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Tudo o que você precisa saber sobre lance embutido em consórcio

Dezembro 2018

12 minutos de leitura

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Seja para adquirir bens ou contratar serviços, o consórcio pode ser uma ótima alternativa, sabia? Afinal, além de não exigir o pagamento de grandes quantias mensais, não incluir juros e não demandar entrada, o consorciado ainda tem várias chances de conquistar seu objetivo. Sim, essa é uma excelente possibilidade de investimento!

Na prática, é possível alcançar sua meta tanto por meio de sorteio quanto por meio de ofertas. Aí entra o lance embutido. Neste post completíssimo, vamos apresentar tudo o que você precisa saber sobre esse tipo de contemplação. Confira!

Como entrar em um consórcio?

Antes de efetivamente entrarmos no que é lance embutido, é importante que entenda alguns aspectos básicos sobre o consórcio. Primeiramente, saiba que há 3 maneiras de entrar em um consórcio: por grupo em formação, por cota vaga ou por cota de transferência.

A primeira acontece quando se está no início, com a administradora ainda organizando o grupo de participantes. Enquanto isso, nos casos da segunda e terceira, o grupo já está funcionando, podendo inclusive ter contemplado alguns participantes. O interessado pode contatar a instituição responsável para entrar no consórcio ou comprar a cota de um dos consorciados — desde que a administradora aprove.

Quais são as formas de contemplação?

A verdade é que o sistema do consórcio é bastante amplo. E atenção: toda essa amplitude não está relacionada apenas ao tipo de produto oferecido, viu? É sim possível encontrar grupos interessados em adquirir veículos e imóveis, assim como em contratar serviços que vão de cursos a cirurgias plásticas. Mas a flexibilidade do consórcio se estende também em relação às formas de contemplação!

A conquista da carta crédito pode acontecer de 3 maneiras: por sorteio, pelo fim do consórcio ou por lance. A primeira pode ou não demorar, ocorrendo no primeiro, no segundo, no décimo ou até no último mês. A segunda só acontece no fim do período combinado. Você tem mais pressa? Então fazer um lance pode ser uma boa pedida!

Como o consórcio é regulamentado?

Qualquer ação tomada no âmbito do consórcio é regulamentada pela Lei 11.795, de 2008. É o Banco Central o responsável pela fiscalização de todas as instituições que realizam esse tipo de investimento no Brasil. E não são apenas as administradoras que são fiscalizadas, mas também os grupos reunidos.

No dia a dia, cabe às empresas de consórcio agrupar os membros e realizar a devida gestão dos recursos empregados, além de organizar as assembleias ordinárias para a realização dos sorteios e lances.

Como funciona a contemplação por lance?

De maneira geral, podemos dizer que o lance é uma forma dos consorciados anteciparem sua contemplação em vez de simplesmente contarem com a sorte nos sorteios. Para dar um lance, o interessado deve, de uma forma ou de outra, ter certa quantia extra. Obtém a carta de crédito quem oferece o maior lance.

E a carta crédito?

Ao ser contemplado, o consorciado não recebe o dinheiro propriamente dito. O que ele recebe é um documento que representa o respectivo crédito a que tem direito. Conhecido como carta crédito, esse comprovante é entregue quando o consorciado é sorteado, quando o grupo acaba ou quando seu lance é campeão.

O valor da carta depende do que é estipulado no momento da contratação do consórcio. E a boa notícia é que o custo do bem ou do serviço escolhido não precisa necessariamente ser igual ao da carta! Na prática, caso o valor seja menor, a sobra pode ser usada para pagar as parcelas restantes, por exemplo. Por outro lado, se for maior, o interessado deve arcar com os custos excedentes.

Como as parcelas são determinadas?

As prestações do consórcio têm ligação direta com os custos totais do fundo comum. Isso quer dizer que o valor do crédito para a compra do bem ou para a contratação do serviço é dividido pelo período de pagamento. Vale ressaltar que, além disso, é comum a cobrança de uma taxa de administração. Dependendo da administradora, outros custos podem ser incluídos.

Para não desequilibrar o funcionamento do consórcio e para que todos os participantes consigam conquistar seu objetivo, é importante que os pagamentos sejam feitos em dia. Lembrando que, mesmo quando um membro é contemplando, ela deve continuar pagando as parcelas restantes com o mesmo comprometimento.

Quais os custos de um consórcio?

Na maior parte dos casos, o consórcio é um investimento bem mais barato que o tradicional financiamento. Mas isso não quer dizer que ele não apresente alguns custos adicionais, ok? Além das parcelas, que devem ser pagas todos os meses, os consorciados devem arcar com a taxa de administração. Também pode ser cobrada uma taxa de adesão e um fundo de reserva, bem como, em alguns casos, o pagamento de um seguro.

Funcionando como remuneração da administradora pelos serviços prestados, a taxa de administração pode variar entre 10% a 15%, dependendo do tipo de consórcio. É possível encontrar alguns valores no site do Banco Central.

Já a taxa de adesão oscila de acordo com a administradora, costumando chegar a até 2%. Ela pode ser cobrada apenas uma vez e deve ser determinada no momento do contrato. No caso de consórcios para a aquisição de imóveis, esse valor pode ser dividido em 3 vezes, pago nas primeiras mensalidades.

O fundo de reserva também depende da instituição, mas costuma variar de 2% a 5% do valor do bem ou serviço. A ideia é que esse montante seja usado para arcar com possíveis problemas de inadimplência ou desistência dos membros do grupo. Se nenhuma dessas situações acontecer, os participantes recebem o saldo de volta ao final do consórcio.

A cobrança de seguro também depende da empresa do consórcio. O seguro pode ser oferecido para situações de morte de consorciados ou mesmo quebra de garantia — quando o bem é perdido ou roubado ou quando não há participantes suficientes. É bom ressaltar que, para ser instaurada, essa taxa deve ser aprovada na assembleia.

Quais são os tipos de lances disponíveis?

Via de regra, o lance pode ser feito de 2 maneiras: fixa ou livre. Na primeira, o consorciado faz sua oferta de acordo com o percentual permitido pela administradora. Se mais de um participante fizer uma proposta, um desempate é feito por meio de sorteio. No segundo caso, é permitido ofertar qualquer valor — desde que o participante tenha esse dinheiro disponível, claro.

Como funciona a contemplação por sorteio?

Em um consórcio, todo mês acontece a assembleia geral ordinária. Nesse momento, os membros podem tanto fazer seus lances quanto ser sorteados. Não existe um limite para a quantidade de sorteios que podem ser feitos por mês. Esse ponto depende das regras da administradora.

Nesse sentido, é interessante pensar que se forem muitos os participantes do grupo, aumenta a quantidade de recursos exigida no caixa, sendo necessária a realização de mais de um sorteio por assembleia. Por fim, lembre-se de que os sorteios são imprevisíveis, de forma que um consorciado pode tanto ser contemplado na primeira assembleia como na última.

O que exatamente é o lance embutido?

Agora que você entendeu como as principais questões envolvendo um consórcio funcionam, vamos focar no lance embutido! Você já sabe: para conseguir a carta crédito, o consorciado precisa ser contemplado. Como dissemos nos tópicos anteriores, essa carta corresponde ao valor a que se tem direito para a aquisição do bem ou a contratação do serviço. Pois o lance embutido está relacionado justamente a esse valor!

Em poucas palavras, podemos dizer que o lance embutido acontece quando o consorciado escolhe usar um percentual da sua carta crédito para conseguir fazer uma oferta mais competitiva.

Para ilustrar melhor como um lance embutido funciona, vamos a um exemplo. Imagine que você está participando de um consórcio para adquirir um imóvel com carta de crédito de 200 mil reais. Ao optar por fazer um lance embutido de 20%, você se compromete a entregar 40 mil reais desse montante em troca de antecipar sua contemplação. Sendo assim, se sua proposta for aceita, você terá 160 mil para adquirir seu imóvel.

É bom que saiba que todas as formas de lance apresentam um limite de quantia ofertada, o que é determinado pela administradora no momento da assinatura do contrato. Geralmente, o percentual máximo para se fazer o lance embutido é de 30%.

É possível usar o FGTS junto com o lance embutido?

No caso específico dos consórcios de imóveis, os participantes podem sim usar o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para fazer uma espécie de proposta e tentar antecipar a contemplação. Para isso, o consorciado deve apresentar o extrato da sua conta de FGTS. Dependendo do caso, pode-se usar todo o valor do benefício.

Nesse cenário, se a carta de crédito for de 100 mil reais e o FGTS for de 30 mil, o participante pode usá-lo para dar um lance! Caso seja vitorioso, a administradora libera 70 mil reais para a aquisição do bem. Entenda: o valor da carta não é descontado. Nesse caso, o que acontece é que os 30 mil retirados não são usados para pagar o lance, mas sim para quitar parte do bem antecipadamente. Dessa forma, o restante pode ser usado para completar a compra.

Dá para juntar o lance embutido com uma quantia própria?

Uma das grandes vantagens do lance embutido é que, assim como o consórcio em si, ele é bastante flexível. Então anote aí: é sim possível fazer uma combinação entre esse modelo de lance e os outros tipos — fixo e livre. Isso é permitido, claro, de acordo com o que foi determinado no contrato do consórcio.

O consorciado pode, por exemplo, fazer uma oferta de lance embutido de 30% mais uma proposta à parte, com recursos próprios, de 20%, somando 50%. Assim, em uma carta de crédito de 100 mil reais, o lance total seria de 50 mil.

Quais são as vantagens e desvantagens do lance?

Assim como qualquer outro processo financeiro, o lance embutido também apresenta vantagens e desvantagens. Para entender melhor, separamos aqui as principais. Confira!

Vantagens

Acelera a contemplação

Um dos grandes benefícios do lance embutido é o auxílio que dá ao consorciado para a conquista da sua carta crédito. Isso porque, mesmo com um valor mínimo de 15%, ele ajuda os interessados a chegarem mais perto dos bens desejados, independentemente dos sorteios.

Como o tempo do consórcio depende da quantidade de sorteios e de membros do grupo, pode demorar até que todos consigam a carta crédito. Imagine, por exemplo, que o consorciado encontrou o veículo que queria por um ótimo preço, mas ainda não foi sorteado. O lance embutido pode resolver esse problema!

Garante flexibilidade

Como salientamos, é possível juntar o lance embutido com outros tipos de oferta. Dessa forma, o consorciado consegue ter uma quantia mais significativa para fazer sua proposta. Com essa opção, o participante consegue acelerar sua contemplação ao ver aumentadas as chances de seu lance superar os demais, saindo vitorioso.

Não apresenta restrições

Qualquer membro do consórcio tem direito a fazer um lance embutido — inclusive ao mesmo tempo que outros participantes. Todos têm, portanto, as mesmas oportunidades de conseguir a contemplação por lance embutido.

Desvantagens

Diminui o crédito disponível

Como é feito um desconto no valor total da carta crédito ao fazer o lance embutido, o consorciado fica com menos recursos para fazer a compra. Por causa disso, no entanto, ele tem mais chances de ser contemplado e até de diminuir o valor das parcelas.

Mantém as taxas

Mesmo ao fazer uma proposta de lance embutido, o consorciado não fica isento de pagar as taxas do consórcio. Sendo assim, apesar de receber uma carta de crédito menor, isso não afeta os custos das taxas calculadas sobre o valor das parcelas.

Como calcular o valor do lance?

Tanto os lances padrões como os lances embutidos precisam de uma boa avaliação, principalmente em relação ao valor ofertado. Para saber quanto oferecer, a melhor tática é analisar os movimentos do grupo antes de fazer seu lance. Participar das assembleias e se informar sobre o histórico de lances são boas formas de criar uma boa proposta.

Mas é interessante lembrar que, mesmo não fazendo um lance campeão, você ainda pode ser sorteado, obtendo assim sua carta crédito. Além disso, procurar por grupos que já estavam funcionando há algum tempo pode facilitar as chances de conseguir ser contemplado por meio de lance. O que acha da ideia?

Outro ponto importante diz respeito ao tipo de oferta. Geralmente, propostas muito baixas não costumam trazer um resultado satisfatório. Se perceber que tem menos de 10% do valor total para dar o lance, costuma valer a pena esperar mais um pouco, já que um lance de 30% a 50% normalmente é a melhor estratégia. Mas voltamos a destacar: observe o grupo, veja quais foram os lances feitos antes e quais valores obtiveram sucesso.

Caso consiga juntar a quantia suficiente, fique de olho na concorrência de propostas. O ideal é optar por meses sem tantas ofertas, aumentando assim suas chances de vitória. Períodos em que as pessoas não têm tanto dinheiro por precisarem lidar com gastos extras da vida pessoal podem ser favoráveis — épocas de festas, como Natal, são promissoras.

De forma geral, o cálculo de um lance vai depender do comportamento do grupo e também da quantidade de dinheiro que você tem disponível. Por isso, é importante ser paciente e não desanimar caso sua primeira proposta não seja aceita para não sair no prejuízo durante o processo.

Como evitar prejuízos com o lance embutido?

Como você viu, o lance embutido apresenta algumas vantagens bem interessantes, principalmente quando a intenção é acelerar a contemplação. Mas isso não quer dizer que o seu resultado será sempre satisfatório! É preciso tomar certos cuidados para o consorciado não ficar sem dinheiro.

Primeiramente, saiba que não é obrigatório usar a porcentagem máxima permitida no lance. É interessante que o consorciado tenha uma estratégia em mente e que se informe sobre as normas da administradora, sobretudo a respeito dessa modalidade. Como a precipitação pode levar ao erro, ter paciência e analisar o momento certo para fazer o lance é a melhor atitude.

Em alguns casos, por exemplo, você pode chegar à conclusão de que é melhor fazer um lance com seu próprio dinheiro, desistindo do embutido. Enquanto isso, em outras situações, você pode usar essa tática dando um valor menor, como 20%, evitando assim perder parte da carta crédito ao mesmo tempo em que consegue a contemplação antecipada.

Dito isso, fica fácil perceber que a decisão depende exclusivamente da sua avaliação do momento, não é mesmo? Só é bom relacionar essa decisão com suas verdadeiras necessidades. Se para você é urgente obter um imóvel, a rapidez provavelmente falará mais alto que o preço, certo? Assim, talvez um lance embutido seja a melhor estratégia, mesmo que tenha que escolher uma casa menor devido ao desconto no crédito.

O que fazer depois de contemplado?

Você finalmente foi contemplado? A partir daí, é preciso tomar algumas atitudes. Veja o que fazer a seguir!

Separe os documentos

Na prática, como cada consórcio tem seus próprios requisitos, os documentos exigidos vão depender da administradora contratada. Mas há sim exigências comuns, como ficha de cadastro completa e assinada, cópias dos documentos de identificação (RG ou CNH, CPF ou CNPJ), cópia de comprovante de residência em nome do consorciado e comprovante de renda.

Comprove sua renda

Especificamente em relação à comprovação de renda, o consorciado pode ser tanto uma pessoa física quanto jurídica. Em ambos os casos, porém, é preciso tomar algumas providências, como apresentar a declaração anual do Imposto de Renda e também o comprovante de entrega.

Para trabalhadores de maneira geral, inclusive profissionais liberais, é necessário a entrega dos últimos 3 contracheques, além de cópias das páginas da carteira profissional que contenham foto, qualificação e último registro. Aposentados precisam fornecer cópia do cartão do benefício e o último comprovante de pagamento. Empresários, agricultores e autônomos só precisam entregar a declaração do Imposto de Renda.

Entenda as especificidades

Por mais que o consórcio possa ser usado para conseguir diferentes tipos de bens e serviços, os mais populares continuam sendo aqueles para a conquista de imóveis e veículos. São justamente esses os grupos de seu interesse? Então aproveite para entender suas especificidades!

No caso dos consórcios para automóveis, por exemplo, a exigência é de alguns documentos que comprovem as condições do veículo, como modelo, ano de fabricação, marca e número de chassi. Depois de enviados tais documentos e estando tudo certo, a administradora dará ao consorciado a autorização para a compra do veículo. Para tanto, é necessário preparar os seguintes documentos: nota fiscal original ou DANFE, cópia do Documento Único de Transferência (DUT), nota promissória assinada, contrato de alienação fiduciária devidamente assinado e com firma reconhecida.

Em relação aos imóveis, as possibilidades são um pouco mais amplas. É possível, por exemplo, usar o dinheiro da carta crédito para adquirir até terrenos ou fazer reformas! Escolhido o bem, é necessário comprovar que ele está regulamentado judicialmente — sem nenhum tipo de ação civil ou fiscal. Deve-se também entregar os seguintes documentos: cópia da certidão de estado civil, documento particular com valor de escritura pública, certidão de valor venal e negativa de tributos municipais, matrícula do imóvel atualizada.

Parta para a compra

Após enviar os devidos documentos e comprovar que está tudo de acordo, o consorciado pode partir para a compra do seu tão sonhado bem de interesse. É bom destacar que o contemplado não recebe qualquer dinheiro em espécie da administradora, mas sim uma carta de crédito. Basta apresentá-la ao vendedor para validar o pagamento.

Um detalhe importante é que, mesmo que o cliente tenha sido contemplado e ainda existam parcelas do consórcio para quitar, ele deve continuar pagando até liquidar o valor total do consórcio. Lembre-se, afinal, de que os outros consorciados ainda precisam ser contemplados!

Indiscutivelmente, o consórcio é uma das maneiras mais eficientes para alguém conseguir bens ou contratar serviços de maior valor. Além disso, como pudemos ver durante o texto, é um tipo de investimento bastante flexível, que traz muitas possibilidades para os consorciados alcançarem seus objetivos.

Só relembrando: o participante pode esperar até ser sorteado durante uma das assembleias ou pode fazer uma oferta para tentar antecipar esse momento. Nesse caso, o consorciado ainda pode escolher entre fazer uma proposta fixa, livre ou um lance embutido. Na última modalidade, apesar de ter uma parte da sua carta de crédito descontada, as chances de contemplação aumentam!

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