Tipos de freios: conheça cada um deles e saiba como funcionam

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Quem planeja comprar um carro novo precisa ficar de olho em uma série de itens essenciais — e o sistema de freio certamente faz parte dessa lista. Nesse sentido, conhecer a diferença entre freio a disco, ABS, pneumático, tambor e de estacionamento é superimportante.

Pensando nisso, nos próximos tópicos, abordaremos estabilidade, manutenção e segurança de cada um deles para você entender mais a fundo como funcionam os diferentes sistemas de freio. Boa leitura!

Quais são os principais sistemas de freio?

Para entender o funcionamento dos freios, é interessante comparar os sistemas mais comuns encontrados no mercado. Embora alguns já possam ser considerados como normais ou até defasados, como o freio a tambor, é importante conhecê-los. Até mesmo porque a chance de encontrá-los é alta, às vezes até mais de um no mesmo carro.

Como você vai ver, é comum os freios se apoiarem nos princípios da hidráulica. Aplicada à frenagem, a principal constatação desse campo é que líquidos são quase impossíveis de se comprimir. Ao pisar no pedal, um líquido hidráulico sofre uma pressão que, por sua vez, é transmitida ao sistema de freios. É assim que o carro freia.

Freios a tambor

Inventados em 1902 pelo francês Louis Renault, são a modernização de outras versões de freio a tambor. Nesse modelo, pistões hidráulicos (peças cilíndricas que se expandem) são acionados pelo pedal, expandindo-se com a transmissão do fluido e empurrando sapatas (placas de fricção) contra o tambor (lateral da roda).

É comum encontrar o freio a tambor nas rodas traseiras de veículos, principalmente nos modelos populares de passeio. Além de ter alta capacidade de frenagem, o freio a tambor costuma ser mais barato e vir acompanhado de sistema de estacionamento. No entanto, sua manutenção é mais cara, e ele é menos seguro, pois pode acumular água e sujeira.

Freios a disco

Apesar de já pesquisado desde o começo do século XX, a produção em massa e o efetivo uso do freio a disco começaram na década de 1950, com a Citroën. Bastante similar ao de tambor, o freio a disco consiste em um disco preso à roda, sobre o qual ficam montadas pinças com as sapatas. Quando o pedal é acionado, a pinça se fecha, pressionando o disco.

Assim como o freio a tambor, ele também é mecânico, com o pedal de freio empurrando o fluido. Contudo, nesse modelo, o sistema é aberto, expondo o disco de freio. Isso impede seu aquecimento, responsável pela perda da frenagem (fading).

Essa abertura também acelera a secagem e diminui o acúmulo de sujeira, o que o torna mais seguro. Como tem longa durabilidade e baixo custo de manutenção, é muito usado na parte dianteira de carros de passeio e das motocicletas.

Freios ABS

ABS é a sigla para Antilock Braking System ou sistema de freio antitravamento. Seu funcionamento se baseia em um conceito simples, com sensores em cada roda controlando sua rotação. Atingindo seu limite , os pneus podem não parar mesmo com a pressão máxima de frenagem. Assim, a roda trava.

O ABS calcula a pressão suportada e a fornece aos poucos. Com isso, a chance de perder o controle da direção é muito menor. Além do mais, a frenagem é feita aos poucos, com vários toques em vez de uma pressão só. Por isso, o motorista ainda consegue dirigir o carro enquanto freia, mesmo em curvas. Em geral, a própria frenagem é melhor, percorrendo distâncias mais curtas.

Os primeiros freios ABS foram desenvolvidos para aviões na década de 1950. No final dos anos 1960, surgiram os primeiros modelos adaptados para carros, que funcionavam a partir de componentes analógicos.

Em 1978, a Bosch desenvolveu o primeiro freio ABS nos moldes adotados atualmente, baseados em sistemas eletrônicos. Logo, ele foi incluído nas linhas de produção de empresas como a Mercedes-Benz.

Freios pneumáticos

Também conhecidos como freios a ar, esse tipo é mais adotado em frotas pesadas. Seu sistema trabalha com cargas variadas de potência e funciona de forma diferente dos freios usados em veículos menores. O modelo pneumático trabalha com um compressor, que faz a admissão do ar ao mesmo tempo que o motor.

Funciona assim: o ar comprimido é enviado para um regulador, que tem a tarefa de regular a pressão com que os freios trabalham. Por meio de dutos, o ar é direcionado para os freios traseiros e dianteiros. Há ainda outros dutos que entregam ar para demais componentes do veículo. Eles funcionam de forma autônoma e em caso de emergência, já que a prioridade é sempre do sistema de freios.

Inicialmente, esse modelo foi inventado para uso em trens nos Estados Unidos, no final do século XIX. Só em 1956 ele passou a ser usado em veículos, como ônibus e caminhões.

Freios de estacionamento

Os freios de estacionamento são mais conhecidos como freios de mão, nome que vem do fato de serem acionados de forma manual, por meio de uma alavanca. Sua principal função é servir como sistema complementar de freios nos veículos a motor, garantindo que fiquem completamente parados enquanto não estão sendo usados.

O sistema é formado por um cabo de aço que, quando puxado por meio da alavanca, pressiona os freios contra as rodas, mantendo-as travadas. Recentemente, as alavancas vêm sendo substituídas por botões nos painéis, conhecidos como freios de mão eletrônicos.

Qual é a diferença entre o freio a disco e o freio ABS?

Apesar de essa ser uma dúvida comum entre os proprietários de veículos e entre as pessoas que estão pensando em comprar um carro, é preciso deixar claro que o sistema ABS não é considerado um sistema de freio em si. Ele é apenas uma tecnologia que trabalha em conjunto com os tipos de freio mencionados anteriormente.

Por exemplo, existem carros com freio a disco que têm a tecnologia ABS, assim como existem aqueles veículos equipados com freio a tambor e que também se beneficiam com os recursos do módulo de ABS.

Na prática, o ABS funciona como um otimizador da frenagem. Ele garante que, em emergências, quando os freios são acionados com mais força, por exemplo, as rodas do veículo não travem. Isso faria com que os pneus derrapassem na pista, aumentando a distância até a parada total.

Assim, independentemente do sistema de freio presente no seu carro, o ABS pode atuar. A partir de diferentes sensores e de módulos de comunicação, o ABS é capaz de entender a dinâmica da frenagem do veículo, ajustando a pressão dos freios para o ponto máximo, mas sem gerar o travamento das rodas.

Dito isso, para deixar bem esclarecido, a diferença entre o freio a disco — ou qualquer outro tipo de freio — e o sistema ABS é bem simples. O freio a disco é um sistema de freio, com diferentes componentes que atuam para desacelerar o veículo. O freio ABS, por outro lado, é apenas uma tecnologia que trabalha em conjunto com os freios do carro, evitando que as rodas travem durante uma frenagem mais brusca.

Qual é a função de um freio ABS?

Como falado acima, o freio ABS tem uma função muito importante: impedir o travamento das rodas. Isso significa que, mesmo que o freio seja acionado de forma brusca, o motorista tem menos chances de perder a direção ou de derrapar.

Considerando situações como dirigir em uma pista molhada ou ser surpreendido por algum imprevisto, ele pode fazer muita diferença. O sistema de frenagem ABS funciona de forma que a distância de parada do veículo após a frenagem seja reduzia em até 30%, o que ajuda a evitar acidentes.

Além disso, a utilização dessa tecnologia tem viabilizado a integração com outras técnicas semelhantes, como o ESP (sigla em inglês para Programa Eletrônico de Estabilidade) ou a EDB (Distribuição Eletrônica da Frenagem, em português).

Como funciona o freio ABS nas 4 rodas?

Em relação aos diferentes modelos de freio ABS, os motoristas podem contar com quatro opções que variam de acordo com a quantidade e disposição dos canais e sensores de velocidade no pneu.

Alguns veículos são equipados com apenas 1 sensor e 1 válvula de controle de frenagem, que ficam localizados no eixo traseiro. Já outros modelos podem variar entre as configurações de 2 canais e 3 sensores, ou seja, um canal em cada eixo, dois sensores nos pneus dianteiros e um em um dos pneus traseiros, ou ainda 3 canais e 3 sensores, com o diferencial presente nas rodas dianteiras, que ganham um canal isolado em cada uma.

Conhecido como o mais eficiente dos tipos de freio ABS, o modelo 4 canais e 4 sensores se divide igualmente entre as quatro rodas do veículo, garantindo que cada lado dos eixos dianteiro e traseiro tenham um controle independente no momento da frenagem. Esse modelo pode ser adaptado tanto à configuração dianteira/traseira quanto à diagonal.

Freio ABS em moto

Não são só os carros e outros veículos de 4 rodas que se beneficiam da tecnologia de frenagem ABS. Atualmente, as motos também estão sendo equipadas com esse tipo de freio, garantindo ainda mais segurança aos motociclistas.

Levando-se em conta o fato de que uma das maiores causas de acidentes de moto é justamente o travamento das rodas, o freio ABS é considerado o mais indicado para esse tipo de veículo.

Nesse caso, os sensores ficam localizados em cada uma das rodas da motocicleta. Ao avaliar que a pressão do fluido de freio está próxima do ponto crítico, esses sensores liberam automaticamente as válvulas diminuidoras de pressão, evitando que o motociclista perca o controle.

Assim como no caso dos automóveis, nas motos, o freio ABS funciona de forma a garantir uma desaceleração mais eficiente durante a frenagem. Isso permite que quem está dirigindo tenha mais controle, mesmo em situações de menor aderência à pista.

Ainda que o motociclista mantenha o pedal de freio pressionado, o controle eletrônico garante o nível ideal da pressão, acionando e aliviando as válvulas. Com isso, mesmo que seja preciso realizar uma parada brusca com a moto, o risco de derrapagem é consideravelmente menor.

Como escolher o melhor sistema de freio?

Na prática, cada freio tem sua função. Freios a tambor, por exemplo, são ainda muito usados nas rodas traseiras e em máquinas, como gruas. Já os freios a ar são a opção preferencial para veículos pesados.

Isso se deve às particularidades de cada um, principalmente no que se refere à força de frenagem (torque). Para a maioria dos carros de passeio, porém, o modelo considerado mais seguro é o freio ABS.

Quanto mais se consegue garantir uma frenagem estável e controlável, mais seguro é o veículo. Assim, por meio de um sistema que evita o bloqueio das rodas enquanto a frenagem está em andamento, o ABS possibilita que o motorista mantenha o controle sobre o carro mesmo em situações de perigo. Além disso, ele exige menos espaço para conseguir parar o veículo, colaborando ainda mais para a prevenção de acidentes.

Existem tipos diferentes de freio ABS?

Sim, existem vários modelos de freio ABS. No entanto, o conceito principal de todos é o mesmo: sensores de rotação; válvulas, que liberam a pressão da frenagem; unidade controladora, que processa as informações dos sensores; e bomba, que repõe a pressão. Conheça os principais tipos:

 

  • EAS: sigla para Electronic Actuation System (algo como sistema eletrônico atuador). Trata-se de um sistema auxiliar do freio ABS que controla a tração e a altura do veículo em relação ao solo;
  • EBD: sigla para Electronic Brake Force Distribution (livremente traduzido como distribuição eletrônica de frenagem) e também chamado de Repartidor Eletrônico de Frenagem (REF). É um auxiliar ao freio ABS que proporciona melhor distribuição das forças empregadas na frenagem;
  • AFU: sigla para o nome em francês Aide au Freinage d’Urgence (assistência à frenagem de emergência), trabalha diminuindo o esforço necessário no pedal e sua trepidação. Como o ABS faz a frenagem aos poucos, pode ser necessário pisar fundo no pedal para frear. O AFU aumenta a pressão para proporcionar uma parada mais rápida.

Agora que você já está por dentro do assunto, pode avaliar qual carro oferece mais segurança para você e para sua família! Como vimos, por suas características técnicas, o freio ABS sai à frente nesse quesito. Bom saber então que, desde 2014, freios ABS e airbags são obrigatórios para carros fabricados no Brasil, não é mesmo?

Como fazer a manutenção dos sistemas de freios?

O principal requisito para um sistema de freios é que ele funcione de maneira adequada, do contrário, há o risco de colocar em perigo a segurança de motoristas, passageiros e até de pedestres. Para isso, é preciso fazer revisões periódicas, sempre de acordo com as orientações do fabricante.

Já podemos adiantar, porém, que a duração dos componentes do sistema de freio varia muito, pois apresentam níveis diferentes de desgaste e durabilidade. É possível que algumas partes nunca precisem ser trocadas, enquanto outras possam demandar cuidados frequentes.

Saiba desde já: os itens que geralmente se desgastam de forma mais acelerada são as pastilhas, os fluidos, os discos e as mangueiras. E lembre-se: na hora de repor tais peças, não abra mão da qualidade em troca de preços menores, ok? E sempre siga as recomendações de um profissional capacitado.

Alguns sinais podem indicar que algo não vai bem com os freios, requisitando a atenção do dono do veículo. Entre eles estão ruídos incomuns, dificuldades na frenagem, pedal afundado e, claro, luzes acesas no painel.

Se você chegou até aqui, certamente aprendeu bastante sobre os diversos tipos de freios existentes, como eles funcionam e como o cuidado com a manutenção é indispensável. Além disso, viu que o freio ABS é a escolha que traz mais segurança ao motorista. Pode apostar: depois de avaliar tudo isso, sua decisão de compra será tomada de forma muito mais consciente.

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