. Pouco mais de 24% estão inadimplentes (ou seja, têm débitos em atraso).

Por isso, é importante saber como lidar com os débitos, justamente para evitar suas consequências mais desagradáveis, como a restrição ao crédito devido à inclusão do nome nos serviços de proteção ao crédito, entre outras desvantagens dessa condição.

Abaixo, listamos as principais alternativas e o que priorizar na hora de manejar suas dívidas, inclusive em momentos de crise.

Saiba o quanto você deve

Não é possível encarar qualquer problema sem conhecer sua dimensão exata. Por isso, a primeira atitude é sentar e listar todas as suas dívidas. Organize-as por valor, data de vencimento e juros cobrados.

Aqui cabe uma explicação: nem toda dívida é ruim. Quem, por exemplo, endividou-se para financiar uma casa e fez isso de forma planejada pode ter feito um bom negócio. Embora sejam cobrados juros nessa operação, ao final do pagamento das parcelas, o imóvel passará a fazer parte do seu patrimônio.

Do mesmo modo, nem sempre uma pessoa endividada é inadimplente. Alguém pode ter assumido uma série de compromissos financeiros, mas, enquanto eles estiverem em dia, ela não será considerada inadimplente. Isso acontece apenas quando as contas atrasarem. Porém, tudo isso não significa que a preocupação com o controle das dívidas deva ser menor, certo?

Renegocie

Com as dívidas listadas, avalie aquelas em atraso e cogite renegociar esses valores. Essa é uma alternativa que pode oferecer um bom alívio para o seu orçamento, preservar o seu nome limpo e evitar a bola de neve das contas em atraso.

Na maior parte dos casos, os próprios credores estimulam essa busca pela negociação, já que é uma forma de eles também receberem e não ficarem no prejuízo. Em algumas condições, é possível até mesmo obter descontos em juros e em multas por atraso.

Todavia, é preciso ter uma estratégia definida para obter sucesso na renegociação e não apenas transformá-la em um novo problema para o seu bolso. O primeiro passo é estabelecer um teto de quanto você pode usar por mês para o pagamento dos acordos de renegociação.

Nunca assuma um acordo maior que sua capacidade de pagamento. Além de não resolver seu problema, uma vez que a dívida continuará lá, isso compromete sua credibilidade junto ao credor, que pode se recusar a renegociar com você novamente.

Seja transparente e explique com clareza quanto você dispõe para resolver a questão. Nessa conta, considere suas demais obrigações mensais ou mesmo eventuais imprevistos. Nunca comprometa a maior parte da sua renda com o pagamento da dívida.

Ao receber uma proposta de negociação, considere o prazo de pagamento, os descontos oferecidos e se há possibilidade de melhorar essas condições. Após regularizar a situação e pagar a dívida, não se esqueça de conferir se o seu nome foi retirado do serviço de proteção ao crédito e de manter os comprovantes de quitação guardados. De todo modo, nunca decida por impulso e solicite que tudo seja documentado por escrito.

Quite

Uma alternativa para quitar de uma vez todas as dívidas e reorganizar as contas envolve um processo conhecido como consolidação. O nome não ajuda muito, mas é simples entender esse mecanismo: o devedor contrata uma linha de crédito com juros menores que aqueles cobrados nos débitos, paga todas as dívidas em atraso e assume a responsabilidade apenas pelo pagamento da parcela do empréstimo.

Um exemplo de como isso funciona torna o mecanismo mais claro. Imagine que você está devendo R$ 1.500 no cartão de crédito e R$ 1.000 no cheque especial, com juros de 9% ao mês. Em pouco tempo, esse volume crescerá bastante, e nem é preciso fazer as contas para saber disso.

Agora considere que você tem a possibilidade de contratar um empréstimo de R$ 2.500 com juros de 4% ao mês e prazo de pagamento de 12 meses. Calculando a diferença dos juros, fica fácil perceber que o pagamento do empréstimo sai mais em conta.

Além disso, com o valor integral em mãos, é possível negociar descontos bem mais significativos, graças à possibilidade de quitar à vista o débito.

No entanto, vale a mesma regra mencionada na hora de negociar as dívidas: veja se o pagamento do empréstimo caberá no seu orçamento. Caso contrário, haverá apenas uma transferência de problema. Não se esqueça também de calcular com cuidado todas as operações, para ter certeza de fazer um bom negócio.

Priorize

Se nem negociar ou quitar as dívidas no momento parece uma saída viável, adote a estratégia da priorização das contas. O critério usado para isso deve priorizar aquelas com juros maiores, que podem se transformar em problemas sérios mais rápido, e os débitos dos serviços essenciais, sem os quais não é possível ter o mínimo de conforto e estão sujeitos a corte.

O ideal é não seguir essa forma de lidar com as contas por muito tempo. Logo, assim que tiver um alívio no orçamento, procure equacionar tudo o que ficou para trás no período, seja quitando tudo à vista, seja buscando uma renegociação.

Quais mudanças são necessárias?

Durante o período de crise, a principal mudança envolve readequar seu padrão de consumo à nova realidade, ainda que ela seja temporária. Ou seja, é necessário esforçar-se para eliminar despesas, principalmente aquelas supérfluas.

Embora seja dolorido, repensar ou mesmo adiar algumas decisões de consumo nesse momento pode garantir um fôlego importante para atravessar o período. Então, confira alguns passos essenciais para fazer isso com sucesso.

Entenda a situação do seu orçamento

Do mesmo modo que, para lidar com as dívidas, é necessário sentar e fazer as contas a fim de entender a dimensão do problema, na hora de eliminar despesas, é preciso avaliar como anda a situação.

A melhor forma de fazer isso é anotando todos os gastos realizados ao longo do mês, de forma detalhada. Isso significa não excluir as despesas menores, ainda que elas pareçam insignificantes. Esses pequenos valores, quando somados às demais despesas, podem representar um impacto bem grande.

Paralelamente, anote todas as suas receitas, o que inclui os salários recebidos ou outras fontes, sejam elas fixas ou não. Com isso, torna-se possível estimar qual é a diferença entre seus ganhos e seus gastos.

O ideal é que seus ganhos sejam sempre superiores aos seus gastos pessoais. Com isso, evitam-se dívidas, o que ajuda muito em momentos de aperto, como mencionamos mais cedo. Entretanto, se a soma das despesas estiver superando as receitas, é preciso agir quanto antes para contornar esse problema.

Defina prioridades

Esse corte de despesas envolve definir prioridades. Por isso, antes de tudo, divida os seus gastos em dois grupos: aqueles fixos e os variáveis.

As despesas fixas são as que estão presentes todo mês e que não variam (ou cuja variação é muito pequena). Entre as principais desse tipo, estão os gastos com moradia, contas de água, luz e gás, impostos e gastos com saúde, educação e transporte, por exemplo. Além de serem fixas, essas despesas são mais difíceis de serem reduzidas, embora isso não seja impossível.

Já as despesas variáveis são aquelas cujo valor muda mês a mês. Em muitos casos, elas nem sequer aparecem. Como exemplo de gastos que podem ser classificados como variáveis são as compras no supermercado, as refeições fora de casa, as compras de vestuário e os gastos com lazer, entre outros.

Esse tipo de despesa não só muda de valor mês a mês como também é mais fácil de ser reduzido. Trocar as refeições fora de casa por cozinhar já surte um efeito significativo, por exemplo.

Onde não for possível cortar, considere quais alternativas de redução são viáveis de acordo com suas necessidades. No tópico a seguir, damos algumas dicas de como fazer isso.

Corte os excessos

O aperto no bolso exige cortes de gastos, que muitas vezes podem ser difíceis de ser feitos. Mas algumas estratégias ajudam a encontrar focos que ajudam nessa tarefa de tornar as despesas compatíveis aos períodos de crise.

Avalie a necessidade da aquisição no curto prazo de novas peças de vestuário, evite comer fora, incluindo nisso saídas a bares e a casas noturnas, e reavalie seu plano de celular, internet e TV a cabo.

É bem comum contratar planos cujos recursos oferecidos não são utilizados por completo. O exemplo clássico é a TV por assinatura com uma centena de canais, dos quais é possível contar nos dedos aos quais efetivamente assistimos.

Outra forma de direcionar o corte dos excessos em seus gastos é avaliando quanto da sua renda foi comprometida por causa do cenário econômico ruim. É comum que fontes preciosas de ganhos sejam perdidas em crises; então, avalie o tamanho da perda para readequar o orçamento. Os números a seguir funcionam como um norte para a sua análise.

Níveis de renda comprometida

Quem teve comprometida até 25% da sua renda deve focar o corte de supérfluos, como refeições foras de casa, produtos de marcas mais caras ou serviços quaisquer que não estejam sendo utilizados. Normalmente, essas mudanças são suficientes para garantir um bom alívio no bolso.

Para quem teve perdas entre 25% e 50%, as ações precisam ser mais drásticas. Avalie a possibilidade de conseguir desconto no aluguel ou a suspensão das parcelas do financiamento do imóvel, se houver. Negocie também outros tipos de cobranças recorrentes, como escolas, academias e cursos. Aperte os cintos com as despesas do supermercado, dentro do possível.

Agora, se o corte for superior a 50%, é hora de ligar o sinal de alerta máximo. Procure credores para tentar adiar o pagamento de todos os débitos e busque novas fontes de renda para substituir as que foram perdidas (damos algumas dicas sobre isso mais abaixo).

O que não fazer nessas circunstâncias?

Além de tomar medidas para evitar consequências maiores durante o período de crise econômica, é importante saber o que não fazer para que os problemas não sejam ainda mais agravados. Então, entenda quais erros não cometer nessas circunstâncias.

Utilizar cartão de crédito

Por mais que seja um instrumento de pagamento prático e seguro, o cartão de crédito pode se transformar em uma armadilha se não for utilizado com consciência. Por isso, se você não quer se assustar com a fatura no mês seguinte, evite compras com ele, incluindo aquelas parceladas, ainda que sem juros.

A principal recomendação é nunca considerar o limite disponível como parte da sua renda. Não é raro que o valor liberado para compras seja maior que sua real capacidade de pagamento, o que, somado aos juros altos cobrados no crédito rotativo do cartão de crédito, leva rapidamente ao endividamento.

Recorrer mais vezes ao cheque especial

A mesma lógica do cartão de crédito vale para o cheque especial: nunca utilize o limite disponível como parte da sua renda. Os usos dessa modalidade de crédito devem ser pontuais, uma vez que ela tem um dos juros mais altos do mercado.

O ideal é sempre procurar alternativas ao uso do cheque especial e, sempre que utilizá-lo, repor quanto antes o valor sacado, sempre ciente de taxas de juros e de outros encargos cobrados enquanto os valores não forem repostos.

Pegar dinheiro emprestado sem planejamento

Empréstimos podem ser uma saída para colocar as contas em ordem ou mesmo quitar dívidas mais urgentes, conforme mencionamos mais cedo. Todavia, esse tipo de operação nunca deve ser feito sem um planejamento cuidadoso.

Portanto, considere o valor necessário para aliviar a sua situação, mas nunca feche negócio sem antes calcular se os valores a serem pagos são compatíveis com seu bolso. Na hora de comparar ofertas de empréstimo, leve em conta não apenas os juros cobrados, mas todos os outros encargos que compõem o chamado Custo Efetivo Total (CET), que reflete com precisão o quanto será preciso pagar pelo dinheiro emprestado.

O que ajuda a superar essa situação mais rápido?

Até agora, você viu o que fazer com suas dívidas durante períodos de crise, quais mudanças são necessárias para atravessar essa situação e também o que não fazer para agravar o problema. Por fim, vamos mostrar algumas atitudes que ajudam a superar o cenário de forma mais ágil.

Use sua reserva de emergência

Se antes da crise você conseguiu manter um planejamento financeiro que visava a formação e a manutenção de uma reserva financeira de emergência, essa talvez seja a hora de utilizar os recursos depositados com esse fim.

O dinheiro acumulado deve servir para honrar despesas básicas e mais urgentes. Isso evita que você tenha que recorrer a empréstimo ou alternativas de crédito, que demandam o pagamento de juros. Ou seja, ter e utilizar uma reserva de emergência na hora do aperto ajuda a economizar e também evita dívidas.

Depois de lançar mão da reserva de emergência, quando a situação melhorar, projete formas de repor o dinheiro utilizado. Com isso, você terá essa garantia para novos imprevistos futuros.

Procure formas alternativas de garantir renda extra

Como comentamos brevemente, fontes de renda extra também são um grande alívio para atravessar os momentos mais difíceis de qualquer crise. Isso vale principalmente para quem teve a maior parte sua renda comprometida e está tendo dificuldade em ajustar o orçamento à nova realidade.

Nessa hora, vale utilizar a criatividade e colocar a suas habilidades a serviço de potenciais clientes. Então, faça comida para vender, procure tarefas para seus horários vagos ou preste serviços de reparo, por exemplo. Colocar à venda itens que estão em sua casa e não têm mais utilidade à sua família também costuma ser uma saída que levanta um dinheiro a mais.

Quem é profissional autônomo com registro CNPJ tem mais uma alternativa de renda: tornar-se parceiro da Rodobens, seja no segmento de consórcios, seja no segmento de seguros. A Rodobens conta com um modelo de negócio inovador, amplo portfólio e reputação consolidada após anos de mercado, o que favorece a relação com o parceiro, que terá todo o apoio necessário.

Importante em todos os estágios da vida, o controle financeiro pessoal torna-se indispensável para atravessar com segurança esses momentos econômicos mais difíceis. Isso pode exigir alguns sacríficos, mas com planejamento, disciplina e criatividade, fica mais simples reorganizar as finanças e aumentar a capacidade de gerenciar seu dinheiro com segurança até as coisas melhorarem (e elas vão, tenha certeza).

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