310887-entenda-tudo-sobre-revisao-veicular

Entenda tudo sobre revisão veicular

Novembro 2019

11 minutos de leitura

Compartilhe
Compartilhe pelo Facebook Compartilhe pelo WhatsApp

Para algumas pessoas ter um carro é um conforto, enquanto para outras trata-se de uma necessidade. Contudo, seja para trabalhar, para viajar, fazer passeios em família ou simplesmente para resolver questões do dia a dia, realizar a revisão veicular periodicamente é essencial para manter a conservação do automóvel e garantir a segurança do motorista e dos passageiros.

Comprovando esse fato, uma pesquisa feita pelo Instituto Scaringella Trânsito indicou que a ausência de manutenção preventiva dos veículos está relacionada a 27% dos acidentes rodoviários e urbanos no Brasil. O que acontece, entretanto, é que muitos proprietários de automóveis são resistentes quando o assunto é levar o carro para revisão. Por não saberem exatamente o que deve ser avaliado, muitos têm receio de serem lesados ou mesmo não compreendem a importância do procedimento. 

Por isso, hoje vamos desmistificar algumas questões sobre a revisão veicular e responder as dúvidas mais comuns sobre o assunto. Confira a seguir o que exatamente é a revisão veicular, quando ela deve ser feita, que peças e sistemas são contemplados e quais as diferenças entre a revisão em uma concessionária e em uma oficina mecânica. Continue com a leitura e entenda tudo sobre o assunto!

O que é a revisão veicular?

A revisão veicular consiste em uma checagem preventiva do estado de desgaste de sistemas críticos do carro. Ela garante tanto a segurança dos passageiros como a preservação do automóvel contra danos materiais.

Desse modo, prolonga a vida útil do veículo, evitando grandes prejuízos e impedindo uma depreciação acelerada — sendo esse um aspecto fundamental para conseguir bons negócios em uma ocasional venda.

De forma simplificada, pode-se dizer que a revisão é o equivalente a um “check-up” do carro. Nela, são feitas calibragens e reparos a fim de garantir um melhor rendimento de todas as peças do veículo.

Contudo, lembramos que isso não é o mesmo que uma vistoria. Enquanto a revisão avalia a “saúde” do carro, uma vistoria se preocupa em verificar se as condições de circulação estão  de acordo com a lei e identificar possíveis alterações nos padrões de fabricação — como troca das peças originais. Ela, normalmente, é realizada em operações de alienação e contratação de seguros.

Na revisão veicular, caso sejam detectados problemas e falhas relacionadas a defeitos ou desgaste em peças e sistemas, a concessionária ou oficina substituirá, de forma preventiva, os elementos defeituosos.

Logo, podemos constatar que a revisão é fundamental por dois motivos principais: proteção e economia. Ou seja, em primeiro lugar, ela garante que o veículo não representará nenhum risco de acidentes. 

E, em segundo, acaba sendo uma forma de economia, uma vez que um problema em uma peça, quando detectado com antecedência, é mais barato de se solucionar do que depois de já ter comprometido outras partes do veículo. Assim, ao se realizar a revisão veicular preventiva, evita-se a necessidade de fazer uma revisão de emergência que custará muito mais caro.

Quando ela deve ser feita?

É claro que os componentes do carro vão se desgastando naturalmente. Por isso, deve-se sempre estar atento aos prazos recomendados para substituição e manutenção de peças. Vale lembrar aqui que cada montadora tem suas próprias regras, logo, veículos de modelos e marcas diferentes podem ter indicações distintas acerca da periodicidade da revisão. 

Então, é importante consultar o manual do automóvel para encontrar orientações mais específicas sobre quando ela deve ser feita e quais concessionárias estão autorizadas a prestar serviços e trocar peças.

Existem, contudo, algumas situações nas quais é altamente recomendado fazer a revisão veicular. A principal delas é quando se programa uma viagem. Fazer a revisão antes de viajar garantirá maior segurança e tranquilidade ao motorista e aos passageiros.

Isso porque, na revisão são identificados problemas que o proprietário ainda não tinha percebido, e, de forma preventiva, realizam-se reparos e substituição de peças defeituosas — que, do contrário, poderiam causar um grande estorvo durante o percurso. 

O ideal, para que se tenha tempo hábil de realizar reparos mais complexos, caso seja necessário, é levar o veículo para manutenção com pelo menos uma semana de antecedência em relação à data programada para viagem.

Outra situação em que se deve fazer a revisão é em processos de compra ou venda do veículo. Nesse caso, além da vistoria, deve-se realizar a manutenção para garantir que o automóvel está em bom estado e não precisará passar por reparos e trocas de peças em um curto período de tempo — o que representaria um prejuízo para a negociação.

Há, ainda, parâmetros gerais, que indicam para o proprietário, de forma independente, se está na hora de levar o carro para uma revisão. Esses prazos são fundamentados em dois critérios principais: tempo e quilometragem.

A lógica na definição desses pontos é simples. No primeiro, que leva em conta o desgaste do tempo mesmo se o carro não estiver em uso contínuo, a revisão deve ser feita a cada seis meses. Já pela quilometragem, entende-se que com o uso intenso do veículo há um maior desgaste das peças. Logo, é recomendado que se faça a revisão a cada 10 mil quilômetros rodados.

Embora isso já sirva de base para saber quando se deve levar o carro para a revisão, algumas peças do veículo também têm parâmetros guiados pela quantidade de quilômetros rodados, que indicam quando devem ser trocadas. Os principais são: 

  • alinhamento e balanceamento: a cada 10 mil km;
  • filtro de combustível: a cada 15 mil km;
  • filtro de ar do motor: a cada 15 mil km;
  • velas de ignição: a cada 20 mil km; e
  • fluído de freio:  a cada 20 mil km.
  • palheta de para-brisa: de 20 mil a 40 mil km;
  • coifas de transmissão: de 20 mil a 40 mil km;
  • válvula termostática: de 40 mil a 60 mil km;
  • correia do comando de válvulas: de 40 mil a 60 mil km;
  • pneus: de 60 mil a 80 mil km;
  • suspensão: de 60 mil a 80 mil km;
  • amortecedor: de 60 mil a 80 mil km;
  • mangueiras de combustível: de 60 mil a 80 mil km.
  • bateria: mais de 100 mil km;
  • sensores do motor: mais de 100 mil km;
  • sistema de freios: mais de 100 mil km.

Quais são os sistemas e peças contempladas na revisão?

Para entender melhor quais componentes serão contemplados na revisão, é preciso que eles sejam analisados dentro dos seus respectivos sistemas. Veja abaixo a função de cada um deles e as peças que são verificadas na revisão!

Sistema elétrico

O sistema elétrico compreende os componentes que armazenam, transferem e regulam a intensidade da eletricidade que o carro precisa para funcionar. Logo, a sua atividade está diretamente ligada ao desempenho de várias outras peças de um veículo. 

Por isso, falhas nesse sistema podem ter consequências graves — tanto em relação à segurança quanto ao desgaste de outras peças. E como há cada vez mais componentes elétricos nos novos modelos de veículos, a revisão do sistema é crucial para a manutenção do automóvel como um todo.

As principais peças do sistema elétrico são a bateria e o alternador . A bateria é responsável por armazenar a toda a energia e o alternador por recarregar a bateria na medida em que o motor funciona. Na revisão confere-se a qualidade do alternador, a descarga da bateria e os fios de aterramento, lâmpadas e fusíveis. 

Sistema de motorização

O sistema de motorização, basicamente, consiste nas peças que fazem parte do funcionamento do motor — que é o “coração” do carro. Ele compreende, ainda, outros sistemas auxiliares como o de arrefecimento e lubrificação.

O arrefecimento mantém a temperatura ideal de trabalho do veículo, impedindo que ela fique alta ou baixa demais — o levaria ao derretimento dos componentes e dificuldade de ligar o carro, respectivamente. A lubrificação, por sua vez, possibilita que as peças tenham menos atrito entre si, evitando o superaquecimento e o rompimento dos componentes. 

O sistema de motorização é responsável por transformar o combustível utilizado no automóvel em energia mecânica por meio da combustão, e, assim, dar a impulsão necessária para colocar o veículo em movimento. Logo, ele caracteriza-se como um dos sistemas mais importantes do automóvel; e mínimos problemas em seus componentes podem impedir a locomoção do carro. 

Na revisão deve-se verificar o nível de água do radiador, o nível do óleo motor, o filtro de combustível, o filtro de ar, a correia dentada e os tensionadores.

Sistema de exaustão

O sistema de exaustão é responsável por eliminar os resíduos e ruídos produzidos pelo veículo. Ele é composto basicamente de duas partes: o exaustor e o escapamento. 

Por filtrar os gases liberados, tal sistema cumpre o papel de reduzir os efeitos nocivos que poderiam ser causados ao meio ambiente. No mais, tem a função de diminuir os barulhos emitidos pelo sistema de motorização — mais especificamente pelo escapamento — até o nível seguro determinado pela lei.

Na inspeção, esse sistema costuma passar justamente pela avaliação de emissão de poluentes e ruídos. Para isso, são verificados o coletor de gases do motor, o abafador de ruídos e o catalisador de gases. 

Sistema de transmissão

As principais peças do sistema de transmissão são o câmbio e embreagem. A sua função é levar a quantidade certa de força mecânica, produzida pelo motor, até as rodas do veículo — o que é feito por meio de engrenagens, polias, eixos e correias. Portanto, ele é muito importante para realização das manobras realizadas pelo veículo.

A embreagem permite que não se force o motor além do necessário, auxiliando no desempenho correto do carro em subidas ou descidas. Quando esse sistema apresenta algum defeito, o motor pode sofrer um desgaste mais forte e acelerado. 

Na revisão do sistema de transmissão são conferidos o nível e validade do óleo de câmbio, a altura da embreagem, o corrimento engates das marchas e a regularidade das peças.

Sistema de suspensão e direção

O sistema de suspensão e direção é responsável por garantir a estabilidade do veículo e a sua dirigibilidade, absorvendo o impacto gerado por irregularidades no chão. A suspensão mantém a estrutura e as rodas estáveis e aderentes ao solo, auxiliando tanto no desempenho do automóvel quanto no conforto dos passageiros. Já a direção trata das questões relacionadas ao tempo de resposta do volante, balanceamento e alinhamento do veículo. 

Devido à função que cumpre, esse sistema também é fundamental para que o veículo possa ser conduzido com segurança e confiança. Na revisão, são verificadas molas e amortecedores (essenciais na frenagem), o balanceamento (para restaurar o equilíbrio de peso) e alinhamento do veículo (que regula os ângulos de direção do carro), além da conservação dos pneus e estepe. 

Sistema de freios

O sistema de freios, também conhecido por sistema de frenagem, compreende as peças responsáveis por controlar e reduzir a velocidade do veículo, assim como por fazê-lo parar. Logo, o seu funcionamento adequado é imprescindível para a performance do carro e para a segurança dos passageiros. 

Na revisão desse sistema deve-se verificar os fluídos, discos e pastilhas de freio, além de componentes como cilindros mestres e pinças.

Sistema de injeção eletrônica e ignição

O sistema de ignição é responsável por criar a combustão através da mistura do ar com o combustível, propiciando o funcionamento do veículo. Já a injeção eletrônica auxilia no rendimento do motor por meio da medição de sensores e controle eletrônico das quantidades de combustível disparadas no sistema de ignição.

Nesse sentido, problemas no sistema de injeção fazem com que não seja consumida a quantidade adequada de combustível, prejudicando o desempenho do carro. Na ignição, caso haja falhas, o motor não conseguirá trabalhar, ou seja, não será possível ligar o carro. 

Na revisão, os principais componentes contemplados são os cabos e velas, e, normalmente, é feita a varredura e limpeza do sistema de injeção eletrônica.

Sistema de segurança

O sistema de segurança compreende todas as peças voltadas para a proteção dos passageiros. Seu papel é diminuir os riscos de acidentes e, caso ocorram, visa minimizar os possíveis danos sofridos. Os componentes desse sistema podem ser separados em duas categorias distintas: os itens de segurança ativa e os itens de segurança passiva. 

O primeiro grupo abrange, inclusive, algumas das peças citadas anteriormente. Nele estão os pneus, suspensão, faróis de iluminação, vidros, espelhos, extintor de incêndio, apoio à condução e sistemas multimídia. No segundo encontramos os airbags, cintos de segurança, barras protetoras e peças de carroceria feitas para absorção de impacto. Todos esses componentes devem passar pela revisão.

Quais as diferenças entre a revisão com concessionária e com oficina mecânica?

Embora o processo de revisão veicular seja essencialmente o mesmo, existem algumas diferenças pontuais entre fazer a revisão com a concessionária autorizada e com a oficina mecânica.

Normalmente, os proprietários de carros 0 km, durante a vigência da garantia de fábrica do veículo, levam o veículo exclusivamente em concessionárias autorizadas. Esse hábito é comum no Brasil, pois costuma se tratar de uma exigência das montadoras para que sejam respeitadas as garantias de fábrica sobre os automóveis.

Já proprietários de carros seminovos e usados costumam evitar levar o seu veículo para a revisão em concessionárias. Isso porque é muito comum que tenham, próximo de sua residência, uma oficina ou mecânico com o qual podem contar quando precisam de algum tipo de manutenção. 

Nesses casos há uma maior flexibilidade quanto a prazos, preços e horários de atendimento. Contudo, deve-se ficar atento, pois em uma oficina não autorizada existe a possibilidade de adquirir peças desgastadas e de qualidade inferior. Além disso, alguns mecânicos podem persuadir o proprietário do veículo a adquirir serviços e realizar manutenções que não são necessárias no momento. Portanto, fazer a revisão do carro em uma oficina sempre envolve um certo nível de risco.

Além do quesito confiança em profissionais certificados e especializados, a revisão em concessionárias autorizadas se destaca por ser mais cuidadosa e aprofundada, o que dá uma maior tranquilidade em relação à qualidade dos serviços prestados. Outros benefícios consistem no fornecimento de melhores garantias de procedência e durabilidade de peças, além de carimbos de revisões periódicas no manual, que valorizam o veículo na hora da venda.

Logo, a escolha está diretamente relacionada à sua preocupação em conservar o veículo da melhor forma possível — sendo a revisão em concessionária mais recomendada para realização dos serviços de forma segura e eficiente.

O que é fato e o que é mito na revisão veicular?

Quando falamos de revisão veicular é comum que os proprietários e motoristas menos experientes tomem alguns mitos como fatos e coloquem certos fatos em dúvida. Para esclarecer o tema, desvendamos a seguir o que é ou não verdade na revisão veicular. Acompanhe e tire todas as suas dúvidas!

Na revisão é feita a descontaminação do motor

Muitos proprietários de veículos acreditam que na revisão deve ser feita a “descontaminação do motor”. Esse procedimento consiste em uma limpeza profunda do motor para eliminação de resíduos que ficam depositados ali em função do desgaste de filtros de ar e de outros componentes. 

Porém, a verdade é que, se as peças do sistema de exaustão estiverem com a manutenção em dia, a descontaminação do motor só é necessária depois de rodados 30 mil km.

Revisão gera economia

Fazer a revisão veicular periodicamente gera economia no longo prazo. A manutenção preventiva garante que nenhum sistema ou componente será levado ao limite de seu desempenho. Assim, evita panes generalizadas cujo conserto sairia muito mais caro. 

Modelos populares têm revisão mais barata

Essa não é uma regra, mas costuma ser verdade. Isso se deve ao fato de que carros mais novos, e com mais acessórios e componentes, levam a uma revisão mais trabalhosa. Além disso, muitas modelos mais caros não têm peças disponíveis no mercado brasileiro e, para que seja realizada a troca, elas precisam ser importadas — o que acaba pesando no orçamento da concessionária ou oficina.

Carros com menos de três anos não precisam ser revisados

A ideia de que carros com menos de 3 anos não precisam passar por revisão está totalmente equivocada. Como mencionado anteriormente, o recomendado é se fazer a revisão a cada seis meses ou 10 mil quilômetros rodados. E ainda há a revisão que se precisa ser realizada antes de pegar a estrada, mesmo em trajetos relativamente curtos.

Carros parados não precisam de revisão

Trata-se de outro mito. Mesmo que o carro esteja parado na garagem, ou seja pouco utilizado, algumas peças e componentes têm prazo de validade e podem se desgastar sem que estejam sendo usadas. Além disso, a revisão deve ser feita para que se evite a depreciação acelerada do veículo.

Carros dão sinais quando têm algum problema

Essa afirmação geralmente é verdadeira. Motoristas experientes sabem identificar por barulhos e respostas de desempenho de sistemas quando o automóvel está ameaçando algum problema. 

Porém, esperar essa manifestação para levar o carro para a revisão é altamente imprudente. Se o veículo está dando sinais de problemas, quer dizer que já está passando da hora de revisar e, provavelmente, tem peças que estão no limite do desgaste.

Deve-se misturar aditivos na água do radiador

Como vimos, a água do radiador é o principal componente do sistema de arrefecimento. Contudo, muitos motoristas não sabem que é preciso misturar à água aditivos anticorrosivos para prolongar a vida útil das peças. 

Essa mistura faz com que o contato com o líquido não leve a uma oxidação acelerada dos componentes metálicos do sistema. É importante destacar que os aditivos não precisam ser adicionados sempre que se troca a água do radiador, porém, é recomendado fazê-lo quando se leva o veículo para uma revisão.

Ser proprietário de um automóvel envolve diversos cuidados e preocupações, que vão desde o preço do combustível, parcelas de financiamento ou consórcio e tipos de seguro que se pode adquirir e até a necessidade de uma revisão veicular periódica. 

Contudo, agora você chegou até aqui, já viu praticamente tudo o que precisa saber sobre a revisão veicular. Então, da próxima vez que for levar o seu carro até a concessionária ou oficina entenderá melhor quais serviços devem ser feitos e quais as peças e componentes dos sistemas serão avaliados. 

Se você gostou desse conteúdo e quer se manter bem informado, assine a nossa newsletter e receba o melhor conteúdo sobre o segmento automotivo diretamente no seu e-mail!

Comentários