Reforma da previdência: entenda como ela afeta suas finanças

Abril 2020

5 minutos de leitura

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Com a aprovação das novas regras da Previdência Social em 2019, é claro que várias dúvidas acabam surgindo. Nesse contexto, uma pergunta que simplesmente não quer calar é: como isso afeta o planejamento financeiro de longo prazo para as pessoas garantirem uma aposentadoria tranquila?

Pois vamos mostrar neste post como ficaram as regras da aposentadoria depois da reforma da previdência e qual a melhor forma de agir desde já para ter uma vida sossegada ao parar de trabalhar. Confira!

A mudança na idade mínima

Até antes da reforma, não havia idade mínima para a aposentadoria. Só era preciso completar o tempo de contribuição e, a partir disso, homens com pelo menos 65 anos aposentavam-se com salário integral, enquanto mulheres precisavam ter 60 anos.

Contudo, a partir de agora, essas serão as idades mínimas para a solicitação do benefício, com um pequeno ajuste para as mulheres, que deverão ter ao menos 62 anos. Ou seja, mesmo que o tempo de contribuição (do qual falaremos mais abaixo) tenha sido alcançado, pessoas com idades inferiores a essa não poderão se aposentar pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Essa regra conta com exceções, que englobam algumas categorias profissionais. Para trabalhadores rurais, como produtores ou pescadores artesanais, esses números caem para 60 e 55 anos para homens e mulheres, respectivamente.

A mesma regra vale para professores (cujas idades mínimas serão 57 e 60, para mulheres e homens) e para profissionais da segurança pública, como agentes penitenciários e policiais federais (para eles, o patamar etário é de 55 para ambos os sexos).

O novo tempo de contribuição

Além de ter uma idade mínima, o contribuinte também precisa ter contribuído por um certo período para ter acesso à aposentadoria pelo INSS. Até então, a carência era de 180 contribuições ou 15 anos.

Com a reforma, quem já está no mercado de trabalho ainda mantém esse tempo mínimo de contribuição. Já para futuros ingressantes do sexo masculino, o tempo mínimo de contribuição deverá ser de 20 anos.

Servidores públicos da esfera federal deverão contribuir mais tempo, até alcançar 25 anos. Desse período, ao menos 10 devem ter sido no serviço público e 5 anos no cargo no qual a aposentadoria for solicitada. As regras diferenciadas também valem para professores e agentes de segurança pública.

A forma de cálculo do benefício

A forma como os benefícios serão calculados foi outra mudança sensível imposta pela reforma da previdência. Antes dela, na hora de fazer o levantamento para saber o valor do benefício a ser pago, eram desconsiderados da média os 20% mais baixos. Com isso, a média acabava ficando um pouco maior.

A partir de agora, todo o histórico de contribuição será colocado na conta do cálculo do benefício. Além disso, solicitações de aposentadoria com o tempo mínimo de contribuição terão direito apenas a 60% do valor integral do benefício.

A cada ano adicional acima do tempo mínimo de contribuição serão acrescidos 2 pontos percentuais na composição dos benefícios. Logo, para receber um benefício equivalente à média de 100% das contribuições, será preciso contribuir por 40 anos (no caso dos homens) e 35 (para as mulheres).

As regras de transição

São várias as regras para transição impostas pela reforma da previdência. Todas elas têm como objetivo suavizar as mudanças para trabalhadores que já estão no mercado de trabalho ou mesmo prestes a se aposentar pelas regras antigas.

Essas regras envolvem sistemas de pontos ou pedágios compensatórios. Elas são complexas, e explicá-las neste conteúdo pode tirar o foco das mudanças centrais causadas pela reforma. De todo modo, como o trabalhador pode escolher aquela mais vantajosa de acordo com sua situação, vale a pena informar-se e ver se você é contemplado por alguma delas.

Os investimentos para uma boa aposentadoria

Já deu para perceber que se aposentar com tranquilidade pela Previdência Social vai ficar mais complicado, não é mesmo? Por isso, vale a pena pensar em investimentos de longo prazo para garantir uma aposentadoria tranquila. O ideal é o que investimento comece a ser feito o mais cedo possível. Assim, o volume total, lá no fim, será maior, sem que para isso você precise fazer grandes sacrifícios.

Poupança

Em um primeiro momento, a caderneta de poupança surge como principal alternativa. Ela é um investimento seguro e acessível, mas rende pouco, principalmente no atual cenário econômico, de Selic em queda há muito tempo. Isso faz com que seus rendimentos muitas vezes não superem a inflação acumulada no período, fazendo com que o dinheiro investido perca poder de compra.

Com isso, outros investimentos, principalmente em renda fixa, podem ser mais interessantes. Um dos mais populares e que ganha cada vez mais espaço é o Tesouro Direto.

Tesouro Direito

Nele, o investidor coloca seu dinheiro em títulos públicos emitidos pelo governo e recebe em troca uma rentabilidade, normalmente atrelada à Selic ou à inflação. Os títulos do Tesouro Direto são extremamente seguros e oferecem retornos superiores à poupança. Além disso, é fácil de investir neles (estão disponíveis em bancos e corretoras), e é possível começar com bem pouco.

CDBs (Certificados de Depósito Bancário)

Similares aos títulos públicos, os CDBs são emitidos por bancos. Dessa forma, quem investe neles recebe em troca parte da rentabilidade obtida pela instituição financeira, que utiliza o dinheiro captado para financiar suas atividades.

Os CDBs costumam ter sua rentabilidade calculada de forma parecida com o Tesouro Direto. A dica, nesse caso, é explorar alternativas de bancos menores, que tendem a oferecer rentabilidade mais atrativa.

Fundos de investimento

Para quem quer ir além das opções de renda fixa, uma saída pode ser investir nos fundos de investimento, que reúnem recursos de diversos investidores, que os aplicam de acordo com uma estratégia definida por um gestor especializado. Aqui, a questão é avaliar o peso dos impostos e das taxas, uma vez que elas podem comprometer a rentabilidade obtida.

Previdência privada

Também vale a pena avaliar os serviços de previdência privada, que complementam sua renda de aposentado. Só é importante saber desde já que esse investimento pode ser taxado pelo Imposto de Renda, seja na contribuição anual, seja no saque. De toda forma, os planos de previdência privada podem servir como um ótimo complemento de renda para quando a hora de parar de trabalhar chegar.

Consórcio

Por fim, considere investir em um bem durável, como um carro ou um imóvel. É possível realizar esse investimento sem sacrifícios com um consórcio. Nesse caso, o tempo de pagamento é definido pelo consorciado, as parcelas não sofrem reajustes de juros, e a segurança da transação é garantida pelo Banco Central. Não parece perfeito?

A reforma da previdência é uma nova realidade para todos os trabalhadores. Logo, é importante encontrar formas de se planejar para lidar com ela da melhor maneira possível. E isso passa também por uma avaliação da sua situação. Assim, será mais fácil encontrar a combinação de investimentos mais adequada para a sua realidade, sempre visando uma aposentadoria mais tranquila.

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