Suicídio financeiro

Suicídio financeiro: saiba o que é evite entrar nessa

Janeiro 2019

12 minutos de leitura

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Para a maior parte das pessoas, cuidar das finanças é um grande desafio. Você sabia que, segundo uma pesquisa realizada pela revista Veja, mais de 62% das famílias brasileiras estão endividadas? Infelizmente, muita gente comete o chamado suicídio financeiro ao tomar decisões impensadas no que diz respeito ao dinheiro.

Como diz Gustavo Cerbasi, autor do best-seller "Casais Inteligentes Enriquecem Juntos", um dos maiores especialistas em finanças pessoais no Brasil, "enriquecer é uma questão de escolha". No entanto, como sabemos, a educação financeira ainda não está presente nas escolas nem boa parte dos lares em nosso país. Como consequência, fazer boas escolhas torna-se algo bastante improvável dentro do contexto da nossa população.

De qualquer forma, é sempre possível buscar informações para mudar essa realidade — e é justamente essa a intenção deste artigo. A partir de agora falaremos sobre:

  • o que é suicídio financeiro;
  • situações mais comuns em que as pessoas cometem suicídio financeiro;
  • como evitar esse problema.

Por isso, se você anda se perguntando "onde investir meu dinheiro", pode começar desenvolvendo consciência financeira para cuidar com carinho do seu dinheiro e realizar os seus planos de vida com o auxílio deste conteúdo! Vamos lá?

Afinal, o que é suicídio financeiro?

O termo suicídio financeiro diz respeito àqueles erros capazes de arruinar a vida financeira de uma pessoa ou até mesmo de uma família.

Sabe aquelas decisões que tomamos em relação ao dinheiro e, mais tarde, nos arrependemos amargamente? Pois é, essas são atitudes que podem levar à "morte" na área das finanças.

Em outras palavras, sempre que você compromete sua renda de forma irresponsável, você está cometendo uma espécie de suicídio — ao menos no que se refere ao seu patrimônio. Ou seja, está puxando seu próprio tapete e prejudicando não só o momento presente, como também o seu futuro.

Mas por que alguém cometeria erros financeiros tão pesados? A resposta, ao menos na maior parte dos casos, é simples: por falta de informação. Afinal de contas, você só pode saber que uma decisão é prejudicial se tiver consciência sobre o assunto, não é verdade? Como diz a sabedoria popular, informação é poder.

Então, a partir de agora, apresentaremos quais são os principais equívocos que as pessoas cometem nas finanças. Assim, você terá condições de fazer boas escolhas e evitar um fim trágico em sua vida financeira.

Situações mais comuns em que as pessoas cometem suicídio financeiro

Agora que você já sabe o que é suicídio financeiro, é hora de conhecer as situações mais corriqueiras em que as pessoas cometem erros na administração do dinheiro — e olha que não são poucas, hein! Fique atento e acompanhe as informações a seguir para não cair nas mesmas armadilhas.

Não ter um orçamento definido

Muitas pessoas caem na tentação de simplesmente gastar seu dinheiro em tudo que interessa, sem o menor planejamento de onde e quanto. Ter um orçamento doméstico prévio antes de fazer qualquer tipo de compra ajuda a gastar apenas com o necessário e com o que for mais adequado para o seu padrão de vida.

Deixar para quitar as contas mais tarde

Um dos eros mais comuns ligados ao suicídio financeiro é deixar as pendências para depois ou esperar que elas se resolvam magicamente. Não são raros os casos de indivíduos que usam os cartões de crédito da maneira equivocada. Ou seja, sem pesar os custos futuros das compras ou calcular os pagamentos dos meses seguintes.

Para não cometer esse erro, procure usar o seu cartão de crédito como uma ferramenta inteligente para rastrear seus gastos e em situações nas quais o parcelamento seja vantajoso e sem juros — tudo disso, claro, sem gastar mais do que realmente tem.

Não construir um fundo de emergência

Esquecer o fundo de emergência é outro equívoco recorrente que deixa muitas pessoas com a corda no pescoço. Viver no limite pode ser bastante arriscado. Especialmente quando se é mais novo, é difícil imaginar a necessidade de um fundo de emergência, mas a verdade é que ninguém consegue saber o que o futuro pode trazer.

A fim de se preparar para os possíveis imprevistos da vida, reserve sempre uma parcela da sua renda para investir com esse propósito.

Gastar tudo o que ganha por achar que terá mais dinheiro no futuro

Esse erro está diretamente ligado ao anterior. Uma percepção bastante notada no comportamento do brasileiro é a de achar que é normal gastar tudo o que se ganha no presente por existir muito tempo no futuro para ganhar mais dinheiro. É claro que você não deve deixar de viver o presente pensando apenas no que está por vir, mas também não pode ser negligente e não se preparar para os próximos anos.

É muito bom ser otimista com relação ao futuro, principalmente quando você usa essa característica para crescer na vida. O problema é que ser confiante ao extremo também pode fazer você ficar parado no tempo.

Enquanto somos jovens, é mais fácil manter um estilo de vida simples e, com isso, guardar dinheiro para metas financeiras futuras, como a aposentadoria. Portanto, use o tempo a seu favor e não deixe a construção do patrimônio para depois. Comece a poupar e investir agora mesmo.

Escolher o emprego que paga mais

Existem oportunidades de trabalho que pagam ótimos salários, mas que não oferecem perspectivas de crescimento futuro. No curto prazo, essa alternativa pode ser bastante atraente. No entanto, é preciso considerar a vida profissional como um investimento. Isso porque o seu trabalho provavelmente consome muito tempo e exige bastante dedicação, pontos que devem ser empregados na criação do seu propósito.

Na prática, pessoas que fazem aquilo que amam dedicam-se muito mais a aprender e aprimorar suas habilidades. Com isso, naturalmente, conquistam rendas maiores com o passar dos anos.

Fazer cursos apenas para colocar no currículo

Não gaste seu dinheiro com cursos caros, como MBAs ou pós-graduações, antes de compreender claramente todos benefícios que essas especializações podem agregar à sua vida profissional. Fazer formações apenas porque todo mundo faz ou só para preencher o currículo pode ser uma forma de gastar tempo e dinheiro sem gerar resultados efetivos na vida profissional.

Existem ótimas opções de educação formal que podem fazer a diferença na sua carreira, mas isso não quer dizer que toda formação compensa. São muitos os casos de desconexão entre as teorias ensinadas no mundo acadêmico e a realidade do dia a dia das empresas. Dependendo da sua área de atuação e interesse, é bom pesquisar ativamente antes de fazer especializações para se certificar de que o conhecimento acadêmico não está ultrapassado.

Ter um carro que não condiz com sua realidade financeira

Ter um carro como meio de transporte é importante em diversos cenários — exceto para resolver problemas de autoestima. Se você acredita que para ser respeitado ou bem-visto é preciso ter um carro caro, daqueles que só podem ser adquiridos ao financiar em 60 vezes e comprometer boa parte da sua renda, talvez seja necessário parar e refletir. 

Muitas pessoas julgam que o veículo é uma forma de medir o seu status ou o seu nível de sucesso profissional e financeiro. Esse tipo de crença é ótimo para o fabricante de veículos, mas não necessariamente ajuda o bolso do dono do automóvel.

É claro que se você é verdadeiramente apaixonado por carros, pode colocar isso como uma prioridade na sua vida. Ainda assim, inclua esse sonho no seu orçamento e planeje-se para adquirir o veículo de uma maneira que não pese nas suas contas. Um consórcio de carro, por exemplo, pode ser uma excelente alternativa para evitar assumir compromissos financeiros excessivos.

Comprar uma casa maior que o seu orçamento

Conforme a família cresce, aquele imóvel pequeno, que antes era o suficiente, pode não servir mais. Nessas horas, é tentador buscar por um lugar maior, espaçoso e até em um bairro considerado mais familiar. Isso não significa necessariamente que o valor do imóvel será elevado, assim como seus custos de manutenção e impostos.

Porém, é preciso tomar cuidado para não comprar uma propriedade maior ou mais cara do que o seu padrão pode bancar. É preciso que você seja realista e honesto com o seu orçamento e evite dar um passo exagerado. 

Do mesmo jeito que ocorre com o carro, é possível buscar uma forma de aquisição que não deixe a família apertada financeiramente. Mais uma vez, o consórcio imobiliário se mostra como uma alternativa equilibrada e que evita a bola de neve do endividamento.

Gastar mais do que o necessário com as crianças

As obrigações com os cuidados dos filhos, como escola, passeios, atividades extracurriculares, brinquedos, festas etc., são uma forma rápida de ver o seu patrimônio financeiro diminuindo. Os pais sempre querem dar o melhor para sua família, e é difícil dizer não para o que os filhos querem. Porém, é preciso estabelecer um orçamento familiar para não sair no prejuízo.

Essa é uma ótima oportunidade de reavaliar o seu patrimônio e também ensinar as crianças a darem o devido valor ao dinheiro. Dessa forma, a família toda investe recursos e tempo em coisas que são realmente importantes para todos, em vez de apenas comprar porque os outros estão comprando.

Fechar serviços ou compras sem tempo para pensar

Infelizmente, há diversos profissionais e empresas que utilizam da urgência para pressionar os consumidores e forçá-los a tomar decisões de compra de imediato. Desde pacotes de viagem até cursos, é comum encontrar ofertas com um tempo muito limitado, promoções que só duram até a meia-noite ou ainda propostas "irresistíveis" que só serão válidas para as primeiras pessoas que contratarem o serviço.

Em muitos casos, isso é feito com o único intuito de aumentar o faturamento de quem vende, mesmo que o consumidor venha a se arrepender da compra mais tarde. Se o produto fosse tão bom assim, o consumidor desejaria fechar negócio mesmo depois de pensar sobre o assunto, não é?

É claro que existem instituições íntegras que, por questões logísticas ou gerenciais, realmente oferecem ofertas por tempo limitado ou com um número de estoque específico. De qualquer maneira, é muito importante ficar atento a esses casos. Na dúvida, não compre nada antes de refletir por pelo menos 24 ou 48 horas.

Investir sem ter o mínimo de conhecimento prévio

Para quem deseja investir seu dinheiro, as possibilidades são inúmeras. Há opções de fundos de investimento de renda fixa, fundos imobiliários, fundos mistos, títulos de dívida pública, títulos privados, ações, fundos de ações, CDBs, letras de crédito e por aí vai. 

Agora, imagine o que acontece com quem tenta investir sem ao menos obter informações básicas a respeito de todo esse "universo" das aplicações financeiras. Nesses casos, as chances de errar na escolha dos ativos beiram os 100%. Afinal de contas, como alguém poderia escolher uma boa aplicação sem nem ao menos entender seu funcionamento? Ou, então, sem saber como comparar esse ativo às outras opções de investimentos existentes?

Por isso, uma coisa é certa: antes de investir, estude pelo menos o básico sobre o assunto. De preferência, vá além e busque adquirir ainda mais informações, chegando a um nível intermediário. Você não precisa se tornar um grande especialista (para isso existem consultores financeiros), mas é crucial ter um certo conhecimento de causa para fazer boas escolhas. 

Contratar aposentadoria privada ou seguro de vida sem conferir taxas e condições

Não há nada de errado com a aposentadoria privada ou o seguro de vida, muito ao contrário. Contudo, é fundamental conferir as condições do produto financeiro que está sendo oferecido. Há casos em que as taxas são tão altas que o consumidor acaba perdendo o poder de compra do seu dinheiro ao longo dos anos.

Como evitar o suicídio das suas finanças 

Tenha sempre um controle financeiro

Você provavelmente conhece histórias de atletas famosos, artistas ou até ganhadores da loteria que perdem toda a sua fortuna, não é mesmo? Já se perguntou como isso acontece? A resposta é bastante simples: falta de organização e consciência financeira. Em outras palavras, o famoso controle financeiro pessoal.

Quem não controla e não cuida do seu dinheiro está sujeito a sofrer com problemas financeiros, mesmo que obtenha altos rendimentos. 

Separamos a seguir algumas ferramentas que você pode utilizar para não entrar nessa zona de perigo.

Aplicativos

A primeira opção, e também a mais prática em plena era tecnológica, é utilizar aplicativos de controle financeiro pessoal. A grande vantagem é que, por funcionarem direto no seu celular ou tablet, eles acompanham você o dia todo, onde quer que vá. Desse jeito, não há desculpas para não registrar todos os ganhos e gastos.

Planilhas e tabelas

Outra alternativa excelente é usar planilhas ou tabelas, como as do Excel, para fazer o registro das suas despesas e receitas. Com essas ferramentas, você também pode dividir seus gastos em categorias, deixando tudo ainda mais organizado, além de estabelecer metas mensais de economia. A principal vantagem das planilhas é o fator de criá-las ou customizá-las de acordo com suas necessidades específicas.

Caderno

O bom e velho papel e caneta ainda é a opção preferida das pessoas que não conseguem se adaptar a fazer seus registros no computador, celular ou tablet. Se você faz parte desse grupo, não se sinta em desvantagem. É perfeitamente possível que você realize o seu controle financeiro em um caderno, anotando todos os gastos mês a mês e por categoria. O importante é não negligenciar esse cuidado.

Crie o hábito de economizar

Grande parte do sucesso financeiro vem da criação de hábitos saudáveis em relação ao dinheiro. Um deles é o simples fato de economizar. No livro "O Poder do Hábito", o autor Charles Duhigg mostra que os hábitos são compostos de três componentes, conforme listado a seguir.

Gatilho

É a "faísca" que o cérebro dispara para escolher o hábito mais adequado. Em um hábito de economia, um gatilho utilizado pode estar relacionado ao recebimento do contracheque. Por exemplo, sempre que você receber seu salário, guarda uma porcentagem predeterminada. Em relação ao controle financeiro, assim que fizer uma compra ou pagamento, você anota o gasto em uma planilha ou aplicativo.

Rotina

Nada mais é do que a sequência de atividades que transforma suas ações em hábitos. Essas atividades podem ser físicas (corporais), emocionais ou intelectuais. Uma atividade física de economia pode ser a de ir ao caixa eletrônico toda quarta-feira para depositar R$ 50 na poupança.

Recompensa

É o benefício que auxilia na implementação do novo hábito. Por exemplo, você pode determinar que, todo o mês que guardar um valor “X”, poderá sair para jantar com a família ou comprar determinado item.

Pare de pegar empréstimos

Como você lida com o crédito oferecido por lojas, instituições financeiras e outros estabelecimentos? De um jeito ou de outro, todo crédito é uma forma de empréstimo e, por sua vez, todo empréstimo é uma dívida assumida.

Sendo assim, quando você opta por pagar uma conta a prazo e arcar com juros, você está pegando um empréstimo. As consequências dessas ações se refletem no aumento automático dos seus gastos mensais. No fim das contas, você passa a ter mais obrigações financeiras para cumprir, e esse conjunto pode se transformar em uma bola de neve de juros.

Portanto, fica claro que um empréstimo é uma opção à qual só se deve recorrer em casos de emergência, como problemas muito graves de saúde. Ou em situações bem-pensadas, em que os juros e taxas não atrapalharão suas finanças. Para os demais fatos, procure usar apenas seus rendimentos mensais. 

Construa seu fundo de emergência

O que aconteceria com a sua família se você perdesse o seu emprego ou fonte de renda? Você teria recursos guardados ou teria que se endividar para manter a casa? Como mencionamos anteriormente, uma reserva de emergência funciona como uma proteção para o seu futuro, e é de grande valia em situações como essa.

É essa reserva que permite que você continue sustentando o seu lar por três, seis ou doze meses, por exemplo, mesmo sem estar trabalhando. Com essa garantia, você não apenas fica mais tranquilo em relação às despesas como também aproveita melhor o seu tempo para se dedicar a projetos e trabalhos que realmente gosta.

Acompanhe agora três passos simples que ajudarão você a montar a sua reserva de emergência o quanto antes. 

Determine o valor a ser poupado

De modo geral, sua reserva deve somar o equivalente a seis meses de salário ou orçamento mensal (valor que você gasta por mês). Ainda assim, se você desejar, pode construir uma reserva maior. Basta seguir o cálculo:

Reserva de emergência = orçamento mensal × número de meses assegurados

Por exemplo: imagine que uma pessoa viva com um salário líquido de R$ 3 mil mensais e queira montar uma reserva de seis meses. Nesse caso, ela precisará poupar R$ 18 mil.

Guarde parte da sua renda todos os meses

Com o valor estipulado, é hora de ter disciplina para alcançar o objetivo. Para isso, você não precisa abrir mão de todos os prazeres por um longo tempo. O segredo está em cortar as despesas supérfluas e gastos excessivos durante o período de economia para juntar o valor planejado.

É importante que esse montante fique guardado na poupança ou aplicado em um investimento de alta liquidez, ou seja, que possa ser resgatado a qualquer momento. Afinal, o uso reserva pode ser necessário de um dia para o outro, e é preciso considerar essa variável.

Mantenha o dinheiro investido

Depois de juntar o valor de reserva de emergência estipulado, o ideal é que você "esqueça" que aquele dinheiro existe. Como o nome sugere, essa quantia só deve ser usada para situações de emergência e não para gastos desnecessários.

Contudo, como você já adquiriu o hábito de poupar, nada impede que você continue guardando mais recursos para formar reservas secundárias, com objetivos diferentes. Esses novos fundos podem ser utilizados para planos como fazer uma viagem de férias, trocar de carro, comprar uma casa, entre outros.

Ao longo deste artigo, mostramos que o suicídio financeiro não está atrelado a algum tipo de investimento ou gasto em si, mas sim à maneira despreparada com que as pessoas gastam seus recursos. Como vimos, boas escolhas financeiras são fruto de estudo, responsabilidade e conscientização.

Essas virtudes só surgem a partir do momento em que encaramos a educação financeira com humildade, buscando informações confiáveis e o apoio de consultores e instituições especialistas no ramo. Assim, fica muito mais fácil evitar as más decisões e ampliar seu patrimônio de forma consistente e sustentável.

Agora, que tal dar o próximo passo para evitar o suicídio financeiro, cuidar ainda melhor das suas finanças e tirar seus sonhos do papel? Entre em contato conosco e receba o atendimento de um consultor!

 

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