Como ganhar dinheiro com consórcio

Como ganhar dinheiro com consórcio? Conheça as possibilidades

Janeiro 2019

13 minutos de leitura

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Desde a sua criação, os consórcios caíram no gosto do brasileiro. É uma forma de compra de bens e contratação de serviços de maneira programada e parcelada, que une várias características muito vantajosas. Assim, ela possibilitou a realização dos mais diversos sonhos país afora: desde a compra do primeiro imóvel até viagens ou tratamentos dentários.

Mas os consórcios podem ir além de uma simples forma de comprar o quer que seja. Eles são também um ótimo investimento que, se for bem aproveitado, traz ótimos resultados.

Por isso, preparamos este guia completo sobre como ganhar dinheiro com consórcio, explicando tudo o que você precisa saber sobre o assunto. Boa leitura!

Como surgiram os consórcios?

A criação dos consórcios data de 1962. O contexto econômico da época explica o surgimento dessa forma de compra que se popularizou bastante e, hoje, está amplamente consolidada no país.

O Brasil vinha de um período no qual a indústria automobilística tinha sido incentivada pelo Estado (principalmente em meados dos anos 50). Foi nessa época, inclusive, que os caminhões e as rodovias se tornaram o principal modal de transporte de cargas do país, algo que perdura até hoje.

No entanto, no começo dos anos 60, a economia enfrentava algumas dificuldades e o crédito na praça era escasso. Com isso, as vendas de automóveis caíam, prejudicando a recém-instalada indústria automobilística nacional.

Buscando uma forma de contornar esse problema, funcionários do Banco do Brasil tiveram a ideia de atrair interessados em juntar dinheiro e adquirir veículos para todos aqueles que fizessem parte dessa espécie de "vaquinha".

Porém, havia um problema. A partir do momento em que cada integrante contribuía com o pagamento de uma parcela e o grupo acumulava o dinheiro para comprar um novo carro, era necessário decidir qual membro teria direito de receber o bem primeiro. A solução encontrada foi ao mesmo tempo simples e criativa: fazer um sorteio! Assim estavam consolidadas as bases do que se conhece hoje como consórcio.

Ao longo dos anos 60, os consórcios se concentraram basicamente na aquisição de veículos. Isso foi mudando aos poucos. Nos anos 70 e 80, ganhou espaço a compra de equipamentos eletrônicos (como televisões e videocassetes), motos e máquinas agrícolas. Nos anos 90, o segmento de imóveis ganhou força, bem como aconteceu com a oferta de consórcios de serviços no começo do século XXI.

Como os consórcios funcionam?

O surgimento dos consórcios dá uma ideia de como eles funcionam, mas vamos detalhar isso. De modo a facilitar esse processo, vamos imaginar a história do João. 

João quer muito comprar um carro novo. Embora ele já tenha cogitado contratar um financiamento bancário ou se esforçar para juntar o dinheiro, nenhuma dessas maneiras satisfez sua necessidade. Na primeira, ele esbarrou com os juros altos e a grande burocracia dos bancos. Na segunda, ele teve que lidar com a sua falta de disciplina para acumular a quantia necessária para efetivar a compra.

Todavia, João ainda podia contar com os consórcios. Em busca da realização do seu sonho, ele procurou uma administradora com boa reputação no mercado. Depois, escolheu o melhor plano, de acordo com o que precisava. Isso envolve questões como a duração do consórcio, o valor e a quantidade das parcelas. Também foi preciso considerar o tamanho da carta de crédito (ou seja, o valor do bem que poderá ser comprado).

Com essas definições, João passou a pagar as parcelas mensalmente, assim como os demais membros do grupo. Esses pagamentos vão se acumulando, geridos pela administradora.

A primeira assembleia é chamada de "assembleia de constituição", na qual o grupo é formado oficialmente. Depois dela, são realizadas assembleias periódicas, com o intuito de contemplar consorciados. Pode ser que assembleias extraordinárias sejam convocadas para resolver pendências no transcorrer do consórcio.

contemplação é o meio pelo qual os membros do grupo recebem suas cartas de crédito e, com isso, têm direito à compra do bem. Ela acontece de duas formas: por sorteios ou por lances.

Participam os consorciados que estão com as parcelas em dia. Todos têm chances iguais no momento do sorteio, que funciona como uma espécie de bingo. Os números são retirados de globos até formar o numeral sorteado. Algumas empresas optam por utilizar os números das extrações da Loteria Federal.

A outra maneira de contemplação são os lances, que são uma espécie de antecipação do pagamento. Os consorciados fazem ofertas sobre o quanto querem pagar antecipadamente. Quem apresentar a melhor proposta recebe a carta de crédito de forma adiantada.

Em geral, há três tipos de lances:

  • os lances livres, no qual o consorciado pode oferecer como lance qualquer valor;
  • os lances fixos, no qual a oferta deve atingir o valor mínimo estabelecido em contrato;
  • os lances embutidos, que permitem ao consorciado oferecer uma parte da carta de crédito como lance.

Seja qual foi a forma, João será contemplado em algum momento do consórcio. Com a carta em mãos, ele consegue comprar o seu tão sonhado carro. O veículo pode ser de qualquer modelo ou ano, já que os consórcios permitem a aquisição de qualquer bem que esteja dentro do grupo ao qual ele pertence. Depois da contemplação e da aquisição do bem, é preciso pagar as parcelas restantes, até o encerramento do grupo.

Quando surgiu e o que é a Lei do Consórcio?

Em 2018, a Lei do Consórcio completou 10 anos desde a sua publicação, em 9 de outubro de 2008. Ela foi considerada o grande marco regulatório dos consórcios, aperfeiçoando o sistema e dando respaldo para quem coloca dinheiro nesse tipo de negócio. Mas o caminho até ela foi longo.

Com crescimento da sua popularidade, os consórcios foram aos poucos recebendo atenção do poder público, que se preocupou em regulá-lo. Já em 1967, 5 anos após a sua criação, surgiu a primeira regulação governamental para estabelecer regras sobre como sistema bancário deveria lidar com o dinheiro acumulado pelos consorciados.

Em 1971, foi promulgada a primeira lei que tratava dos consórcios, ainda que não de forma específica. A Lei nº 5768, de 20 de dezembro de 1971, definiu algumas regras para o sistema de consórcios e estabeleceu que o Ministério da Fazenda seria responsável por sua supervisão. 

Em 1991, por meio de nova lei, essa responsabilidade for transferida do Ministério da Fazenda para o Banco Central do Brasil, local em que permanece até hoje. A "Lei do Consórcio" foi apresentada ao Senado Federal em dezembro de 2003. Depois de um longo processo de tramitação, ela foi publicada em 2008 e passou a vigorar no ano seguinte.

Mas, afinal de contas, o que a lei traz de tão importante? De forma geral, ao longo dos seus capítulos o texto abrange como se constitui o sistema de consórcios, a maneira como os contratos devem ser configurados e como os grupos devem ser organizados. Além disso, há as punições para quem violar algum ponto da legislação.

Para o consorciado, do ponto de vista prático, a lei resguarda uma série de direitos e estabelece procedimentos importantes, como o processo para o recebimento do dinheiro de membros excluídos do grupo. Além disso, foi incluída a possibilidade da existência de consórcios em áreas como saúde e educação.

Por fim, a nova lei liberou que os consorciados contemplados façam uso da sua carta de crédito para quitar financiamentos do mesmo tipo. Pontos específicos à parte, a lei foi considerada um avanço por todo o setor, que passou a atuar com tranquilidade, sob regras claras e com maior fiscalização. Assim, os consórcios se mostram uma forma ainda mais segura de comprar bens e ganhar dinheiro, como veremos a seguir.

É possível ganhar dinheiro com o consórcio?

A versatilidade sempre foi um ponto forte dos consórcios. Além de permitir o uso da carta de crédito para a compra de qualquer bem dentro de um mesmo grupo, ele ainda é uma excelente forma de investimento. Ou seja, quem quer ganhar dinheiro deve sempre considerá-lo.

Além de ser totalmente legítimo, há várias vantagens de aproveitar essa opção — o que faz com que cada vez mais pessoas sejam atraídas por eles na hora de investir seu dinheiro.

Quais são as vantagens de investir com consórcio?

Quem já tem experiência em investimentos sabe que é importante diversificar sua atuação, colocando recursos em áreas diferentes. Isso diminui os riscos e incrementa os rendimentos.

Nesse sentido, o consórcio é uma alternativa para quem quer reunir segurança e bons retornos. Confira detalhes sobre as vantagens do investimento em consórcio.

Não há cobrança de juros

No começo deste texto, explicamos como o João desistiu de um financiamento e foi para os consórcios com o intuito de fugir dos juros. O que ele fez foi aproveitar um dos principais benefícios dos consórcios, que é a ausência desse tipo de cobrança.

Ademais, toda operação de crédito embute no valor total pago pelo financiamento não apenas os juros, mas uma série de encargos, que recebem o nome de Custo Efetivo Total (CET). Quem faz as contas antes de entrar em um financiamento percebe que o CET é capaz de dobrar o valor gasto com o bem no final do pagamento.

Os consórcios estão livres dos juros. Há a cobrança de uma taxa de administração, que remunera o trabalho da administradora. Mas, ainda assim, tem índices menores do que os juros praticados no mercado de crédito. Por isso, considere sempre esse aspecto antes de tomar sua decisão.

Segurança

Sabe por que trouxemos detalhes sobre a Lei do Consórcio? Ela é um resguardo para quem vai investir. Além disso, todas as administradoras aptas a negociar consórcios são autorizadas pelo Banco Central do Brasil

Para ampliar essa garantia, procure por empresas de confiança, com bom atendimento e reputação sólida no mercado. Converse com amigos, faça pesquisas na internet e veja se a empresa escolhida não costuma trazer problemas para outros clientes. Dessa maneira, o investimento estará assegurado.

E o recebimento do bem é garantindo, mesmo com um processo um pouco mais longo — que pode ser adiantado pelos sorteios ou por meio da oferta de lances. Se o consorciado cumprir todas as suas obrigações, não há riscos de ele deixar de receber o valor integral da sua carta de crédito, ainda que isso aconteça apenas no momento do encerramento do grupo.

Isso faz com que o consórcio ofereça um nível de segurança muito maior quando comparado a outros investimentos disponíveis na praça. Quem escolhe opções mais arriscadas pode se deparar com prejuízos irreversíveis, ou mesmo não ter nenhuma certeza de qual será o retorno ao final do período do investimento.

Atualização de valores e garantia do poder de compra

Periodicamente, as cartas de crédito são reajustadas, junto com o valor das parcelas. Mas calma: isso não deve ser visto como algo ruim, em nenhuma hipótese. Esses reajustes são apenas correções referentes à inflação acumulada no período. Portanto, eles não devem ser encarados como aumentos reais.

Como os consórcios costumam se estender por períodos relativamente longos, é normal que um bem com determinado preço no início tenha ficado mais caro depois de alguns meses ou anos.

Portanto, esses reajustes são fundamentais para proteger o poder de compra da carta de crédito. É preciso garantir que todos os consorciados tenham condições iguais na hora de efetuar a aquisição do seu bem, não importa em que momento tenham sido contemplados. Dessa forma, não há injustiças e o investimento é garantido, do primeiro ao último contemplado.

Os índices adotados para os reajustes variam de acordo com o bem escolhido pelo grupo do consórcio. No caso de imóveis, o mais comum é que o empregado seja o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção), que considera no cálculo o preço dos insumos necessários para a construção de residências em várias partes do país.

Para os veículos, frequentemente são adotadas como referência as tabelas de preços fornecidas pelas montadoras. Além disso, a tabela Fipe (da Fundação de Pesquisas Econômicas) é outro método de cálculo de reajuste escolhido. Tanto a tabela da montadora quanto a da Fipe são usadas apenas quando há um veículo de referência no consórcio.

Quando isso não acontece, os reajustes normalmente são feitos tendo como base o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), considerada a inflação oficial da economia nacional, ou pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Esses índices são usados também pelas demais categorias de consórcios.

Planejamento e disciplina financeira

Dois problemas comprometem a vida de quem tenta se organizar para fazer um investimento de longo prazo: a dificuldade de guardar dinheiro e as compras por impulso.

O consórcio resolve ambos os problemas de uma vez só. Trata-se de uma compra planejada, que obriga o consorciado a fazer uma espécie de poupança programada, cujo objetivo final é aquisição de um bem que vai compor o seu patrimônio.

É como se as parcelas pagas todos os meses fossem um depósito em uma poupança, que tem essa aquisição como objetivo exclusivo. Isso também evita que o dinheiro seja sacado sem necessidade, colocando a perder toda a economia feita. Mas, diferentemente dessa forma de aplicação, por meio dos consórcios é possível receber o bem antes de acumular todo o valor necessário, por meio dos sorteios ou dos lances.

Ou seja, devido ao seu mecanismo, os consórcios funcionam como uma maneira de incentivo à economia, ajudando quem não tem a disciplina necessária para isso. Outro benefício é permitir que a compra seja feita de forma bastante criteriosa e sem afobação. Entre o tempo do começo do consórcio e a contemplação, a pessoa pode analisar com bastante calma todas as opções disponíveis no mercado, em busca daquela que preencha totalmente a sua necessidade.

Vantagens da compra à vista

Quer mais um bom motivo para entender como os consórcios são uma ótima forma de investimento? Quem tem a carta de crédito em mãos consegue negociar descontos com vendedores como se tivesse comprando à vista.

Além dos descontos, isso diminui a burocracia, já que não é preciso aguardar a aprovação após um longo processo de análise, como acontece nos financiamentos. Somando essa possível redução obtida com a negociação de forma à vista e a ausência de juros, a economia gerada na aquisição será considerável.

Como ganhar dinheiro com consórcio?

Mas qual tipo de consórcio é a melhor oportunidade de investimento? Isso vai depender de uma avaliação cuidadosa do seu perfil do investidor. É preciso compreender quais são os seus objetivos, qual é o prazo do investimento e o dinheiro disponível — inclusive para a eventual oferta de lances, visando antecipar a contemplação.

Esses fatores são essenciais, uma vez que, mesmo com inúmeras vantagens, o consórcio não é um investimento para quem procura retornos rápidos. Embora isso seja compensado pela não cobrança de juros e pela segurança na hora de investir.

Assim, os consórcios de imóveis e de veículos, ou a venda de cotas contempladas, acabam sendo a melhor maneira de fazer o dinheiro aplicado render. Para entender como isso é possível, detalhamos essas situações abaixo.

Vender cotas contempladas

Muitas pessoas querem aproveitar as vantagens de uma carta de crédito, mas não têm o tempo necessário para fazer todo o processo comum de um consórcio, desde a formação do grupo até a contemplação. Por isso, a venda de cotas contempladas é uma das maneiras mais comuns de ganhar dinheiro com um consórcio.

A lógica por trás desse tipo de negociação é bastante simples. O indivíduo entra normalmente em um consórcio e faz o pagamento das parcelas, até a contemplação. Depois disso, ele procura alguém interessado em adquirir a cota contemplada. Essa pessoa receberá a carta de crédito e assumirá as demais responsabilidades até o fim do consórcio.

A remuneração para esse negócio se dá por meio do chamado ágio. Para obter um "lucro", quem vende a cota acrescenta um adicional sobre o valor da carta de crédito e o valor que foi pago. Assim, o comprador está adquirindo a vantagem de entrar no consórcio de forma mais rápida.

O processo de compra e venda de cotas contempladas é legal, desde que seja feito com a anuência da administradora e siga as condições previstas em contrato. Além disso, respeitar o que está estabelecido evita golpes, que infelizmente são comuns.

Comprar, vender e locar imóveis

Com os consórcios, é possível formar um bom patrimônio em imóveis e, com isso, angariar uma excelente renda por meio da venda e da locação dessas propriedades. Não é raro encontrar investidores que começaram com apenas um imóvel e depois adquiriram vários outros por meio de novos consórcios.

Funciona assim: imagine que você faz parte de um consórcio de imóveis e paga suas parcelas normalmente até a contemplação. Com a carta de crédito em mãos, você adquire o imóvel, embora ainda tenha que continuar honrando as parcelas até o fim.

Quem escolhe investir em imóveis tem a opção de locar esse primeiro imóvel e, com o dinheiro obtido, ir abatendo as parcelas restantes. Já a fatia do orçamento que era destinada para esse fim pode ser realocada em uma nova cota, que no futuro se transformará em mais um imóvel, formando um círculo virtuoso.

Se o mercado colaborar, fazendo subir o valor dos imóveis, o investidor ainda consegue vender suas propriedades com um bom retorno.

Comprar e vender veículos

Outra opção são os veículos. Eles contam com a vantagem de serem mais acessíveis e, por isso, terem uma rotatividade maior. É possível inclusive fazer bons negócios envolvendo carros seminovos, uma vez que as cartas de crédito dos consórcios permitem a aquisição de veículos nessas condições.

A dica nesse cenário é sempre avaliar a situação do mercado em busca de boas oportunidades, e reinvestir parte do dinheiro obtido nas vendas em novas cotas de consórcio.

Além de ser um guia de como ganhar dinheiro com consórcio, este texto procurou mostrar o desenvolvimento desse setor no Brasil, que fez com ele se consolidasse como um dos mais importantes do mercado. Se não fosse ele, muitas pessoas sem acesso ao crédito não conseguiriam adquirir carros, imóveis e diversos serviços. Tudo isso faz a economia girar, criando sempre novas oportunidades.

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