Freio a disco x freio ABS: entenda qual é a diferença

Maio 2017

6 minutos de leitura

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Vai comprar um carro novo? Quer trocar o seu atual? Está de olho em revendas e trocas? Então você já deve estar sentindo a confusão de itens e alternativas do mercado: melhores e mais caros, mais econômicos e menos duráveis, barato, mas menos seguro… São muitas opções. Nesse caso, a saída é uma só: pesquisar a fundo para decidir corretamente.

Quando falamos de componentes de segurança, a discussão é mais séria. Afinal, a integridade da família e dos passageiros não pode ser arriscada. Por isso, a escolha deve analisar cuidadosamente as particularidades dos itens para, então, concluir qual o melhor para cada contexto. Em relação aos freios, a dúvida mais comum é: freio ABS ou freio a disco?

A princípio, ambos cumprem bem sua função, além de poderem se complementar. No entanto, conhecendo melhor esses componentes, vemos como cada um deles tem suas próprias qualidades. Nos próximos tópicos, abordaremos estabilidade, manutenção e segurança para você entender melhor. Preparado? Então confira!

Quais são os principais tipos de freio?

Para entender o funcionamento dos freios, é interessante comparar os tipos mais comuns encontrados no mercado. Embora alguns já possam ser considerados como normais ou até defasados, como o freio a tambor, é importante conhecê-los. Até mesmo porque a chance de encontrá-los é alta, às vezes até mais de um no mesmo carro.

Como você vai ver, é comum os freios se apoiarem nos princípios da hidráulica. Aplicada à frenagem, a principal constatação desse campo é que líquidos são quase impossíveis de se comprimir. Ao pisar no pedal, um líquido hidráulico sofre uma pressão que, por sua vez, é transmitida ao sistema de freios. É assim que o carro freia.

Freios a tambor

Inventados em 1902 pelo francês Louis Renault, são a modernização de outras versões de freio a tambor. Nesse modelo, pistões hidráulicos (peças cilíndricas que se expandem) são acionados pelo pedal, expandindo-se com a transmissão do fluido e empurrando sapatas (placas de fricção) contra o tambor (lateral da roda).

É comum encontrar o freio a tambor nas rodas traseiras de veículos, principalmente nos modelos populares de passeio. Além de ter alta capacidade de frenagem, o freio a tambor costuma ser mais barato e vir acompanhado de sistema de estacionamento. No entanto, sua manutenção é mais cara e ele é menos seguro, pois pode acumular água e sujeira.

Freios a disco

Apesar de já pesquisado desde o começo do século XX, a produção em massa e o efetivo uso do freio a disco começou na década de 1950, com a Citroën. Bastante similar ao freio a tambor, o freio a disco consiste em um disco preso à roda, sobre o qual ficam montadas pinças com as sapatas. Quando o pedal é acionado, a pinça se fecha, pressionando o disco.

Assim como o freio a tambor, ele também é mecânico, com o pedal de freio empurrando o fluido. Contudo, nesse modelo, o sistema é aberto, expondo o disco de freio. Isso impede seu aquecimento, responsável pela perda da frenagem (fading). Essa abertura também acelera a secagem e diminui o acúmulo de sujeira, o que o torna mais seguro. Como tem longa durabilidade e baixo custo de manutenção, é muito usado na parte dianteira de carros de passeio e das motocicletas.

Freio ABS

ABS é a sigla para Antilock Braking System ou sistema de freio antitravamento. Seu funcionamento se baseia em um conceito simples, com sensores em cada roda controlando sua rotação. Atingindo seu limite de rotação, os pneus podem não parar mesmo com a pressão máxima de frenagem. Assim, a roda trava.

O ABS calcula a pressão suportada e a fornece aos poucos. Com isso, a chance de perder o controle da direção é muito menor. Além do mais, a frenagem é feita aos poucos, com vários toques em vez de uma pressão só. Por isso, o motorista ainda consegue dirigir o carro enquanto freia, mesmo em curvas. Em geral, a própria frenagem é melhor, percorrendo distâncias mais curtas.

Os primeiros freios ABS foram desenvolvidos para aviões, na década de 50. No final dos anos 60 surgiram os primeiros modelos adaptados para carros, que funcionavam a partir de componentes analógicos. Em 1978, a Bosch desenvolveu o primeiro freio ABS nos moldes dos adotados atualmente, baseado em sistemas eletrônicos. Logo, ele foi incluído nas linhas de produção de empresas como Mercedes-Benz, BMW e fabricantes japonesas.

Freio pneumático

Também conhecido como freio a ar, esse tipo é mais adotado em frotas pesadas. Seu sistema trabalha com cargas variadas de potência e funciona de forma diferente dos freios usados em veículos menores. O modelo pneumático trabalha com um compressor, que faz a admissão do ar ao mesmo tempo que o motor.

Funciona assim: o ar comprimido é enviado para um regulador, que tem a tarefa de regular a pressão com que os freios trabalham. Por meio de dutos, o ar é direcionado para os freios traseiros e dianteiros. Há ainda outros dutos que entregam ar para demais componentes do veículo. Eles funcionam de forma autônoma e em caso de emergência, já que a prioridade é sempre do sistema de freios.

Inicialmente, esse modelo foi inventado para uso em trens nos Estados Unidos, no final do século XIX. Só em 1956 que eles passaram a ser usados em veículos, como ônibus e caminhões.

Freio de estacionamento

Os freios de estacionamento são mais conhecidos como freios de mão, nome que vem do fato de serem acionados manualmente, por meio de uma alavanca. Sua principal função é servir como sistema complementar de freios nos veículos a motor, garantindo que fiquem completamente parados enquanto não estão sendo usados.

O sistema é formado por um cabo de aço que, quando puxado por meio da alavanca, pressiona os freios contra as rodas, mantendo-as travadas. Recentemente, as alavancas vêm sendo substituídas por botões nos painéis, conhecidos como freios de mão eletrônicos.

Como escolher o melhor modelo de freio?

Na prática, cada freio tem sua função. Freios a tambor, por exemplo, são ainda muito usados nas rodas traseiras e em máquinas, como gruas. Já os freios a ar são a opção preferencial para veículos pesados.

Isso se deve às particularidades de cada um, principalmente no que se refere à força de frenagem (torque). Para a maioria dos carros de passeio, porém, o modelo considerado mais seguro é o freio ABS.

Quanto mais se consegue garantir uma frenagem estável e controlável, mais seguro é o veículo. Assim, por meio de um sistema que evita o bloqueio das rodas enquanto a frenagem está em andamento, o ABS possibilita que o motorista mantenha o controle sobre o carro mesmo em situações de perigo. Além disso, ele exige menos espaço para conseguir parar o veículo, colaborando ainda mais para a prevenção de acidentes.

Existem tipos diferentes de freio ABS?

Sim, existem vários modelos de freio ABS. No entanto, o conceito principal de todos é o mesmo: sensores de rotação, válvulas, que liberam a pressão da frenagem, unidade controladora, que processa as informações dos sensores, e bomba, que repõe a pressão. Conheça os principais tipos:

  • EAS: sigla para Electronic Actuation System (algo como sistema eletrônico atuador), trata-se de um sistema auxiliar do freio ABS que controla a tração e a altura do veículo em relação ao solo;

  • EBD: sigla para Electronic Brake Force Distribution (livremente traduzido como distribuição eletrônica de frenagem) e também chamado de Repartidor Eletrônico de Frenagem (REF), é um auxiliar ao freio ABS que proporciona melhor distribuição das forças empregadas na frenagem;

  • AFU: sigla para o nome em francês Aide au Freinage d’Urgence (assistência à frenagem de emergência), trabalha diminuindo o esforço necessário no pedal e sua trepidação. Como o ABS faz a frenagem aos poucos, pode ser necessário pisar fundo no pedal para frear. O AFU aumenta a pressão para proporcionar uma parada mais rápida.

Agora que você já está por dentro do assunto, pode avaliar qual carro oferece mais segurança para você e para sua família! Como vimos, por suas características técnicas, o freio ABS sai à frente nesse quesito. Bom saber então que, desde 2014, freios ABS e airbags são obrigatórios para carros fabricados no Brasil, não é mesmo?

Como fazer a manutenção dos sistemas de freios?

O principal requisito para um sistema de freios é que ele funcione de maneira adequada quando necessário, sob o risco de colocar em perigo a segurança de motoristas, passageiros e até de pedestres. Para isso, é preciso fazer revisões periódicas, sempre de acordo com as orientações do fabricante.

Já podemos adiantar, porém, que a duração dos componentes do sistema freio varia muito, pois apresentam níveis diferentes de desgaste e durabilidade. É possível que algumas partes nunca precisem ser trocadas, enquanto outras podem demandar cuidados frequentes.

Saiba desde já: os itens que geralmente se desgastam de forma mais acelerada são as pastilhas, os fluidos, os discos e as mangueiras. E lembre-se: na hora de repor tais peças, não abra mão da qualidade em troca de preços menores, ok? E sempre siga as recomendações de um profissional capacitado.

Alguns sinais podem indicar que algo não vai bem com os freios, requisitando a atenção do dono do veículo. Entre eles estão ruídos incomuns, dificuldades na frenagem, pedal afundado e, claro, luzes acesas no painel.

Se você chegou até aqui, certamente aprendeu bastante sobre os diversos tipos de freios existentes, como eles funcionam e como o cuidado com a manutenção é indispensável. Além disso, viu que o freio ABS é a escolha que traz mais segurança ao motorista. Pode apostar: depois de avaliar tudo isso, sua decisão de compra será tomada de forma muito mais consciente.

Por fim, se tem dicas a dar sobre como escolher um sistema de freio ou se quer compartilhar suas experiências com a compra e venda de veículos, deixe um comentário aqui! Participe!

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