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Fraude em consórcio: conheça os golpes mais comuns e dicas de como evitá-los

Dezembro 2019

12 minutos de leitura

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Você já deve saber que os consórcios são ótimas opções para comprar bens desejados sem precisar arcar com juros ou burocracia, que são comuns aos financiamentos bancários. Além do mais, essa modalidade de investimento é interessante principalmente em longo prazo. Assim, pode ajudar na disciplina financeira, colaborando com a vida de quem quer ter um orçamento doméstico mais organizado e atingir seus sonhos de maneira mais fácil.


Entretanto, mesmo que o mercado de consórcios seja consolidado no Brasil e conte com uma boa reputação entre os consumidores, é comum que pessoas mal-intencionadas explorem o seu mecanismo de funcionamento para aplicar golpes dos mais diversos, trazendo prejuízos às vítimas, que precisam lidar com as dores de cabeça decorrentes disso.


Por se tratar de um assunto tão relevante, criamos este guia completo que explica a você como evitar uma fraude em consórcio. Continue na leitura e descubra quais são os principais golpes que circulam na praça e o que observar na hora da contratação e durante todo o processo para não ser enganado.


Quais são os principais tipo de fraude em consórcio?


Os consórcios são constituídos a partir da formação de grupos de pessoas com um interesse em comum: acumular os recursos necessários para a aquisição de determinado bem (como um imóvel ou um carro) ou a contratação de um serviço (pacotes de viagens, cursos, tratamentos estéticos etc.).


Durante o decorrer do pagamento das parcelas, são feitos sorteios periódicos, que definem os contemplados. Os consorciados mais sortudos e, por consequência, contemplados primeiro via sorteio, têm acesso antecipado à carta de crédito, que permite a compra do bem ou a contratação do serviço desejado. Aqueles que não quiserem contar exclusivamente com a sorte podem ofertar lances, que funcionam como pagamentos antecipados do consórcio e aceleram a contemplação.


Se tudo ocorrer conforme determinam as regras, inclusive respeitando todos os pontos acordados no contrato assinado entre o consorciado e a administradora — a responsável pela organização e condução do consórcio —, é bem pouco provável que problemas surjam. Assim, tudo transcorre bem até o final.


Infelizmente, não é raro que pessoas se aproveitem para explorar os consórcios, aplicando golpes dos mais diversos tipos. Obviamente, ninguém quer ser vítima de uma situação como essa e, portanto, é importante conhecer as ocorrências mais comuns e estar sempre prevenido. Abaixo, veja a lista com as formas famosas de fraudes que usam os consórcios de maneira equivocada e, assim, lesam os participantes desses grupos de investimento.


Golpe da carta de crédito contemplada


Muitas pessoas não têm o tempo e a paciência necessários para fazer parte de um consórcio desde o início e esperar a contemplação, seja por sorteio, seja por oferta de lance.


Em casos assim, existe a opção da compra de uma carta de crédito contemplada. Em um primeiro momento, não há nenhum problema nisso, já que essa é uma opção legítima, prevista pela maioria das administradoras, que incluem os passos necessários a esse tipo de negócio no contrato.


Porém, alguns cuidados devem ser observados com bastante atenção para evitar o golpe da carta contemplada. Uma breve pesquisa na internet mostra que esse é o tipo mais comum de fraude explorado por quem quer tirar vantagem dos interessados em adquirir um bem por meio de uma carta de crédito.


Em situações normais, a aquisição de uma carta de crédito contemplada acontece da seguinte forma: o interessado em repassar sua cota contemplada procura um interessado em adquiri-la, que é normalmente alguém que deseja usufruir das vantagens desse instrumento financeiro sem precisar percorrer todo o caminho de consorciado, o que gera uma economia de tempo.


No entanto, essa aparente facilidade têm seus custos. É comum que o preço cobrado pela carta de crédito já contemplada seja acrescido com o chamado ágio, quantia extra que recompensa ou mesmo remunera que está vendendo sua cota. Além disso, o comprador precisa arcar com as parcelas ainda restantes, já que uma carta contemplada não significa que o consórcio foi quitado.


Todo esse processo de compra, venda e transferência precisa ser acompanhado e autorizado pela administradora do consórcio. Dessa forma, o negócio se dará sem maiores problemas, satisfazendo ambas as partes.


No golpe da carta de crédito contemplada, nada do que foi descrito acima acontece de maneira efetiva, lesando a parte interessada no investimento. Essa fraude de venda de cotas de grupos de consórcio acontece por meio de anúncios em jornais e sites e até mesmo via comunicação pessoal. Não é raro que as condições apresentadas sejam vantajosas e quase sempre fora da realidade do mercado.

Após esse primeiro contato, a vítima é convencida da existência da carta, de modo que, para tê-la em mãos, deve realizar um depósito que comprove a efetivação da transferência.

Acreditando na boa fé dos vendedores, que, muitas vezes, apresentam supostos documentos atestando a existência e a contemplação daquela cota, o interessado faz a transferência dos valores e, em seguida, descobre que a cota não existe. Os golpistas desaparecem com o dinheiro da vítima, cortando qualquer forma de contato.


Uma forma de evitar essa dor de cabeça é consultar diretamente a administradora sobre a existência e a efetiva possibilidade de transferência de determinada cota. Além disso, toda a negociação deve ser registrada no papel, para que as partes estejam protegidas e cumpram o que foi acordado.


Por fim, desconfiar de propostas milagrosas também evita boa parte dos problemas. Lembre-se de que a transferência de uma cota contemplada pode envolver custos extras ou parcelas ainda a serem pagas, então, qualquer oferta que fuja disso deve ser vista com muito cuidado.


Golpe do consórcio não autorizado ou inexistente


Esse tipo de golpe funciona de maneira similar ao da cota contemplada, mas envolve um pouco mais de elaboração por parte dos golpistas, que precisam criar empresas de fachada para anunciar consórcios que não estão autorizados ou simplesmente não existem e nunca existirão. 


É possível driblar essa tentativa de fraude seguindo as dicas do tópico anterior. Para ampliar a segurança e ter certeza de que o negócio é feito por uma empresa autorizada a atuar no setor de consórcios, vale consultar a lista de administradoras que contam com a permissão do Banco Central — que regulamenta esse setor do mercado — para formar grupos de consórcio.


Por fim, não faça nenhum pagamento adiantado, principalmente se essa solicitação envolver alguma suposta vantagem ou sem que isso esteja previsto em contrato. Empresas sérias não fazem esse tipo de cobrança, ainda mais se ela não foi incluída no acordo entre as partes.


Golpe do “contemplou, quitou”


Novamente vale reforçar de que a contemplação não isenta o consorciado do pagamento das parcelas que ainda faltam. Sem isso, os demais consorciados que não tiveram a sorte de atingir a contemplação poderão ficar sem suas cartas de crédito, já que os fundos acumulados não serão suficientes.


Por isso, outra modalidade de golpe envolve o anúncio de consórcios nos quais o consorciado contemplado tem automaticamente sua cota quitada, como forma de atrair os mais desavisados.


O segredo para não cair nesse outro tipo de golpe envolve, mais uma vez, as dicas apresentadas nos tópicos anteriores: desconfie de ofertas milagrosas, exija os contratos completos em que constem todas as informações pertinentes e consulte se a empresa que está fazendo a proposta está autorizada a funcionar pelo Banco Central.


O que levar em consideração na hora de contratar um consórcio?


Diante de tantos tipos de golpe, é normal que quem esteja interessado em fazer parte de um consórcio se sinta inseguro sobre investir ou não seu dinheiro nesse negócio, que costuma demandar tempo para trazer os retornos esperados. Vamos nos dedicar, nos próximos tópicos, a mostrar o que deve ser levado em consideração na hora de contratar um consórcio. 


Escolha um consórcio que atenda às suas necessidades


O bom aproveitamento das vantagens de um consórcio passa por escolher o plano ideal, de acordo com as suas necessidades e o seu orçamento. Não faz sentido, por exemplo, investir em um carro grande se a sua família é pequena ou se as contas do mês estão sempre apertadas.


Em outro exemplo, um consórcio pode ser boa alternativa para quem quer comprar um imóvel, mas pode esperar um pouco, tornando dispensável a contratação de um financiamento bancário, que tem juros caríssimos.


Depois disso, é necessário decidir qual deve ser o tamanho do imóvel e sua faixa de valor. Um consórcio muito barato pode não atender às suas necessidades, enquanto um muito caro pode comprometer suas finanças. 


Do mesmo modo, olhar apenas o tamanho das parcelas pode ser enganoso. Assim, considerar seus objetivos é o primeiro passo ao contratar um consórcio. Aproveite que muitas administradoras disponibilizam materiais informativos sobre os planos e os utilize para facilitar e encontro do plano ideal.


Verifique o contrato com atenção


Você deve ter percebido que boa parte dos golpes envolvendo consórcios seriam evitados se o acordo fosse posto em um contrato, especificando todos os detalhes do negócio, com a previsão dos direitos e deveres de cada parte.


Um contrato correto de consórcio deve deixar bem claro os dados cadastrais e as formas de contato entre ambas as partes, as normas gerais de funcionamento do grupo, as maneiras de contemplação, o valor das parcelas, os índices de reajustes previstos, as penalidades em caso de atraso ou o descumprimento do contrato e qualquer outro ponto pertinente.


Considere o prazo e o tamanho das parcelas


Existem vários tipos de planos de consórcio, para atender públicos com capacidades financeiras diferentes. Por isso, quando for fazer a contratação, considere esse ponto, de modo que o plano escolhido caiba no seu bolso.


Tenha em mente que, quanto maior for a duração de um consórcio, menores serão as parcelas pagas mensalmente. Logo, é preciso considerar a sua situação e os seus objetivos para entender se vale a pena pagar um pouco a mais por mês e, assim, terminar o consórcio mais rápido ou contar com uma parcela que cabe no bolso, mesmo que isso represente um prazo mais alongado. 


Além dos prazos de pagamento, é importante também avaliar as formas como as cobranças serão feitas, já que costumam haver duas possibilidades: parcelas decrescentes e parcelas lineares. Na primeira hipótese, os valores a serem pagos vão caindo com o passar do tempo, que, por outro lado, faz com que as parcelas a serem pagas no início sejam maiores. Já na forma linear de cobrança, todas as parcelas têm mais ou menos o mesmo preço, salvo as correções previstas.


Avalie as taxas cobradas


Todo consórcio conta com a cobrança de algumas taxas, para que os serviços prestados pelas administradoras sejam remunerados. Entre as cobranças mais comuns, está a taxa de administração. E como a diferença entre essa cobrança em cada uma das administradoras que atuam no mercado pode ser grande, é importante pesquisar bastante antes de fechar negócio.


A taxa de administração é calculada sob a forma de um percentual do valor total do consórcio. Esse número deve estar explícito no contrato, para facilitar a comparação entre as ofertas que o consorciado pode ter em mãos. 


Mas nem sempre uma taxa menor representa um bom negócio. Pese sempre a qualidade do serviço prestado. Às vezes, vale pagar um preço maior por um serviço bem prestado, o que representa um custo-benefício maior.


Observe também qual é o peso de outras cobranças no valor a ser pago pelo consórcio. Ao contrário da taxa de administração, existem algumas taxas de cobrança opcional que não estão presentes em todos os contratos.


É o caso, por exemplo, da taxa de fundo de reserva, que é utilizada pelo grupo para cobrir certos imprevistos que possam comprometer a sua saúde financeira, como a inadimplência de parte dos membros. Assim como a taxa de administração, o fundo de reserva também varia de acordo com a administradora. Em alguns casos, ela sequer é cobrada. Consulte, ainda, se existe a exigência de taxa de adesão ou de um seguro.


Como saber se o consórcio é confiável?


Depois de conhecer quais são as principais modalidades de golpes, como se precaver deles e o que considerar antes de contratar um consórcio, vamos ver como saber se um consórcio é confiável. Como você verá, uma pesquisa cuidadosa e a atenção aos detalhes resolvem boa parte dessa dúvida.


Primeiro, saiba como avaliar uma administradora de consórcio. Como já mencionado, o Banco Central regula esse mercado e lista, em seu site, as empresas que estão autorizadas a atuar na gestão de grupos de consórcio. Se a instituição pela qual você se interessou não estiver lá, o melhor é mudar de ideia. 


Para facilitar as buscas, faça uma lista com as empresas que atendem à sua necessidade e realize essa primeira pesquisa. Administradoras com anos de mercado e boa reputação certamente seguem o que prevê a legislação.


Depois de excluir aquelas que não passarem nesse primeiro filtro, avance na sua pesquisa. Ajuda consultar conhecidos que já tenham feito negócio com essas empresas. Pergunte-os sobre a experiência como um todo, a qualidade do serviço prestado e a agilidade da resolução de problemas. 


Ainda pensando em como a administradora é vista na opinião de terceiros, recorrer à internet pode ser uma boa ideia. Verifique em sites que reúnem as reclamações de consumidores, a exemplo do Reclame Aqui, como cada empresa é avaliada. 

Não foque apenas no volume de reclamações (já é normal que administradoras maiores e que fazem mais negócios tenham uma quantidade vasta de clientes insatisfeitos), mas também na velocidade com que esses problemas são solucionados, no nível de satisfação dos consumidores e na intenção das pessoas em voltar a fazer negócio com a empresa que foi alvo da insatisfação relatada.

Por fim, você mesmo pode fazer um teste sobre a qualidade do serviço entrando em contato com a administradora pelos canais de comunicação oferecidos, como telefone, e-mail e redes sociais. O nível do atendimento prestado é um bom indicador da confiança que a empresa transmite. 


Por fim, fora o contrato, que deve ser redigido de maneira clara e objetiva, uma administradora deve fornecer todos os esclarecimentos que forem necessários para que não reste nenhuma dúvida sobre o funcionamento do consórcio, do começo ao encerramento do grupo.


Que tipos de erros devem ser evitados?


Certo, até agora, vimos como você pode evitar problemas no consórcio, seja para não cair em fraudes, seja para escolher um plano de confiança, que traga o retorno esperado. Agora, vamos ver quais erros ao contratar um consórcio são mais comuns e como evitá-los.


Procurar instituições não autorizadas


Conforme destacamos ao longo do texto e reforçamos aqui, nunca entre em um consórcio organizado por qualquer empresa que não esteja autorizada. O Banco Central é o responsável por conceder a certificação e também por acompanhar a saúde financeira das administradoras, averiguando os balanços anuais das instituições.


Acreditar em sorteio garantido


Não caia na conversa de quem promete que sua cota seja contemplada por sorteio em determinado período. O quanto a sua vez de receber a carta de crédito vai demorar é uma questão que depende de sorte, do número de pessoas do grupo e da sua capacidade de oferecer lances.

Logo, é normal que haja uma demora de vários meses para que todos sejam contemplados. Se as coisas acontecerem muito rápido, saiba que isso é um grande motivo de desconfiança.


Esquecer as taxas e os reajustes


O preço do consórcio não é composto apenas do bem que será adquirido com a carta de crédito. A esse valor são somadas algumas taxas, sendo a mais comum a de administração. Entretanto, esse detalhe passa despercebido por muitos, o que é um erro, já que prejudica as contas e atrapalha no planejamento financeiro. Por isso, confira sempre as taxas cobradas, centavo por centavo.


Outro cuidado envolvendo os valores de um consórcio diz respeito ao reajuste nas parcelas. Para fazer frente à inflação e garantir que a carta de crédito mantenha seu poder de compra, as parcelas têm seus valores corrigidos periodicamente. Os índices escolhidos variam de acordo com o bem do consórcio e devem estar indicados no contrato.


Não acompanhar o andamento do consórcio


Todo consórcio prevê a realização de assembleias, nas quais são feitos os sorteios, ofertados os lances e definidos os contemplados. Mas não é isso. Nessas reuniões, são feitos informes importantes sobre o andamento do consórcio, então, é importante acompanhar o que se passa por lá.


Atrasar as parcelas


Atrasar a parcela do consórcio prejudica tanto o próprio consorciado, que fica impedido de ser contemplado, quanto o grupo, que pode ter sua saúde financeira comprometida se o nível de inadimplência for muito alto.


Estar com o nome sujo


A entrada em um consórcio é permitida mesmo que seu nome não esteja limpo. No entanto, essa restrição pode se transformar em um obstáculo no momento da contemplação. É normal que as administradoras façam análise da situação financeira do contemplado, o que impede a liberação para aqueles que estejam com o nome incluído nos serviços de proteção ao crédito.


O que fazer se você cair em um golpe?


Por mais cuidados que sejam tomados, em alguns casos, o golpe acaba acontecendo, o que é bem ruim, diante de todo o transtorno (financeiro e emocional) causado por situações do tipo. Mas como lidar com esses problemas e tentar reverter, ou pelo menos minimizar, o estrago causado pela fraude?


Se percebeu que alguma coisa não está indo bem, os primeiros passos são entrar em contato com a administradora responsável e informar o ocorrido. Faça isso pelos canais de atendimento, anotando sempre o número de protocolo. Se a questão não se resolver, o estágio seguinte será acionar o Banco Central ou os órgãos de defesa do consumidor, como o PROCON.


Dependendo do tamanho do problema, em algum momento, provavelmente será necessário acionar a justiça para fazer valer seus direitos e reaver as quantias envolvidas no golpe.

Pensando nisso, durante todo o processo, acumule o maior número possível de evidências por escritos, que servirão de prova de que você foi a vítima. Dessa forma, todo o trâmite se torna um pouco menos complicado.

A fraude em consórcio não significa que essa modalidade não seja uma forma segura de aplicar o seu dinheiro. Se forem seguidas as recomendações e tudo for feito com o suporte de uma empresa de confiança, o investimento certamente vai trazer o resultado esperado e ajudará você a conquistar os objetivos que vem planejando.
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